Em boa parte as
pessoas que nos procuram, de modo a nos pedir alguma coisa, o fazem por
real necessidade.
E na maioria
das vezes, sejamos honestos, nós nos sentimos incomodados.
Afinal, todos
nós temos um ideal de vida que é mais ou menos este: conforto, segurança e paz.
O que não é
errado. Mas não é o bastante, como veremos mais adiante. E revela um pouco do
nosso egoísmo.
Porque o fato
de existirem pessoas realmente necessitadas – e são muitas e por toda parte –
já deveria nos chamar à consciência de que deveríamos – para o bem de todos, e
essa que é a questão – compartilharmos, ao invés de nos preocuparmos de apenas acumular
e possuir.
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| Reprodução |
Se houvessem
menos miseráveis, haveria menos ignorância, havendo menos ignorância, haveria
menos maldade, porque a ignorância é a origem de todo mal. Havendo menos
maldade, há menos sofrimento. Esse retrato não se parece com o mundo de
regeneração tão propalado e desejado por todos nós? Mundo onde os problemas,
que servem como estímulo e oportunidade de trabalho com vistas ao progresso
intelectual, e as aflições, as vicissitudes, que ensejam o aperfeiçoamento
moral, existem, porque ainda são necessários, porém, em menor escala?
A barriga
vazia, a falta de um teto, uma roupa pra vestir, um remédio pra tomar, muitas vezes,
gera revolta, que, por sua vez, gera violência.
Não por
acaso, Jesus, nos conclama a dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem
sede, vestir o nu, alojar o desabrigado, visitar e servir o doente, levar a
esperança ao encarcerado. Porque Jesus sabe que amar e servir, ambas as forças atuando
juntas é o melhor caminho, o menos difícil, o mais curto a seguir, para a
construção de um mundo melhor.
Daí o significado
do seu maior mandamento: amar ao próximo como a si mesmo, porque em fazendo
isso nós amamos a Deus sobre todas as coisas. Amamos a Deus sobre todas as
coisas, a partir do respeito e da gratidão que temos por ele.
Nós
entendemos o amor como um sentimento, o mais bonito, porque esse é o modo de
nós vivenciarmos o amor.
Porém, o amor
também é a força criadora de tudo aquilo que é bom e bonito. Mas também é força
transformadora, na medida em que é a única força, capaz de transformar o ódio
em si mesmo. Ou seja, transformá-lo em amor. Porque o ódio é a nuvem negra que
momentaneamente encobre o sol que é o amor.
O amor
acalma, faz compreender e aceitar. O amor revigora, ensina, mostra o caminho, e
caminha ao lado. O amor ajuda a vencer, porque ele próprio é a vitória. Quem se
dispõe a ser melhor, se amar, consegue. Por ora, ser melhor, para nós, espíritos
em evolução, é sermos menos egoístas, é compartilhar, é servir às necessidades
alheias.
Nós temos
compromissos com o nosso cônjuge, nossos filhos, irmãos, pais, patrões e
empregados, alunos e mestres, com o gerente da nossa conta bancária. E é
natural que seja assim. Eles são, na maior das vezes, o nosso próximo. Mas não
são os únicos.
Mas e com
aquele que sabemos sofrer, embora não tenha ele ligação direta com nossas
vidas? Qual o nosso compromisso com ele? O que fazemos para amenizar a sua dor?
Aquele que
ama se coloca à disposição. Nem que seja para oferecer um sorriso. E um
sorriso, às vezes, é tudo o que precisa uma pessoa que sofre. Pois ela encontra
nesse sorriso, o ânimo, o estímulo que momentaneamente lhe falta. E às vezes, a
pessoa que se sente cansada por lutar, não sabe, mas se acha tão perto, tão
poucos passos da sua vitória.
Por isso Jesus,
sabedor de nossas reais necessidades, veio nos ensinar a amar e servir.
Quando
pergunta: Quem são meus pais e quem são meus irmãos? Ele encerra a divisão humana
por castas, famílias, raças, e une a todos, numa única imensa família, chamada
humanidade, a qual todos pertencemos e de alguma forma, somos sim,
responsáveis, uns pelos outros.
Chegamos
novamente ao maior mandamento: ama o teu próximo como a ti mesmo, porque em
fazendo isso estará amando a Deus, a partir do respeito e gratidão que tem por
ele.
Se Jesus veio
buscar o que estava perdido, se fala que ao dar de comer, de vestir, ao
beneficiar, enfim, de alguma forma, um irmão, qualquer um, não importa qual
seja, é a Ele que o fazemos, qual a nossa dúvida, de que para termos
verdadeiramente conforto, segurança e paz, nós precisamos compartilhar, ao
invés de acumular e subtrair.
O
Espiritismo, por sua vez, nos confirma a verdade dessas colocações, na medida
em que nos revela a pré-existência da alma, a pluralidade das existências, a
influência entre aqueles que estão na dimensão física e os que estão na
dimensão espiritual da vida.
Na medida em
que nos explica melhor aquele que é a maior lei depois da Lei do Amor, que é a
lei de causa e efeito, também conhecida como ação e reação, através da qual se
compreende claramente, a justiça divina, onde cada um colherá exatamente aquilo
que plantar.
Então,
sabedores disso tudo, nós ainda estamos mais preocupados, com aquela roupa nova
que não deu pra comprar esse mês, com o resultado do nosso time de futebol, com
a mensagem da operadora telefônica, com o preço da gasolina.
E nós
esquecemos que a teoria ensina e nos esclarece, mas é a prática que nos
fortalece e nos melhora espiritualmente, na medida em que nos faz caminhar
adiante. Mas a prática exige iniciativa, leia-se boa vontade, e esforço.
E só caminha
adiante. Só alivia o peso da mochila que traz nas costas, só está em paz com a
sua consciência, aquele que se preocupa em servir o seu semelhante, aquele que
procura e que se esforça, a amar ao seu próximo, como a si mesmo.
E o faz, ao
menos deveria, por uma questão de inteligência. Porque enquanto houver alguém a
sofrer neste mundo, por qualquer motivo que seja, haverá a possibilidade de que
a violência, por exemplo, bata à nossa porta, de modo a nos cobrar o preço da
nossa indiferença e omissão.
O Espiritismo
também nos ajuda a compreender melhor outro ensinamento de Jesus, aquele que
diz que não nos basta evitar o mal, é preciso praticar o bem. Porque onde o bem
se ausenta o mal se instala.
Apartar de
nós, aqueles que se demonstram incapazes de desfrutar do convívio social na sua
melhor forma, aparentemente resolve o nosso problema, em principio, mas não o
deles. E o problema deles, porque somos todos irmãos, pertencemos todos à mesma
humanidade e vivemos todos no mesmo mundo, continuará existindo, e em algum
momento, de algum modo, acabará resvalando em nós.
Portanto, é
necessário resgatar à dignidade humana, esses irmãos nossos que se deixaram
sucumbir à revolta, tornando-se agentes e instrumentos da violência.
Apenas
imputar-lhes o rigor da lei, não resolve o problema em toda sua dimensão.
Porque a lei humana, ainda não alcança a causa da maldade que se pratica,
apenas atuando sobre seus efeitos.
Jesus nos
incita a abdicarmos do direito de julgar e nos chama ao dever de amar e de
servir. E o faz para o nosso próprio bem, sabe das nossas reais necessidades e
interesses, dentre eles, ter o devido conforto, segurança e paz, resultantes do
nosso esforço e trabalho.
Mas Jesus nos
lembra, em todos os seus ensinamentos, que somos sim todos irmãos, e de alguma
forma responsáveis uns pelos outros.
Jesus nos
demonstra em todos os seus atos e palavras, que é nos ajudando uns aos outros,
o forte cuidando do fraco, o que sabe ensinando o que não sabe, e assim o mundo
será melhor, a partir de uma humanidade melhor, reformada intimamente, que
trabalha e espera, e porque tem fé em seus ensinamentos, ama e serve.

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