Qualquer cidadão que já
tenha comemorado 40 primaveras, pouco mais, pouco menos, e que acaso, feito
este cronista, torça pelo glorioso Alvi-Verde Imponente, por herança genética,
digamos assim, mais que por livre e espontânea vontade, traz na memória aquele
fatídico jogo contra o XV de Jaú, no Parque Antarctica, em 1985, quando,
dependendo de uma combinação improvável de resultados e uma vitória sua, o time
lutava pela classificação às finais do então paparicado e coisa e tal
campeonato paulista. E o que aconteceu? O de sempre, ou seja, aconteceram todos
os improváveis outros resultados, mas o Verdão, não passou pelo XV e assim,
viu-se eliminado da competição.
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| Reprodução |
Na memória palmeirense,
talvez este seja o mais longínquo episódio da série de desastres que poderia no
último domingo ter acrescentado mais um angustiante capítulo a essa tétrica e
ao que parece interminável história.
Houve outros, como todo bom
palmeirense detesta recordar. Asa de Arapiraca, por exemplo, em 2002.
Pergunte quem foi o primeiro
clube grande de São Paulo a perder um estadual para um clube do interior, algo
impensável até 1986, quando o Palmeiras conseguiu tal proeza frente a
Internacional de Limeira.
Além do time da terra da laranja,
outros clubes interioranos engrossam o rol de algozes do Palmeiras, como o
Santo André e o Paulista de Jundiaí, ambos em 2004.
Goleadas sofridas, não
podiam faltar na história recente de um clube que parece ter perdido a vocação
da vitória. Algumas delas: 6x2 para o Mirassol, em 2013, 6x0 para o Coritiba em
2011, 6x1 para o Figueirense em 2006, 7x2 para o Vitória em 2003. E fiquemos
por aqui.
Rebaixamentos? Até agora
foram 2: Em 2002 e 2012, ambos pelo campeonato brasileiro. Mas em 1981, o
Verdão disputou uma tal Taça de Prata, o correspondente ao que seria hoje a
série B, do Brasileirão. Mas essa não conta. Porque até o Cúrintia...
Acha pouco, leitor? Você já
viu um time ganhando uma final por 3x0, em seu próprio campo e perder de virada
por 4x3. Não? Volte ao ano 2000, e encontrará mais esse capítulo na história do
clube que ostenta a maior coleção de títulos nacionais até hoje. Diante do
Vasco da Gama, de Romário e Eurico Miranda, o “Parmêra” – oh, bruta bestia, mama mia! – deixou escapar a Copa Mercosul, um
título que ao final do primeiro tempo daquele jogo, quando vencia por 3x0,
parecia consumado.
Teve também um 3x0 para o
Bragantino, em 1988. Um humilhante 7x2 para o Vitória, pela Copa do Brasil, em
2003, com direito a furada bisonha e histórica de São Marcos.
Chega né, palmeirense? Mas
tudo pra dizer que erros e vexames se repetem ao longo dos últimos anos e o
Alvi-Verde Imponente parece não aprender a lição. Perde para si mesmo, antes de
perder para qualquer adversário.
Desta feita, entretanto, a
sorte ou os santos jogaram a favor do Palmeiras, que mais uma vez, não foi
capaz de resolver os seus próprios problemas, empatando na última rodada do
Brasileirão com o Atlético/PR, em pleno Allianz Parque. Acontece que seus
adversários diretos conseguiram ser pior. Nas últimas 08 rodadas o Palmeiras
não venceu nenhum jogo e, mesmo assim, não foi ultrapassado por Vitória e
Bahia. A salvação do “Parmêra” veio da distante Salvador, dos pés de Thiago
Ribeiro, atacante do Santos, e que um dia fora pretendido pelo Palmeiras.
Não se pode dizer que o
Palmeiras tenha ganhado adeptos, na mesma proporção que seu maior rival, o
Corinthians o fez, em 22 anos de jejum de títulos. Mas, apesar dos insucessos
colecionados principalmente neste século 21, a torcida do Verdão tem se tornado
ainda mais fiel ao time e aumentado bastante. Programa sócio torcedor Avanti é um dos mais bem sucedidos entre
os grandes clubes brasileiros.
O ano do centenário, do
clube que um dia chamou-se Palestra Itália e que já nasceu campeão (1), merecia
melhor comemoração do que a sofrida permanência na série A do campeonato
brasileiro, competição da qual o Palmeiras é o maior ganhador de títulos, 8, ao
lado do Santos. Mas com um time como o atual, nem Papai Noel vestido de verde
daria jeito.
Fica a esperança de dias
melhores, a partir de 2015, com novo estádio, um dos melhores e mais bonitos do
país, que, de certa forma, aumentou consideravelmente o orgulho do palmeirense,
ávido por um time à altura de sua história vitoriosa ao longo de 100 anos. Que
os dirigentes alviverdes não atrapalhem, porque mais que qualquer outro rival,
eles tem sido os maiores adversários do Palmeiras nos últimos anos.
(1):
No dia 20 de dezembro de 1942, o Palmeiras venceu o São Paulo por 3 a 1 e
sagrou-se campeão paulista. Foi o primeiro jogo disputado com a denominação de
Sociedade Esportiva Palmeiras, até então, Palestra Itália.
* ARTIGO PUBLICADO NA EDIÇÃO DE 09/12/2014 DO JORNAL DIÁRIO DO RIO CLARO, À PÁG. 12.
* ARTIGO PUBLICADO NA EDIÇÃO DE 09/12/2014 DO JORNAL DIÁRIO DO RIO CLARO, À PÁG. 12.

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