Quando entrar setembro, e a boa nova
andar nos campos... Assim Beto Guedes inicia a mais linda e talvez mais
conhecida de suas canções. Um hino que conclama a paz e ao amor, virtudes que todos
nós, deveríamos buscar, não fossemos tão egoístas e orgulhosos.
Quando entrar setembro, daqui a dois
dias, iniciará o mês da campanha eleitoral. Serão vários cargos em disputa, o
mais importante, o de presidente da república.
Observa-se o rol de candidatos e percebe-se
que a tão sonhada boa nova está ainda muito longe de andar nesses campos.
Sempre as mesmas promessas e os
mesmos discursos, aqueles que o eleitor menos atento, menos interessado, aprecia
ouvir. Promessas e discursos esquecidos, sepultados na gaveta, já no dia
seguinte ao da eleição.
Há um discurso para obter o poder, e
outro para manter-se nele. E para nós, eleitores, há uma forma de viver e
morrer por nada, que é acreditar nas boas intenções da classe política
brasileira.
Não sei o leitor, mas eu não me
iludo. Não me deixo mais me levar por promessas, discursos e falsas aparências.
Fujo disso. Eles são todos iguais, os candidatos. Alguns, até disfarçam muito
bem.
Mas pense você leitor, o que está por
trás de um candidato. Quais interesses de quem os apoia com recursos
financeiros? A quem o candidato teve de pedir benção e beijar a mão para chegar
na condição de candidato?
Então, o candidato não surge da
vontade do povo. Mas da vontade daqueles que se servem do povo. Não pode haver
democracia plena num sistema perverso como esse. Escolhemos, nós, eleitores, os
previamente escolhidos, por aqueles que, de fato, mandam ou aspiram mandar.
As pessoas mais esclarecidas, mais
interessadas em conhecer e entender como funciona o sistema que oprime o povo,
que ridiculariza a liberdade e o direito do povo para escolher seus
representantes, perderam a ilusão de que um homem, o candidato, eleito pelo
povo, poderá redimi-lo de suas mazelas e suas desgraças. Não pode. Nunca pode.
Ainda que durante muito tempo, acreditou-se nisso.
As pesquisas de intenção de voto, até
o momento, caso, de fato, reflitam a realidade, o que duvido, apontam o
favoritismo de um condenado cumprindo pena, por corrupção e lavagem de
dinheiro, e um doido varrido radical que sugere resolver todos os problemas do
país na base da brutalidade. Os demais candidatos, dispenso comentários. E acho
que o leitor, também.
Enfim, esse é o sistema, e enquanto
prevalecer, nada irá mudar, não importa quem vença a eleição.
A questão não é escolher um candidato
para votar para presidente da república. A questão é: até quando, nós, a classe
trabalhadora, os empresários, os agricultores, os comerciantes, os educadores
que produzimos a riqueza desse país de dimensão continental chamado Brasil
iremos permitir que essa riqueza seja utilizada para manter os privilégios da
classe política, a qual se mantém absolutamente em dissonância com as
necessidades e anseios do povo brasileiro.

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