É preciso exibir as dores?
Compartilhar os dramas?
É preciso acusar os erros?
Expor os defeitos?
Enaltecer as quedas?
As minhas e as suas, as nossas
É preciso entregar-se?
Irremediavelmente vencido
Calado, humilhado
Aos inimigos sedentos à espreita
É possível acreditar no depois?
Na página seguinte
No olhar à espera
Quando tudo em volta
Se resume à ausência de esperança?
E quando tudo, dentro, aqui dentro, é nada
É possível caminhar no escuro?
Apesar do medo, ao lado
É preciso desnudar-se em palavras?
Para ser entendido, aceito
Para quê?
Se tudo vai e volta
Faz e se desfaz
Nessa ilusão de formas e cores
Da qual fazemos parte

Nenhum comentário:
Postar um comentário