Sábado,
domingo ou 14
Duas vezes,
7 dias
Já não me
lembro quantas vezes
Abri e
fechei aquela porta, de vidro, partido
Quantas
vezes – Quantas? – consertei aquele cadeado
Aquela
privada, quantas vezes, entupi
Já não me
dou conta das páginas que faltam
E do caminho
a percorrer
Não faz
muita diferença
Esquecer as
anotações – onde as pus?
Debaixo da
cama, em cima do guarda roupa
Pedaços de
papéis de algum valor – duvidoso
... se
espalham
Sapatos,
meias, cuecas, caídas debaixo da cama
Garrafas, vazias
– que pena! – poemas deixados, tocos de cigarros
Apagados?
Não! Acesos, queimando
À Fernando
caberá o ato derradeiro, o gesto fatal
Não quero
ver, desligo a tevê
Caminho pelo
corredor molhado
A lua
escondida, meio que ausente, entre o telhado e...
as nuvens,
urubus – feios, nojentos, ogros
Disformes,
dementes, doentes nuvens
Abro o
portão
Ei-la, e eu
em seus braços: solidão

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