O
que vou escrever agora vai incomodar muita gente. Tudo bem. Respeito opiniões
em contrário. Sou adepto da filosofia do Sr. Arouet, também conhecido, nos
bares de Paris do século XVIII, como Voltaire.
Então
vamos lá. O escocês Jackie Stewart, também tricampeão mundial de fórmula 1,
durante muito tempo detentor do número de vitórias da categoria, 27, ao todo,
encerrou a carreira já famoso, rico e consagrado, quando viu o amigo de equipe
Tyrrel, o francês François Cevért, espatifar sua máquina nos treinos
classificatórios para o GP dos Estados Unidos, no autódromo de Watkins Glen em
1973.
Stewart
prosseguiu no circo da badalada fórmula 1 ao longo dos anos, mas, fora das
pistas, sempre requisitado, devido seu prestígio, atuando como consultor de
equipes e comentarista de tevê, fez dupla memorável com o lendário Murray
Walker na BBC de Londres. Foi também, em determinada época, dono e chefe de
equipe que levava seu nome e onde pilotou o brasileiro Rubens Barrichello.
A
mesma iniciativa, digo, sabedoria, de parar no auge da carreira, para desfrutar
as glórias que conquistou merecidamente nas pistas, ao lado de familiares,
amigos e fãs, não teve o também tricampeão mundial Ayrton Senna da Silva.
Piloto
genial, o mundo assim o reconhece, e de fato era, Senna se expunha, para além
do limite de si mesmo e da máquina que pilotava, expondo também ao perigo
desnecessário, seus companheiros de profissão, como na decisão do título em
1990, com o rival Alain Prost, da França.
Se
foi ou não o melhor piloto do mundo, é matéria para discussão. Foi sem dúvida
um dos grandes do automobilismo mundial, em todos os tempos. E, de certa forma,
sua ousadia, satisfazia aos anseios reprimidos de muitas pessoas para as quais
faltava a coragem que a Senna sobrava.
A fórmula
1 é um esporte em que a máquina é a outra metade, a extensão do piloto e
vice-versa. E, atrás da máquina, há muita gente que trabalha com afinco e
talento para que máquina e piloto se tornem vencedores.
É
bem sabido que ao contrário do também brasileiro e também tricampeão mundial
Nelson Piquet, Senna nunca foi um acertador de carros, nunca se preocupou em
acrescentar nada ao trabalho de engenheiros e mecânicos que aumentassem a
capacidade de competir da máquina. O que ele sempre queria e teve, a partir de
determinado momento de sua carreira, quando passou a vencer, foram os melhores
engenheiros, mecânicos, motores e pneus à sua disposição. Isso não tira os seus
méritos, na verdade, define o seu estilo de trabalhar. Quando entrava no seu
bólido e sentava o pé no pedal da direita era difícil vencê-lo nas retas e
curvas dos autódromos do mundo.
Os
gênios, e Senna era um deles, na sua profissão, excedem algumas vezes nas
atitudes que tomam, mas, tais excessos atingem os parâmetros da loucura, quando
se pratica um esporte perigosíssimo por natureza, como a fórmula 1.
Além
do desporto, a maior vitória de Senna, foi a criação da Fundação que leva seu
nome e que beneficia milhares de crianças, hoje conduzida por sua irmã Viviane.
Como
esportista que fizera os brasileiros e fãs do mundo todo grudar os olhos na
tevê nos 10 anos em que competiu na fórmula 1, pilotando para as equipes
Tolleman, Lotus e McLaren, Senna deixa saudade. Por seu talento, determinação e
coragem, deixa também um importante legado. Como poucos, Senna extrapolou a
dimensão humana, comum a todos nós, para alcançar a condição de mito
reverenciado por muitas gerações.
Senna
encerrou a vida e uma das mais belas e admiráveis carreiras esportivas, do modo
como mais apreciava e trabalhava sempre muito duro para isso: na sétima volta
do GP de San Marino, na Itália, em 1994, numa curva chamada Tamburello, em
primeiro lugar.
Salve,
Senna!

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