(Ao amigo Claiton)
Na
cozinha, pai e filho conversavam.
“Você
não demonstra um pingo de humildade, essa é a questão – disse-lhe o pai,
enquanto enxugava a louça do jantar com o pano de prato”.
“Está
dizendo isso por que acha que eu deveria cuidar da louça suja ao invés de você?”
“Pode
ser”.
O
Sr. Max, então uma criança, apenas, abaixou a cabeça, admitindo-se culpado.
“Mas
não é tudo” – disse-lhe ainda o pai.
“Bom,
pai, se me permite, eu preciso lhe contar sobre uma coisa” – o garoto acreditava
com isso desviar o assunto que o incomodava ou ao menos adiá-lo para uma
ocasião mais propicia.
“O
quê”? – perguntou o pai, curioso.
“Algo
realmente interessante que me aconteceu hoje”.
“Onde”?
“No
banco”.
O
pai deixou o pano sobre a pia e foi para o quintal a fim de alimentar o
cachorro com o resto de comida que ficara nos pratos e que ele cuidadosamente
havia acondicionado numa vasilha de plástico.
O
filho o seguiu.
“Acredita
que o caixa do banco me deu mil cruzeiros, pai”?
“Sim
– respondeu-lhe o pai – Se conheço o filho que tenho, você não iria mentir a
respeito. Mas, qual motivo teria levado ele a praticar tamanha bondade”?
“Bem...
Como devo dizer...? Eu dei-lhe o cheque para descontar, como o senhor havia me
orientado, e ele...”
“E
qual era mesmo o valor do cheque”?
“Quatro
mil cruzeiros. E aqui, temos cinco mil” – respondeu-lhe, todo sorridente,
apanhando o dinheiro do bolso de dentro da jaqueta e entregando toda a quantia
para o pai.
O
pai conferiu o dinheiro e separou os mil cruzeiros a mais, em uma das mãos, e o
resto do dinheiro, guardou-o no bolso de trás da calça.
“Veja
como existem pessoas boas no mundo, pai. Pessoas generosas que parecem enxergar
o sofrimento dos outros e procuram ajudar”.
O
pai, entendeu que aquele era o momento para elucidar os fatos.
“Não,
meu filho. As pessoas boas e generosas são raras neste mundo. Mas as
desatentas, são muitas”.
Maxwell
fixou os olhos no pai, apreensivo, tentando com muito esforço, entender o que
exatamente o pai queria lhe dizer com isso.
“Filho,
sejamos sinceros, o funcionário do banco, não teve a intenção de ajudá-lo. Na
verdade, ele se enganou. E lhe deu dinheiro a mais”.
O
menino sentiu-se decepcionado, e não sabia ao certo, se aquele sentimento, que agora
lhe sufocava o peito, era causado pelo pai ou pelo funcionário do banco.
“Amanhã,
bem cedo, você retorne ao banco e devolve esses mil cruzeiros nas mãos de quem
o entregou indevidamente”.
“Mas
pai, são mil cruzeiros, já daria pra pagar a farmácia e a padaria esse mês”! –
tentou argumentar.
“Filho,
faça o que eu estou dizendo. Porque é o correto”.
Na
manhã seguinte, o garoto retornou ao banco e logo encontrou com o funcionário
que o havia atendido no dia anterior.
“Com
licença. Lembra-se de mim”?
“Creio
que sim. Em que posso ajudá-lo”?
“Vim
lhe devolver esses mil cruzeiros, que você me deu a mais, quando descontou o
cheque ontem. Lembra-se”?
O
atendente do caixa, olhou para o menino, e a tensão que havia em seu olhar se
desfez completamente. Seus olhos, de repente, encheram-se de lágrimas.
“Ah,
meu Deus! Graças a Deus”!
Eles
se olhavam um para o outro. No semblante do menino, apreensão, e medo, de como
a sua atitude seria interpretada por aquele homem.
“Como
você se chama, garoto”?
“Maxwell”.
“Deus
o abençoe, Maxwell. Que alma boa e generosa você tem. Que Deus o conserve
sempre assim. Não tenho como lhe agradecer”.
“Não
é necessário. Eu fiz o que era correto”.
“Sim.
Mas, esse dinheiro faltou ontem no meu caixa. E quando isso acontece, o banco
desconta do nosso salário. E eu preciso muito desse dinheiro para cuidar de
minha mãe doente”.
Eu
entendo. Minha mãe também é doente, moço. E nós devemos na farmácia e na
padaria. E já faz dois meses. E não temos dinheiro suficiente para pagar. Este
cheque, meu pai tomou emprestado de um agiota. E talvez não possa honrá-lo no
prazo devido.
Mas
não disse isso. Despediu-se e foi embora. Estava tão feliz devido fato de um
estranho ter reconhecido o seu valor humano que a decepção e as preocupações,
por um momento, desapareceram de sua mente.
Baseado num fato verídico.

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