domingo, 12 de novembro de 2017

BATE-ME À PORTA



Preciso me agarrar às coisas que me são caras
E não são pessoas, nem coisas, nem lugares
É algo que vai aqui dentro, de mim,
Em algum canto da minha mente
Ocupando algum espaço no meu coração
Que eu mantenho trancado
Desconfiado da vida, das pessoas e das coisas, que sou
Diz-me que Deus não erra
Qual o motivo o teria levado
A trazer-me para cá
E permanecer, num estado de imanência
Entre pessoas, coisas e lugares
Respirando o ar que nada me diz
Vivendo, como um vegetal aprisionado no vaso
Com as raízes que não tem para onde sair
Preciso me agarrar às coisas que me são caras
Elas permanecem dentro de mim
Trago-as de longe, muito longe
Tenho a roupa suja, a alma cansada
Resignado, à espera, da dama libertadora
Que por certo virá
Ela chega, bate-me à porta, sorri.

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