Perder-se
Perder-se numa rua reta
Nas curvas do atalho
Perder-se a contemplar o céu
Acompanhando o movimento das nuvens
Perder-se a observar o olhar... do gato,
à procura
Perder-se nos minutos das horas que demoram
a chegar
Mas que nenhum segundo sequer perdem,
quando levam
O que julgam lhes pertencer
Perder-se na rotina elaborada das
páginas escritas
Em meio aos escombros do que fica
Perder-se a contemplar a profusão de
luzes
Imaginando que elas irão revelar o
destino, a forma, a melhor, de amar
Perder-se ao contar os dias, sentado na
calçada, encostado no poste,
Enquanto tudo passa, todos passam, e
ninguém o vê
Perder-se acreditando-se capaz
De acordar pela manhã uma nova pessoa
Que deixa na escuridão da noite, na
confusão dos sonhos,
Todos os seus medos
Perder-se ao som do violino
Encoberto, desaparecido, aos poucos,
pela voz, que declama, canta
Os sonhos que sequer lamberam os pés da
realidade
Perder-se, porque a vida é feita mesmo
disso
Uns se perdem, se desnudam, se revelam
Se oferecem em sacrifício
Para que outros, os fracos, evitem o
caminho
Desviem do buraco, fujam da escuridão
Onde, certamente, jamais suportarão
Viver...
Perder-se: sacrifício
Perder-se: sacrifício
![]() |
| Reprodução |

Nenhum comentário:
Postar um comentário