Um jeito
diferente de olhar
Um modo
especial de fazer, todo seu
Ao bater da
porta, o corpo estremece
Um arrepio
corre a espinha, sobe até a nuca
Corre o
sangue, quente, para onde tem de correr
Mas é um
sonho do qual desperta
Com o
barulho dos carros, na rua lá embaixo
Vê com
descrença, que o dia nasce lá fora, mais um
Olha em
redor, e vê tudo como está
A bagunça de
sempre
A ausência
que insisti em ficar
A felicidade,
demora, não vem
Levanta-se
da cama então,
É preciso
continuar
Alimentando
o que não pode perecer
Calça os
chinelos, por que?
E olha-se no
espelho com preguiça
Admira o
corpo nu, o seu
Imaculado,
intocado, ao menos por uma noite
Vai para a
janela, acende o cigarro
A espera das
ideias que o conduzirão
No mundo
hostil, por mais algumas horas
Dali a
pouco, a água fria do chuveiro, se houver
O trará de
volta à consciência
Necessária à
sobrevivência
E tudo irá
se repetir
A dor e a
rotina, a mesmice
Das coisas e
dos sentimentos
Que resistem
abandoná-lo
Talvez um
filme, achado ao acaso
Um bate papo
no corredor, com a pessoa, ao lado
Do
qual sabe nada
Apenas que possui
um jeito diferente de olhar
Mas não um
modo especial de fazê-lo
Sentir a
liberdade que acreditou um dia
Pudesse ser
a sua companhia
Vítima, dos
seus próprios erros
E desejos
inconfessáveis
Do medo que
o acompanha
Desde os
primeiros dias, as primeiras tentativas, em vão
O primeiro
sonho que lhe trouxera
Aquele jeito
diferente de olhar
E um modo especial
de fazê-lo
Sentir-se
feliz
Ou qualquer
coisa que se confunda
E se pareça
com isso
Busca insana
que o passar dos dias
Torna mais
difícil, menos provável
Aquele jeito
diferente de olhar
De fazê-lo
sentir-se diferente... diferente, único, o melhor
Talvez o
encontre
Como um
filme, ao acaso.

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