Quando as
coisas nos irritam
As pessoas e
as vozes das pessoas nos incomodam
Quando as
ideias alheias nos despertam os piores sentimentos
Quando
baixar a cabeça, resignado,
Não
significa submissão, mas, indiferença
Quando o deitar
do sol é mais bem vindo que o levantar
Quando os
caminhos são muitos
Mas nenhum
desperta o interesse
Nenhum
líquido, pó, corpo, copo
Quando falar
e ouvir já não tem significado
Quando
deitar o lápis, sobre a mesa, se torna tarefa diária, rotina
Quando
adormecer é o momento desejado,
E o
silêncio, o consolo esperado
E o
despertar é tudo que se deseja evitar
Quando se
daria tudo para não ser
E outro
tanto, mais ainda, para não existir
Quando não
ver é escolha deliberada e consciente
E
ajoelhar-se, na pedra gelada, é a espera calada
Do momento inevitável
e oportuno
Quando,
enfim, aceita-se
Que as
trevas são o padrão do universo, o comum
E a luz,
exceção
Então, tudo
perde importância,
E significado,
Tudo

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