Preciso me
agarrar às coisas que me são caras
E não são
pessoas, nem coisas, nem lugares
É algo que
vai aqui dentro, de mim,
Em algum
canto da minha mente
Ocupando
algum espaço no meu coração
Que eu
mantenho trancado
Desconfiado
da vida, das pessoas e das coisas, que sou
Diz-me que
Deus não erra
Qual o
motivo o teria levado
A trazer-me
para cá
E permanecer,
num estado de imanência
Entre
pessoas, coisas e lugares
Respirando o
ar que nada me diz
Vivendo,
como um vegetal aprisionado no vaso
Com as
raízes que não tem para onde sair
Preciso me
agarrar às coisas que me são caras
Elas
permanecem dentro de mim
Trago-as de
longe, muito longe
Tenho a
roupa suja, a alma cansada
Resignado, à
espera, da dama libertadora
Que por
certo virá
Ela chega,
bate-me à porta, sorri.
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