É
nessas horas que falta
O
ombro amigo que não se tem
A
voz terna que não se escuta
O
olhar meigo que não se encontra
E
se procura por toda parte
Todas
estas coisas
Que
faltam
Porque
na realidade nua, dura, cruel
De
nossas vidas, não existem
E
sentado no banco da praça
No
final de mais um domingo
A
espera de Viviane
Esperando
o sino da torre maldita, destruidora
Bater
as cinco vezes fatais
Anunciando
a dama que chega
Sempre
coberta da cabeça aos pés
Sempre
sem nada dizer
Nada
disposta a revelar
O
que traz no coração
O
que diz no olhar
Oculto
É
nessas horas
Que
então o tempo para por um instante
Param
as nuvens, pára o ônibus que chega vazio e sem rumo
E
ninguém sabe e ninguém desce do ônibus
Pára...
A
leitura que se fazia
O
cigarro esquecido em algum canto da boca
Não
é o lápis, onde está o papel?
Perdido,
talvez, no bolso de traz da calça
Antes
que se transforme
No
jeito elegante com o qual se disfarça
A
tristeza que nessas horas
Bate...

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