Acabei
de ler O Cânone Ocidental. Pois bem. Acreditem! Sim, eu consegui. Claro que não
o livro todo. Mas algumas páginas. Digamos que o suficiente pra ficar distante
dos livros alguns meses. Ou internado no Dr. Bezerra algumas semanas. Enfim, o pretexto
suficiente para delirar noite adentro, equilibrando-me no cavalo branco.
Na
verdade, meus caros, eu Ri. Sim, o inusitado, a eloqüência do fato merece a
maiúscula. Portanto, eu RI (2 maiúsculas, pra que não haja dúvida) quando o
boboca do Mr. Bloom, disse que Fitzgerald, Hemingway e Faulkner, seriam, por
assim dizer, a santíssima trindade da ficção norte-americana do século 20,
legítima herdeira do maluco Twain.
Deixa
o Tuim pra lá.
Bom,
eu vomitei várias vezes durante a leitura das páginas que consegui atravessar.
Não deveria dizê-lo, mas a necessidade me impele.
E
quase tive uma síncope quando percebi que já tinha ultrapassado mais de 20
páginas do tijolo, digo, livro escrito por Mr. Harold Bloom.
O
fato é senhoras e senhores, finados leitores, que Mr. Bloom não sabe bulhufas
de uma das melhores literaturas do mundo.
Agora
caiam da cadeira. Sim, isto mesmo. Já manjaram a resposta se conheço bem os
meus finados leitores. Refiro-me à Literatura Brasileira. Que nos deu: Machado
de Assis, Lima Barreto, Graciliano Ramos, pra citar apenas três e empatar o
jogo com os coleguinhas lá em cima.
Exatamente
por esse motivo é que me torno cada vez mais incapaz de compreender este país.
Herdou uma das mais fascinantes línguas que existe: a portuguesa. Criada pelos
deuses das Letras exatamente para a poesia e a prosa, porque inacreditáveis são
os malabarismos que se pode fazer na criação de um texto literário em língua
portuguesa. Sem cair no ridículo, sem arredar o pé da norma culta.
É
claro que tais peripécias exigem algum talento e esforço; algumas repetições,
tentativas e mais outras, eu diria. Mas o resultado é de uma satisfação
orgásmica.
Como
é possível então um povo renegar a sua própria cultura e os valores que essa detém
para absorver e valorizar a alguma coisa vinda de fora e que não tem nenhuma
sintonia com a sua realidade?
O
que fizeram e o que fazem nas escolas e nas universidades com os escritores
brasileiros, os mais conhecidos é de uma aberração, um crime só comparável no
que diz respeito à covardia e injustiça ao que se produziu na Europa ao tempo
da Inquisição.
A
interpretação que críticos, professores, especialistas desse ou daquele
movimento literário ou desse ou daquele escritor apresentam já desde o século passado
é de uma pretensão e uma estupidez que chega a ser cômica e tola.
O
fatiamento, com perícia de Jack Estripador, que se faz com preciosidades da
ficção literária brasileira para analisar a gramática ou interpretar o texto
chega ser odiosa.
Soube
a respeito de um professor de Língua Portuguesa de uma escola estadual, aqui de
Rio Claro, a minha cidade, é claro, que entre dar como tarefa a leitura de
Capitães de Areia, de Jorge Amado ou assistir ao filme, disse aos alunos que
optassem por qualquer uma das duas, que, ao final das contas dava no mesmo.
Como
dava no mesmo? Livro é livro, filme é filme!
Engraçado
que o povo americano, por sua vez, inventou e disseminou a indústria
cinematográfica e as redes sociais, mas não deixou de ser afeito à leitura e, muito
menos, deixou de produzir uma literatura de boa qualidade.
E
o Brasil... Ah, o Brasil, é o país daquele ex-presidente que cheio de orgulho
disse que não gostava de ler. Obrigado, senhor ex-presidente!
É
o país do Zé Bento o pai da Emilia, que cheio de esperança dizia que um país é
feito de homens e livros.
Se
não há o primeiro, ô Zé, ao menos naquilo que de melhor pode sugerir a
definição, porque haveria o segundo?
Bom,
ao menos já me livrei do Sr. Bloom. Próxima parada, um correr de olhos pelo
nariz do morto, a convite do Sr. Vilaça.
Volto
algum dia com outras notícias. Se escapar do velório. Aguardem!


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