quinta-feira, 18 de abril de 2019

TODAS AS DORES DO MUNDO


Todas as dores do mundo
Às vezes, posso senti-las
Como se sufocassem
A minha vontade
De ser feliz
E impedissem
O meu caminhar
E me fizessem
Deitar
O rosto no chão
E ao fechar os olhos
Ouvir
O zumbido do alto
Sobre minha cabeça
E me ver envolvido
Pela escuridão
Dos dias que se aproximam
Todas as dores do mundo
Por vezes, posso senti-las
Como se impusessem
Sobre mim
O peso do mundo
Que não posso suportar
A minha esperança
Ferida, fugaz
Que vai e vem
Como as ondas do mar revolto
Onde me encontro,
Náufrago de mim mesmo
Espero de novo
Que o sol brilhe
E se desfaçam as nuvens
Que tornam meus dias
Escuridão
Todas as dores do mundo
Por vezes, posso senti-las
Enquanto caminho
Par e passo
Com minha solidão
Seja noite ou dia
Manhã ou entardecer
Sempre juntos, eu e ela
Solidão
Que me apanhou
Em algum momento
Descuidado de minha vida
Já faz tempo
Jeans e camiseta
Eu vestia
Tênis surrado nos pés
Pés arrastando-se no chão
E mãos, nos bolsos
Da calça rasgada
Que não era moda, mas vergonha
Miséria
Todas as dores do mundo
Por vezes, ainda posso senti-las
Mesmo sabendo que meus dias
Restam poucos,
Minha história
Já quase concluída
Porque, agora percebo
Vai acabando o lápis
Vão sumindo as folhas
E diante de mim
As imagens
Também desaparecem
Aos poucos
Desaparecem as cores
E os sons
Fica a solidão
Cravada em meu peito
E todas as dores do mundo
Mesmo passado tanto tempo,
Percorrido tanto chão
E visto tanta coisa
Mesmo derramado
Tantas lágrimas, às escondidas
No quarto reservado
Da minha tarde escura
Que demora a passar
E todas as dores do mundo
Como um peso
Insuportável sobre mim
Eu continuo a senti-las
Venha megera dama
Vestida de branco
Me libertar



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