Podem fazer beicinho os adeptos do
livro impresso. Mas este objeto, de aquisição de conhecimento e de encantamento
para uns e de ornamentação para outros (Up!) tende a desaparecer da forma como
fora concebido. Isto porque é inevitável que as novas gerações introduzam aos
poucos novos hábitos, costumes e padrões de comportamento.
Os livros agora estão no celular. O
mundo cabe dentro de um celular. Verdade. Com este instrumentinho eficiente de
comunicação, pode-se tudo. Ou quase. Trabalha-se, estuda-se, escreve-se e
publica-se. Pede-se coisas. Vende-se coisas. Dissemina-se ideias, para o bem e
para o mal.
O Itaú Cultural lançou recentemente a
campanha “Leia para uma Criança, também no celular”, onde livros infantis
publicados são acessados a qualquer momento e em qualquer lugar.
Os livros já foram parar nos tablets,
também. É uma comodidade. Ou uma chatice. Depende do ponto de vista. Livros mal
cuidados causam espirros em pessoas alérgicas a poeira. Ah, mas aquela sensação
de folhear as páginas, admirar a capa, nada a substitui. Certamente não pensam
assim a molecada que nunca soube o trabalho que dá pesquisar em enciclopédias,
porque, quando se deram por gente, já estavam inseridas na comodidade do
doutor, professor, analista, conselheiro Sr. Google.
É o progresso, meu velho! As coisas
mudam. E não adianta espernear. Tudo o que se comprova útil tende a ser
produzido em larga escala. Tudo o que é produzido em larga escala é copiado.
Tudo o que é copiado gera disputa. A disputa exige o aperfeiçoamento para
manter o interesse e a opção do público a que se destina. E o público, cada vez
maior, mais exigente, mais antenado com as modernidades, portanto, cada vez mais
dependente delas. Disseminar ideias e cultura através dos livros é lindo e poético,
mas está ficando ultrapassado.
O que para no tempo, vira peça de
museu. Cai no esquecimento, no desuso. Verifica-se isto nas instituições, e
também nas pessoas, que apesar de sua importância e reconhecida eficiência para
desempenhar determinada tarefa, são botadas pra escanteio, quando se acomodam
na zona de conforto da estabilidade.
O nosso amigo livro impresso tem pelo
menos uns 500 anos de existência. É um senhor idoso. Tornou-se vulnerável e
lento.
E o mundo está muito rápido, tudo se
modifica na velocidade de um relâmpago. Diariamente, a partir de pesquisas de
opinião pública, cria-se necessidades para se vender facilidades. Sempre foi
assim. Mas de uns anos para cá essa estratégia que mantém vivo o interesse pelo
consumo por parte das pessoas, ganhou uma velocidade jamais vista.
O livro impresso, às duras penas resiste
ao tempo. Vem se adaptando às transformações e o faz com relativo sucesso. Belas edições, papéis de excelente qualidade, leveza,
visual atrativo. Mas daqui a 50 anos é provável que sofra até uma campanha de
minorias voltadas à preservação das florestas. Afinal, para que livros numa
estante, se eles podem permanecer esquecidos do mesmo modo, num aparelho de telefone
celular?
Não estarei aqui quando esse dia
chegar. Mas não me admiraria se isso viesse a acontecer.

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