O poeta Manoel de Barros escreveu certa ocasião: “A importância de uma coisa há que ser
medida pelo encantamento que a coisa produz em nós”.
Às vezes, estas coisas que nos causam encantamento
são pequenas coisas. Exemplo: Um botão de rosa vermelha que uma pessoa
apaixonada entrega a outra, declarando o seu amor. Mais um exemplo: O abraço
demorado de um pai no seu filho pequeno ao despedir-se dele para uma longa
viagem. Sem saber ao certo se voltará a ver o filho. Ou a emoção que um
pensamento como esse do poeta Manoel de Barros, pode causar às pessoas
sensíveis que o leem.
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| Reprodução |
Coisas pequenas, gestos pequenos, mas que se tornam
importantes e marcam profundamente porque tem o poder de encantar a pessoa
humana. Ou seja, proporcionar-lhe alegria.
Nos próximos dias, mais uma vez vamos virar o
calendário. Por que não aproveitamos a oportunidade para reavaliarmos nossas
ações, pensamentos, sentimentos e até as nossas conversações?
Por que não aproveitar a oportunidade deste final de
ano para indagar: O que tenho feito da minha vida? Estou satisfeito comigo?
Como posso tornar a minha vida melhor, mais produtiva? Posso ser melhor para
mim? E melhor para os outros? Há alguma coisa que eu preciso melhorar em mim?
Como eu posso melhorar?
Uma dica valiosa para isso: Procure conhecer-se
melhor. Ou seja, admita seus erros, suas imperfeições, identifique os pontos
positivos e os negativos da sua personalidade.
Todo trabalho de renovação íntima exige três coisas:
conhecimento, planejamento, vontade. Conhecimento: para saber o que eu preciso
melhorar em mim; planejamento: para estabelecer como posso melhorar; vontade:
para levantar depois da queda. Sim, porque as quedas virão, são inevitáveis,
fazem parte do nosso aprendizado humano.
Todos nós, do maior ao menor de nós, temos
dificuldades em aceitarmos as situações adversas da vida, não importa a
situação favorável ou desfavorável que nos encontramos. Em princípio, nós
reclamamos das nossas aflições. Até achamos injusto sofrê-las, por esse ou
aquele motivo.
Mas quando reclamamos ou achamos injusto sobre
alguma situação adversa que a vida nos apresenta, é porque o nosso orgulho está
falando muito alto dentro de nós. O orgulho nos impede de sermos felizes. E o
egoísmo nos impede de compartilharmos a felicidade quando a vivemos.
Mesmo pessoas de boa índole, morrem sem admitir os
seus erros, as suas imperfeições. Preferem morrer angustiadas, mas não pedirem
perdão, nem a outro, nem a si mesmas.
Essa é a nossa tendência. Algumas pessoas, todavia,
contrariam essa tendência. Porque já estão em um nível de entendimento sobre a
vida melhor, mais amplo, que o da maioria. Mas, a maioria de nós, ainda evita
compartilhar, por exemplo, as coisas de valor material, por medo que, no
futuro, lhes falte. Ou porque se acham as únicas responsáveis por suas
conquistas materiais. E pessoais, inclusive.
Tais pessoas não se deram conta de que as nossas
maiores lutas são conosco mesmo, para que vençamos o orgulho e o egoísmo que
ainda existe em nós. Mas, por que vencer o orgulho? Porque ele nos impede de
nos amarmos e nos perdoarmos. E nos impede de amarmos e perdoarmos os nossos
semelhantes. E ao nos impedir de amar e perdoar, nos impede de sermos felizes.
Há problemas que poderiam ser resolvidos se houvesse
disposição para o diálogo. Mas a maioria de nós ainda prefere manter sua
opinião, posição, e sua insatisfação.
Talvez, leitor, a vida não seja e nunca tenha sido
aquela que você tanto desejou. Talvez nunca venha a ser. Mas é sua vida. Ame-a!
E não deixe para fazê-lo depois, faça-o agora, desde já. A vida é um contínuo.
Qualquer que seja a situação em que você se encontre – neste plano da vida ou
no de lá – você estará vivendo. E, de duas uma, ou estará se conduzindo por
suas virtudes, ou estará se deixando conduzir por suas imperfeições.
Se você acha que pode melhorar-se, comece a mudar
suas atitudes, seu modo de ver, pensar e sentir. E se expressar, inclusive. Se
utilize das pequenas coisas, dos pequenos gestos para expressar os seus melhores
sentimentos. São eles que calam no coração, e que permanecem para sempre na
memória de quem os recebe.
Abrace as pessoas ao cumprimentá-las. Diga-lhes bom
dia! Sorria para as pessoas ao cruzar com elas na rua. Mesmo que não as
conheça. Ao surpreendê-las, talvez você fuja à solidão em que se encontre. Que benefício
maravilhoso você pode proporcionar, com apenas um sorriso, em favor de uma
pessoa, que talvez, você nem conheça.
Para se tornar uma pessoa melhor, comece as mudanças
necessárias em você, no trato com a sua família. Esqueça um pouco o smartphone,
a televisão enorme, moderna e abrace os seus. Beije-os. Diga-lhes que os ama!
Não se incomode de ser o burrinho de carga para o
seu filhinho pequeno. Arrume um tempo para ele. Um dia você se aposenta, talvez
mude de emprego ou de negócio. Mas seu filho será sempre seu filho. E que
recordações ele trará de você?
Não tenha vergonha de ser o eterno apaixonado por
sua mulher, por seu marido. Não precisa dar a ele ou a ela, o carro do ano. Nem
se sinta envergonhado ou diminuído por não poder fazê-lo. Mas olhe fundo nos
olhos dele ou dela. Faça-o compreender a importância fundamental que ela ou ele
tem na sua vida.
Pequenas coisas. Pequenos gestos. É possível
expressar o amor através deles. Porque são eles que fazem a diferença para
melhor em nossas vidas e que permanecem conosco. Nossa felicidade é uma
construção. E toda construção começa na base, no alicerce. Ou seja, nos
pequenos atos de bondade: um sorriso, um abraço, uma palavra amiga, um minuto
de atenção ou mesmo de silêncio, que proporcionamos a alguém.
Acostumando-nos aos pequenos atos de bondade,
estaremos um dia, preparados para ações de maior importância e amplitude.
Então, seremos mestres. Por ora, somos alunos. Sejamos bons alunos então, nesta
escola da vida.
*Publicado em versão reduzida no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 01,02/jan./2017, à pág. 16.
*Publicado no Jornal Tribuna, de Rio Claro, edição de 07/01/2017, à pág. 7.
*Publicado em versão reduzida no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 01,02/jan./2017, à pág. 16.
*Publicado no Jornal Tribuna, de Rio Claro, edição de 07/01/2017, à pág. 7.

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