Carros demais e ruas de menos. Informações
demais e relevância de menos. Gente demais ocupando espaço de menos.
Espaço ocioso demais por toda parte,
terras à perder de vista, sem nenhuma ocupação ou utilidade.
Imóveis demais, desocupados, se deteriorando,
e procriando a perder de vistas, o famigerado mosquitinho mortal.
Filmes demais, a cada canal, e a cada
minuto. Músicas demais, ouvidos de menos. Músicas?
Gente demais, falando muito, ao
telefone, por qualquer meio, sem ter o que falar, apenas pelo simples fato de
se auto afirmar perante a si mesmo e o mundo. Oh, tola e boçal necessidade!
Religião demais, profetas demais, cristãos
de verdade, de menos, cada vez menos. Dinheiro demais, em poucas mãos,
pouquíssimas. Direitos demais, deveres de menos.
Arte e cultura demais, conteúdo de
menos. Futebol demais, na tevê, rádio, jornal, internet, e jogo bom, que é bom,
nada, ou quase nada. O quase, fica bem distante daqui, lá do outro lado do
mundo.
Promessas, projetos demais,
realizações de menos. Tudo excede à necessidade nesse mundo rápido, hostil, em
que tudo é descartável, até mesmo as pessoas.
Pensa-se demais, sonha-se demais, e
faz-se tão pouco. Porque o fazer demanda tempo, esforço, trabalho, correção,
interrupção, recomeço. Ah, isso não!
Alimentos agora, até na impressora
terceira dimensão. Pra que plantar? Pra que colher? Difícil não é imaginar para
onde caminhamos. Difícil é mensurar as consequências do nosso suicídio lento,
gradual, constante.
Confunde-se evolução com perdição. Consumir
com felicidade. Produzir coisas com realização pessoal. Opta-se pela porta
larga, mais atraente e sedutora, porém, fatal.
E fazemos tudo isso, de modo bestial,
sem nenhum constrangimento, mesmo sabendo, de antemão, que aqui estamos, por um
tempo, vivendo uma experiência, e nada além disso, mas aqui não ficaremos.
Bicho homem. Como você é estúpido!

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