Talvez o que
há de pior nesses tempos atuais é que as coisas não se completam, as histórias
não terminam, a morte é adiada, uma estupidez, porque a morte é soberana e
inevitável; a justiça não se faz, e o amor não se realiza; as pessoas não sabem
o que querem; pretendem ser muitas coisas, tudo o que jamais serão, e não se
importam se debaixo do verniz da hipocrisia de cada um tudo é madeira, algo sabido,
desde tempos imemoriais, jamais, porém, admitido, somos orgulhosos, egoístas e
fazemos disso as nossas ferramentas de autodestruição.
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| Reprodução |
Anuncia-se
com luzes, câmera, ação, sorrisos, muitas cores, luz neon, todos os dias, a
todo instante, aos quatro cantos, o que jamais será confirmado. E tudo isso
cansa. E faz desistir. Ótimo! Ponto pra eles. É o que querem. Que percamos
nossas referências, que desconheçamos novos horizontes, que ignoremos novas
possibilidades; que, aos poucos, vamos desistindo, tombando pelo caminho,
apodrecendo, morrendo, de inanição, todos iguais, padronizados, prestem
atenção, porque a fé já não alimenta a chama da esperança dentro de nós, que
nos fez seguir adiante, chegar até aqui, aos pedaços, arranhados, machucados,
fraturados, sedentos, famintos, mas chegamos, carregando na mochila da vida
muitas experiências que nos serão úteis em algum momento.
Querem-nos
todos iguais, olhando na mesma direção, vivendo as mesmas emoções, falando a
mesma língua, vestindo as mesmas roupas, pensando, sentindo, vivendo do mesmo
modo, de joelhos; mãos estendidas, suplicando-lhes perdão, pão, e água, emoção.
Talvez o que
há de pior nesses tempos atuais, é a nossa covardia, a nossa falta de ousadia,
coragem, destemor, de chutar a porta, esmurrar a mesa, dizer: Basta!
Nesses
tempos atuais, os livros nos fazem mal, as canções irritam, os filmes testam a
nossa paciência, as promessas nos acomodam, esperamos que venha do Alto a força
que já existe em nós, pois do Alto viemos. Mas não querem que nos lembremos
disso, de que tudo podemos. Querem que continuemos adormecidos, dependentes de
ilusões que nos estagnam e nos destroem, pouco a pouco.
Se dissermos
não a tudo e a todos que nos escravizam levantaremos do chão, despertaremos, faremos
nosso próprio caminho, cada um de nós. E nos descobriremos felizes, sem
precisarmos deles, e de nada. Somos livres!

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