quarta-feira, 29 de agosto de 2018

ACORDA, POVO!


Quando entrar setembro, e a boa nova andar nos campos... Assim Beto Guedes inicia a mais linda e talvez mais conhecida de suas canções. Um hino que conclama a paz e ao amor, virtudes que todos nós, deveríamos buscar, não fossemos tão egoístas e orgulhosos.
Quando entrar setembro, daqui a dois dias, iniciará o mês da campanha eleitoral. Serão vários cargos em disputa, o mais importante, o de presidente da república.
Observa-se o rol de candidatos e percebe-se que a tão sonhada boa nova está ainda muito longe de andar nesses campos.
Sempre as mesmas promessas e os mesmos discursos, aqueles que o eleitor menos atento, menos interessado, aprecia ouvir. Promessas e discursos esquecidos, sepultados na gaveta, já no dia seguinte ao da eleição.
Há um discurso para obter o poder, e outro para manter-se nele. E para nós, eleitores, há uma forma de viver e morrer por nada, que é acreditar nas boas intenções da classe política brasileira.
Não sei o leitor, mas eu não me iludo. Não me deixo mais me levar por promessas, discursos e falsas aparências. Fujo disso. Eles são todos iguais, os candidatos. Alguns, até disfarçam muito bem.
Mas pense você leitor, o que está por trás de um candidato. Quais interesses de quem os apoia com recursos financeiros? A quem o candidato teve de pedir benção e beijar a mão para chegar na condição de candidato?
Então, o candidato não surge da vontade do povo. Mas da vontade daqueles que se servem do povo. Não pode haver democracia plena num sistema perverso como esse. Escolhemos, nós, eleitores, os previamente escolhidos, por aqueles que, de fato, mandam ou aspiram mandar.
As pessoas mais esclarecidas, mais interessadas em conhecer e entender como funciona o sistema que oprime o povo, que ridiculariza a liberdade e o direito do povo para escolher seus representantes, perderam a ilusão de que um homem, o candidato, eleito pelo povo, poderá redimi-lo de suas mazelas e suas desgraças. Não pode. Nunca pode. Ainda que durante muito tempo, acreditou-se nisso.
As pesquisas de intenção de voto, até o momento, caso, de fato, reflitam a realidade, o que duvido, apontam o favoritismo de um condenado cumprindo pena, por corrupção e lavagem de dinheiro, e um doido varrido radical que sugere resolver todos os problemas do país na base da brutalidade. Os demais candidatos, dispenso comentários. E acho que o leitor, também.
Enfim, esse é o sistema, e enquanto prevalecer, nada irá mudar, não importa quem vença a eleição.
A questão não é escolher um candidato para votar para presidente da república. A questão é: até quando, nós, a classe trabalhadora, os empresários, os agricultores, os comerciantes, os educadores que produzimos a riqueza desse país de dimensão continental chamado Brasil iremos permitir que essa riqueza seja utilizada para manter os privilégios da classe política, a qual se mantém absolutamente em dissonância com as necessidades e anseios do povo brasileiro.

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