Há um
entendimento que de tão óbvio chega a ser vulgar, mas que muitas vezes é
ignorado por nós. Diz assim: Não podemos mudar uma situação, a menos que saibamos
lidar com ela.
Portanto, quem
deseja aprender observa, analisa e busca por soluções.
Aliás, houve
quem já nos dissera: “Busca e acharás”.
Disse
também: “Conhece-te a ti mesmo”.
E ainda:
“Conheça a verdade, e a verdade vos libertará”. Trocando em miúdos, só o amor
constrói a felicidade. O amor é o caminho. É a solução. Ainda que demore. Mas é.
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Acontece,
porém, que nós, imediatistas, queremos soluções prontas.
Ao invés de
trabalharmos para conquistar o que queremos, nós esperamos pela sorte.
Mas a lei do
trabalho, ou seja, toda ocupação útil física e intelectual, é uma lei de Deus,
à qual, ninguém está isento. E buscar soluções significa aprender e praticar.
Ou seja, trabalhar.
Àquela
menina aparentemente morta, conformem narram os Evangelhos, o que fez Jesus?
Levantou-a do chão? Carregou-a no colo? Não! Ele disse: “Levanta-te e anda”.
Isso é mais
profundo do que imaginamos.
Jesus nos
desperta para a vida, esse é seu papel, como o ser iluminado que é, mas, nos
esclarece que cabe a nós, levantarmos e seguirmos em frente.
Mas, em
contrapartida, na sua preocupação em se estabelecer e convencer as pessoas, o
que fazem algumas religiões?
Ao invés de
despertarem consciências, e libertarem o homem do seu comodismo, arrancá-lo da
sua estagnação, e colocá-lo em movimento, portanto, a trabalho, algumas
religiões prometem soluções, ao invés de ensinar o homem a buscá-las e obtê-las
por seu próprio esforço.
Algumas
religiões desejam os fiéis que as sustentem, não desejam o homem livre,
independente, que saia pelo mundo, a despertar consciências, a convocar a
humanidade, através do seu bom exemplo, para o trabalho, para a luta por sua
renovação moral.
Afinal, está
escrito: “Arrancarás o teu sustento com o suor do teu rosto”. Se não tomássemos
tudo ao pé da letra, entenderíamos que isso tanto vale para as necessidades do
corpo, como para as necessidades da alma.
Conforme ensina
o Livro dos Espíritos, há dois elementos fundamentais na constituição do
Universo: Espírito e Matéria, cada qual, a seu tempo e a seu modo, segundo a
sua natureza e finalidade, originam a vida, tal como a conhecemos, e também,
como ainda não a conhecemos. Mas que, por observação, análise e dedução diante
das evidências, sabemos existir.
600 anos
antes de Jesus, existiu um homem que ficou conhecido como Buda. Ele ensinava
que é melhor seguirmos o caminho do meio, ou seja, o caminho do equilíbrio. E
por quê? Porque tudo no Universo é vida em harmonia, de tal sorte que o
conceito de certo e errado, que, para algumas religiões significa pecado e não
pecado, só existe, em verdade, para nós, que somos ainda aprendizes, a caminho
da perfeição, que não vemos tudo, portanto não conhecemos tudo, e nem
entendemos tudo, e vivemos atrelados a limites que nos são colocados pela
Misericórdia Divina, para que evitemos (ao menos deveríamos) gerar conflitos, conosco
mesmos, e com as pessoas e com o mundo, conflitos que geramos, a partir das
nossas ações, pensamentos, palavras e sentimentos.
De modo que,
para o pensamento de Buda, não existe o julgar, uma vez que, certo e errado,
são conceitos relativos, conforme o grau de entendimento humano, conforme a cultura,
os hábitos, os costumes, as tradições, as crenças, e as leis em vigor, no
momento em que os fatos ocorrem.
Aliás, Jesus
já sabia disso: que julgar é inútil e desnecessário. Basta lembrarmos qual foi
sua atitude, diante da mulher adúltera.
Então, de
nossa parte, sabendo que a vida envolve o Espírito e a Matéria, podemos deduzir
que, para vivermos bem, em paz, é fundamental buscarmos o equilíbrio, a
harmonia entre o Espírito e a Matéria.
Aliás, disso
também já sabia Buda.
Conta-se que
Buda, desejando iluminar-se espiritualmente, retirou-se do castelo onde era
príncipe, para viver no campo da mortificação, um local isolado, onde dois
mestres ensinavam discípulos que para lá se dirigiam.
Ali, as
pessoas faziam penitências, a de Buda, que ele escolhera para si, era
alimentar-se tão somente do excremento de gado. E assim ele o fez, durante 6
anos.
Até que um
dia, muito cansado e fraco, foi banhar-se num rio ali perto. Mas, tão cansado
estava Buda, que caiu no rio, que era raso, e estava se afogando, até que
pessoas o ajudaram.
Já sentado à
margem do rio, Buda viu que passava um barco, onde alguém afinava um
instrumento de cordas. E o sujeito tanto esticou a corda do instrumento musical,
que ela arrebentou.
Naquele
momento, Buda percebeu que, com a vida ocorre o mesmo.
Se dedicarmos
o melhor de nossos esforços, o máximo de nosso interesse e atenção, somente
para as coisas materiais e o mesmo vale para as coisas espirituais, isso
certamente nos trará prejuízos, devido os nossos excessos cometidos.
A partir
daquele momento, Buda deixou o campo da mortificação, e foi seguir o que chamou
de “O Caminho do Meio”.
Este
entendimento também serve para nós. Assim como, no passado, serviu para Buda.
Se vivemos
em excesso para a vida material, nos desequilibramos espiritualmente, e caímos,
e nos machucamos feio. E o mesmo se dá, se vivemos em excesso para a vida
espiritual.
Se nos
voltamos, se damos o melhor de nós, somente para as coisas de valor material, é possível que cheguemos do outro
lado da vida – e haveremos de chegar, é inevitável – sem saber, por exemplo, o
que somos de fato, ou seja, espíritos – seres inteligentes, sensíveis,
realizadores, destinados à perfeição, imortais. E sem ter a menor idéia do
valor das coisas espirituais e da sua importância para nossas vidas, que, como
sabemos, não começou e nem terminará nesta atual encarnação.
Por outro
lado, se nos dedicamos em excesso às coisas
de valor espiritual, talvez faltemos com nossos compromissos assumidos
com aqueles que, por exemplo, são os mais próximos de nós: a nossa família,
nossos amigos, companheiros de trabalho, de ideal.
Jesus também
já sabia disso. E nos ensinou, assim como Buda, a importância da harmonia entre
o que é Espírito e o que é Matéria, das quais se constituem a nossa natureza, quando
disse: “Dai a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus.
Portanto,
nem nós, espíritos estamos na vida humana para derrotar o mundo, que é matéria,
nem o mundo está em nossas vidas para nos derrotar. Busquemos sempre a harmonia
com o mundo, porque assim será mais fácil viver nele.
E falando de
Buda, espírito pertencente à falange dos Benfeitores da Humanidade...
É
interessante observar uma coisa. Toda fachada de um templo budista tem a
seguinte arquitetura: uma porta à esquerda, e outra à direita, menores; e uma
porta central, maior; o que pode ser interpretado da seguinte forma: porta
menor à esquerda: representa a matéria; porta menor à direita, representa o
espírito. Porta maior, ao centro, representa o caminho do meio, do equilíbrio, da
harmonia. É por ela, pela porta do meio, que devemos passar.
Por outro
lado, os evangelistas canônicos, descrevem em suas narrativas, que Jesus foi
crucificado com dois ladrões. Ou seja, pessoas que cometeram excessos, voltadas
tão somente às coisas materiais da vida, portanto, em desequilíbrio, em
desarmonia com eles mesmos, com o seu semelhante, com o mundo. Daí o sofrimento
que padeciam, ao serem crucificados, e o que haviam causado antes às suas
vítimas.
E onde
estava Jesus, neste cenário? Estava ao meio. Ou seja, entre os dois ladrões. E
o que nos ensina essa simbologia? Que ele, Jesus, de fato, tal como o próprio
dissera, é o caminho para se chegar a Deus. Porque é o caminho do meio, do
equilíbrio, da harmonia. Portanto, o caminho do Amor, do Perdão, da Paz.
Há uma
concordância, nesse sentido, entre o que ensinava Buda e o que ensinava Jesus.
Porque ambos ensinavam sobre o Amor, e o Amor é o idioma universal de Deus, não
importa a roupa com a qual as religiões pretendem vesti-lo.
Jesus, um Espírito
Iluminado, veio ao mundo com a missão de arrancar a humanidade das trevas para
a Luz, e assim ensiná-la sobre o Amor. Jesus não venceu o mundo, o mundo aqui
está. Ele venceu as coisas do mundo, porque nunca fora dependente delas,
embora, na medida das necessidades e com sabedoria, delas fizesse uso. Jesus
soube conviver com o mundo e com as coisas do mundo, em harmonia, com
equilíbrio, aproveitando-as para as suas boas ações, porque sabia serem elas,
sagradas, obras de Deus, e por meio das quais se dá a vida.
Espírito e
Matéria são, até onde sabemos a expressão máxima do amor de Deus por nós, seus
filhos, feitos à sua imagem e semelhança.
Vejam: Deus
nos fez à sua imagem e semelhança. E as religiões nos fizeram um Deus à nossa
imagem e semelhança. O que é bem diferente.
Mas, falemos
de Amor, um pouco mais.
Segundo
Allan Kardec, na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, o amor, no
qual se fundamenta o ensino moral de Jesus, é o ponto para o qual convergem
todas as religiões cristãs.
O Amor revela
o equilíbrio, a beleza, a perfeição e a harmonia de toda a Criação, da qual
nós, seres humanos, espíritos encarnados e desencarnados, fazemos parte.
E, mais que
tudo, e acima de tudo, Jesus veio nos ensinar a amar. A amar a Vida, toda forma
de vida, porque se algo existe ou é obra de Deus ou tem a permissão de Deus.
E num
esforço de entendimento maior de nossa parte, veremos que, se tudo se origina
de Deus, os conceitos de certo e errado, são apenas conceitos possíveis para o
nosso entendimento, sobre os fatos da vida, a que nós damos causa.
Daí que todo
julgamento é inútil e desnecessário, e deixa de existir num ambiente onde
impera o Amor.
Por isso
Jesus nos ensinou também a não julgarmos. Uma vez que não temos conhecimento e sabedoria
para tanto.
E num esforço
ainda maior de entendimento de nossa parte, talvez possamos compreender melhor,
como é muito mais profundo do que imaginamos o significado dos dois maiores
ensinamentos de Jesus: O Amor e o Perdão.
Porque são
eles, o Amor e o Perdão, que nos proporcionam vivermos em paz conosco, com
nosso semelhante, com o mundo onde nos encontramos temporariamente.
O Amor e o
Perdão nos proporcionam viver em equilíbrio e harmonia, algo que só iremos
encontrar se optarmos por seguir O Caminho do Meio.
Fontes para elaboração deste artigo:
1) O Livro dos Espíritos e O Evangelho
Segundo o Espiritismo, ambos de Allan Kardec.
2) Vídeo-palestra do Prof. Láercio
Fonseca, “Jesus, um Mestre Zen na Galiléia”, disponível no Youtube.


