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Imagine se televisão, rádio e internet, houvesse no
tempo do Império Romano, quando centenas, milhares de pessoas eram
crucificadas, quase diariamente, ou à época da Inquisição, quando por pensar
diferente do que determinava a Igreja, as pessoas, amarradas em postes e aos
olhos de curiosos, viravam churrasco. Ou ao tempo da Revolução Francesa, no
qual muitas cabeças rolaram a mando de Robespierre. Ou ainda mais recente na História,
período em que durou a 1ª. Guerra mundial, a última onde além dos homens empunhando
espadas tombavam os cavalos.
Hoje, assiste-se estarrecido as atrocidades
cometidas pelo Estado Islâmico. É fato que a maioria das pessoas repudia esses
acontecimentos que visariam segundo aqueles que o praticam punirem os infiéis a
Allah, leia-se, Deus. Mas então é de se perguntar a qual Deus eles se referem?
Não é certamente ao Deus que se manifesta através de suas obras, generoso,
paciente e amoroso para com todos indistintamente. Duvida? Observe então tudo o
que não é obra humana. E perceba que o homem só é capaz de criar, a partir
daquilo que é obra de Deus, ou qualquer que seja lá o nome que se queira dar a
essa inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.
O mês de dezembro é especial para a população do
Ocidente. Nele comemora-se o nascimento daquele que é considerado por muitos o
exemplo de humano a ser seguido. Sabe-se hoje que o personagem histórico Jesus,
filho de José e Maria, primo de João Batista, descendente do rei Davi, enfim, o
Cristo para os que crêem e procuram seguir seus ensinamentos, muito
dificilmente teria nascido na data em que se comemora seu aniversário. Mas, o
que isso importa diante de sua proposta renovadora do comportamento moral para
a humanidade, baseada no perdão das ofensas, no amor sem impor condições e
restrições e sem esperar por recompensa, no conceito universal de família, onde
todos são irmãos independentemente do local onde nasçam e vivam ou da fé que
professam, da orientação política e da opção sexual que venham a escolher.
A proposta deste personagem que dividiu a história
da humanidade entre antes e depois dele, vai além e atinge cheio o orgulho, o egoísmo
e a ambição humana, quando propõe algo que se parece tão simples e fácil, que
sejamos bons para nós e para com nosso semelhante, evitando prejudicar a nós e
a ele. Fácil? Na teoria, porque na prática, já se passaram 2015 anos e parece
que a maioria das pessoas que se propuseram a seguir essas orientações
fracassou em suas tentativas. Cabem duas perguntas: A primeira: Será verdade
tenha ocorrido esse fracasso? Difícil acreditar quando se observa o progresso
intelectual e moral conquistado pela humanidade, desde o tempo em que pessoas
eram crucificadas, queimadas e decapitadas por qualquer motivo que contrariasse
os interesses daqueles que exerciam o poder político ou religioso.
A partir das idéias iluministas, o ser humano do
Ocidente pode libertar-se das amarras da fé imposta para alçar vôos
inimagináveis nas asas da razão. O tempo e as experiências vividas mostrariam
mais tarde que os sábios eram aqueles que se pautavam pela fé raciocinada, que,
na pior das hipóteses os impede de se deixar levar pelos excessos, pelo
extremismo e pela intolerância, mantendo o tanto quanto possível uma conduta
boa, decente e ética para com o semelhante.
A segunda pergunta: Por que a proposta de reforma
íntima, portanto, moral, do ser humano, apresentada por Jesus, se parece
impraticável?
As respostas possíveis: Por que ainda somos
hesitantes, vacilantes, indiferentes aos valores que realmente nos importa e que
faz diferença para melhor em nossas vidas, e que, por acaso, se acham dentro de
nós, em nossas mentes e em nossos corações, adormecidos ou desacreditados. Ou
seja, a bondade, a generosidade, a humildade, valores absolutamente antagônicos
àqueles que ainda predominam em nós como o orgulho e o egoísmo.
Nessa época do ano, quando a maioria das pessoas se
deixa envolver pelo ambiente festivo e fraterno, e se tornam mais doces, mais
meigas, mais compreensivas, cada qual faça o seu exame de consciência e chegue
à conclusão em quais aspectos morais ainda precisa melhorar. Pois justamente
disso depende a felicidade ao alcance de todos e, conseqüentemente, um mundo
melhor. Está escrito em algum canto: O exterior apenas reflete o interior.
*Publicado na edição No. 140, Dez./2015, do Jornal Aquarius.
*Publicado na edição de 08/12/2015, à pág. 9 do Jornal Diário do Rio Claro.
*Publicado na edição No. 140, Dez./2015, do Jornal Aquarius.
*Publicado na edição de 08/12/2015, à pág. 9 do Jornal Diário do Rio Claro.

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