sexta-feira, 24 de maio de 2019

AS FOLHAS CAEM



O mesmo caminho já percorri,
A mesma dor já esteve aqui
Nesse canto escondido de meu ser
Fechado a sete chaves
Por isso eu entendo os seus olhinhos baixos
Eu sei o que você procura a cada vez
Que percorre as páginas de um livro aberto
Sei o que é essa dor que lhe oprime
E piora quando cai a noite
Sei do seu travesseiro amarfanhado
De tanta procura em vão
Da toalha sob a cama
Sei da roupa na sacola
Nova, intacta, que você não usou
Para quem usaria?
E quando você percorre os cômodos da casa
Durante a noite, eu a vejo
Sei da música que te leva, longe
Da lembrança que a consola, por um momento, um
Apenas um, é o quanto dura
O poder da lembrança de nos fazer feliz, um momento
Por isso entendo os seus olhinhos baixos de agora,
São 6 horas, cai a noite
Sei da sua voz sufocada, e acho que posso ouvi-la
As folhas caem, o vento leva
Leva mais que as folhas, leva a esperança
Leva outra vez, como o faz também a cada manhã
Quando ainda diante de seus olhos está a lembrança
Do sonho vivido durante a noite
O sonho que não ousa abrir a porta da realidade
Por que o faria? Não poderia.
Os seus olhinhos baixos tristes me revelam
E por isso eu sei, o que eles encontrariam
Sei, e se pudesse, eu os faria brilhar e sorrir
Por isso, e apesar de tudo o que vai no meu coração
Eu fico à distância



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