O problema da vida é o depois. E é um problema para
o qual não se tem solução. Estamos condenados à imortalidade. E quando digo
nós, não me refiro àquilo que surge, sobrevive e apodrece. Mas ao que pensa,
sente e age. Ego, individualidade, espírito, persona dê-se a isso o nome que se
queira dar: somos nós; cada um de nós.
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Mas, por ora, para o bem e para o mal, estamos aqui, ainda com os pés como que
chumbados a essa terra que nos há de comer. Corrigindo: Há de comer a roupa com
a qual nos vestimos temporariamente, enquanto durar nossa estadia por essas
bandas, que, como todos sabem ou deveriam saber é escola para uns e hospital
para outros. É também templo sagrado para aqueles entre nós, poucos, que já aprenderam
a amar realmente, ou seja, sem impor condições nem estabelecer limites, e sem
olhar a quem. Difícil? Muito! Mas não impossível.
Bem, chega de parênteses filosóficos, temos um compromisso com
você, leitor. Entretê-lo com amenidades. Seu tempo é curto e o nosso também. E o café já esfria sobre a
mesa. Eu ia dizendo que o problema da vida é o depois. E isso porque, a meu
ver, o cara lá em cima, não satisfeito com sua obra grandiosa e bonita, achou
que ela deveria melhorar sempre. Eis o nosso problema: o depois. E por mais
absurdo que pareça, tratou de arrumar espaço para tudo e para todos se
melhorarem e se reproduzirem a perder de vistas. Ao menos é o que dizem alguns
homens de ciência, quando se referem ao universo em expansão e a multiplicidade dos setes viventes, alguns incriados e outros desconhecidos. Tenho cá minhas
dúvidas quanto a tudo isso, mas agora não vem ao caso.
O que de fato importa é que nascemos para viver em
sociedade, nos ajudarmos uns aos outros, sempre, para que todos prosperem em
intelecto e moralidade. Ao menos é o que nos ensinaram que é como deveria ser.
Mas, então, logo pela manhã, ligamos o rádio e somos
bombardeados com notícias de crimes de toda sorte. Lembrando: crime é a maldade
que se comete contra o semelhante, direta ou indiretamente. E convenhamos,
somos realmente muito criativos quando o assunto é cometer maldade.
Confesso, de minha parte, que atualmente pratico
maldade muito mais contra mim mesmo do que contra o meu semelhante. Refiro-me
aos excessos, também conhecidos como os prazeres inenarráveis da vida, frente
aos quais, sucumbe a razão invigilante e desatenta.
Então, é muito natural, que algumas pessoas, dentre
elas, este que vos fala, opte muito sabiamente por dar uma bela banana ao
mundo, e criar um para si mesmo, onde possa viver nos limites da sua sanidade,
ao alcance de seus prazeres e nos conformes das suas aspirações, algumas
inconfessáveis. Esperando com isso desfrutar de dois dos maiores tesouros dos
quais se tem notícia: tranquilidade e satisfação.
Serão egoístas tais pessoas, por renunciarem ao
convívio humano e à necessidade imprescindível de estar inserido e atuar em uma
sociedade louca, injusta, contraditória, incoerente, onde o mal impera? Ou
serão tais pessoas providas de lucidez? Porque, ao que parece, a sociedade
humana faliu no seu projeto de paz e amor. E não houve até hoje ideologia
política, filosofia ou religião que desse jeito nisso. Muito óbvio! Tudo isso é
criação humana. Por conseguinte padece do egoísmo, do orgulho e da maldade
inerente ao ser humano. Traduzindo: Nós, gente boa!
Viver isolado da realidade comum à maioria é opção
que traz em seu bojo um risco calculado: o ostracismo e o esquecimento. Mas nem
por isso menos fascinante. Não é o caso de se embrenhar na mata e nem se
trancar num apartamento para encontrar e viver conforme os ditames do eu
interior. Mas, de não se envolver com questões e problemas alheios, quando não
temos solução sequer para os nossos. Egoísmo ou sobrevivência? Eis a questão,
para a qual não tenho resposta. E você, leitor, acaso a possui?

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