quinta-feira, 9 de agosto de 2018

CERTO OU ERRADO?


O problema da vida é o depois. E é um problema para o qual não se tem solução. Estamos condenados à imortalidade. E quando digo nós, não me refiro àquilo que surge, sobrevive e apodrece. Mas ao que pensa, sente e age. Ego, individualidade, espírito, persona dê-se a isso o nome que se queira dar: somos nós; cada um de nós.
Reprodução
Mas, por ora, para o bem e para o mal, estamos aqui, ainda com os pés como que chumbados a essa terra que nos há de comer. Corrigindo: Há de comer a roupa com a qual nos vestimos temporariamente, enquanto durar nossa estadia por essas bandas, que, como todos sabem ou deveriam saber é escola para uns e hospital para outros. É também templo sagrado para aqueles entre nós, poucos, que já aprenderam a amar realmente, ou seja, sem impor condições nem estabelecer limites, e sem olhar a quem. Difícil? Muito! Mas não impossível.
Bem, chega de parênteses filosóficos, temos um compromisso com você, leitor. Entretê-lo com amenidades. Seu tempo é curto e o nosso também. E o café já esfria sobre a mesa. Eu ia dizendo que o problema da vida é o depois. E isso porque, a meu ver, o cara lá em cima, não satisfeito com sua obra grandiosa e bonita, achou que ela deveria melhorar sempre. Eis o nosso problema: o depois. E por mais absurdo que pareça, tratou de arrumar espaço para tudo e para todos se melhorarem e se reproduzirem a perder de vistas. Ao menos é o que dizem alguns homens de ciência, quando se referem ao universo em expansão e a multiplicidade dos setes viventes, alguns incriados e outros desconhecidos. Tenho cá minhas dúvidas quanto a tudo isso, mas agora não vem ao caso.
O que de fato importa é que nascemos para viver em sociedade, nos ajudarmos uns aos outros, sempre, para que todos prosperem em intelecto e moralidade. Ao menos é o que nos ensinaram que é como deveria ser.
Mas, então, logo pela manhã, ligamos o rádio e somos bombardeados com notícias de crimes de toda sorte. Lembrando: crime é a maldade que se comete contra o semelhante, direta ou indiretamente. E convenhamos, somos realmente muito criativos quando o assunto é cometer maldade.
Confesso, de minha parte, que atualmente pratico maldade muito mais contra mim mesmo do que contra o meu semelhante. Refiro-me aos excessos, também conhecidos como os prazeres inenarráveis da vida, frente aos quais, sucumbe a razão invigilante e desatenta.
Então, é muito natural, que algumas pessoas, dentre elas, este que vos fala, opte muito sabiamente por dar uma bela banana ao mundo, e criar um para si mesmo, onde possa viver nos limites da sua sanidade, ao alcance de seus prazeres e nos conformes das suas aspirações, algumas inconfessáveis. Esperando com isso desfrutar de dois dos maiores tesouros dos quais se tem notícia: tranquilidade e satisfação.
Serão egoístas tais pessoas, por renunciarem ao convívio humano e à necessidade imprescindível de estar inserido e atuar em uma sociedade louca, injusta, contraditória, incoerente, onde o mal impera? Ou serão tais pessoas providas de lucidez? Porque, ao que parece, a sociedade humana faliu no seu projeto de paz e amor. E não houve até hoje ideologia política, filosofia ou religião que desse jeito nisso. Muito óbvio! Tudo isso é criação humana. Por conseguinte padece do egoísmo, do orgulho e da maldade inerente ao ser humano. Traduzindo: Nós, gente boa!
Viver isolado da realidade comum à maioria é opção que traz em seu bojo um risco calculado: o ostracismo e o esquecimento. Mas nem por isso menos fascinante. Não é o caso de se embrenhar na mata e nem se trancar num apartamento para encontrar e viver conforme os ditames do eu interior. Mas, de não se envolver com questões e problemas alheios, quando não temos solução sequer para os nossos. Egoísmo ou sobrevivência? Eis a questão, para a qual não tenho resposta. E você, leitor, acaso a possui?



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