Livros
fechados são almas mortas; partituras fechadas, sem que haja ao menos um só
virtuoso a executá-las, são almas mortas; a tinta que não conheceu o pincel, o
pincel que não chegou à tela, são almas mortas; o passo não dado, o movimento
tolhido, o olhar omitido, o sorriso sufocado, são almas mortas; a comida que
não chegou à mesa, a fome, a sede não saciada são almas mortas; a roupa não
vestida, os calçados não encontrados – debaixo da cama – os pés descalços, são
almas mortas; a vida, enquanto só aspiração, o violão sem as mãos, são almas
mortas; o amor não declarado, o desejo reprimido, o abraço roubado, são almas
mortas.
Ouvindo Chopin; dedicado ao meu pai.

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