terça-feira, 28 de maio de 2019

ESCOLHAS INEVITÁVEIS


Quando as coisas nos irritam
As pessoas e as vozes das pessoas nos incomodam
Quando as ideias alheias nos despertam os piores sentimentos
Quando baixar a cabeça, resignado,
Não significa submissão, mas, indiferença
Quando o deitar do sol é mais bem vindo que o levantar
Quando os caminhos são muitos
Mas nenhum desperta o interesse
Nenhum líquido, pó, corpo, copo
Quando falar e ouvir já não tem significado
Quando deitar o lápis, sobre a mesa, se torna tarefa diária, rotina
Quando adormecer é o momento desejado,
E o silêncio, o consolo esperado
E o despertar é tudo que se deseja evitar
Quando se daria tudo para não ser
E outro tanto, mais ainda, para não existir
Quando não ver é escolha deliberada e consciente
E ajoelhar-se, na pedra gelada, é a espera calada
Do momento inevitável e oportuno
Quando, enfim, aceita-se
Que as trevas são o padrão do universo, o comum
E a luz, exceção
Então, tudo perde importância,
E significado,
Tudo



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