segunda-feira, 29 de abril de 2019

SOB OS MEUS PÉS


O meu chão é frágil
E eu não tenho mais onde me apoiar
É como se eu estivesse perdido na mata
Ao vento, em alto-mar
Tentando me equilibrar sobre as águas
Em desespero, antes de me afundar
Sinto-me só, nu, no deserto
Rajadas de vento e areia cobrem meu corpo,
Agora deitado, inerte, como que abandonado
Sinto-me livre, porque longe,
Embora preso, porque desperto, vejo
Que nada termina, sem que haja resposta
O meu chão é frágil
Está rachado sob os meus pés
Os meus passos são lentos, incertos
Ao longe as montanhas tremem
As aves balançam no céu
E o vento, nervoso, canta
O seu desespero, o meu tormento
Vejo, passivo, impotente,
Tentando me equilibrar
Sobre o chão, que se rompe, abaixo de mim,
O dia partir e chegar
O meu chão é frágil
É como se eu hesitasse
A cada momento em suspenso, evitado
O passo seguinte
Meu corpo treme, não se sustenta
Tenta, por um instante, um movimento
Que pudesse me libertar
Vai se desfazendo, contudo
Como areia na ampulheta
Ao longe o vento vai
E leva muitos consigo
E mais uma vez como sempre
Temente a Deus, a voz poderosa
Que o chama ao infinito
De mim se esquece
O meu chão é frágil
Os meus pés, porém, ficarão
E eu, como sempre, evitarei, o passo seguinte.

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