Prepare-se
para subir montanhas, neste 2015 que se inicia. Afinal, segundo os chineses, estaremos
no ano da cabra. Ou continuaremos a seguir o calendário gregoriano, que, em
1582, substituiu o calendário juliano. Confuso? Não se aborreça, estamos apenas
começando uma nova viagem que durará 365 dias. Algo que até os revolucionários
franceses, no ardor exorbitante das mudanças que almejavam, ousaram reinventar,
reduzindo as normalmente quatro semanas de um mês para apenas três, sendo que
cada uma destas passaram ter dez dias. Não durou muito. Assim como os ideais da
revolução.
Invencionices
à parte, enquanto sociedade humana, ainda estamos bem longe de atingirmos o
progresso moral que nos permita vivermos em paz e de modo universalista sem
fronteiras geográficas, raciais, econômicas, políticas ou religiosas.
Sozinho,
nenhum homem é capaz de mudar o mundo. Mas cada um pode mudar a si mesmo, para
melhor, e assim, tornar o mundo ainda mais bonito. Porque, vejam, com o ser humano
ou sem ele, o mundo chamado Terra, tem vida própria, progride sempre, e é
maravilhoso. Ainda que encerre tanto sofrimento.
Esse
desejável progresso moral, entretanto, é uma promessa individual ou coletiva
que se renova a cada passagem de ano. É uma transformação que já ocorre, talvez
numa velocidade jamais observada na história da civilização humana, porque ao
contrário do que muitos imaginam, neste mundo maravilhoso, o bem prevalece
sobre o mal. Há mais pessoas boas que más, porém, os bons não fazem alarde,
diferentemente dos maus. Esse silêncio dos bons causa uma ideia falsa de que o
mundo está cada vez pior, o que não é verdade.
A
violência urbana decorre, em boa parte, do desinteresse de uma minoria, em
relação aos valores preciosos da vida humana, como a fé, o trabalho, a família,
e o sentimento de amor, comum a todos nós, que vai muito além daquele bem
querer que duas pessoas sentem entre si e que graças a literatura, o cinema e a
televisão se restringiu à ínfima dimensão de superficialidade, causa principal
de prazeres efêmeros, sob os quais, geralmente, não se tem controle.
Mas a insatisfação, que sob uma perspectiva
otimista deveria estimular o homem ao progresso, gera em alguns deles inconformismo
e revolta, uma das principais origens de toda forma de violência. Nasce-se
feio, pobre, ignorante, e a reação natural é a de culpar os outros, culpar o
mundo e a Deus, por tal injustiça, quando o indivíduo que se encontra nessa
situação, deveria educar-se, trabalhar e orientar-se espiritualmente para
progredir tanto material como espiritualmente, porque nos dias atuais, estas
oportunidades estão ao alcance de todos. Os governos e segmentos da sociedade
civil oferecem instrução gratuita. Também em cada bairro de cada cidade, há a
porta aberta de um templo de oração, onde é possível se esclarecer e se
consolar, de modo a ter força espiritual para enfrentar os desafios da vida que
outro propósito não tem senão o de proporcionar o progresso moral e intelectual
do indivíduo.
Mas
não. Prefere-se culpar a Deus, aos governos, aos pais, ao vizinho, àqueles que
sequer são conhecidos e cujos caminhos acabam se cruzando, por motivo de dores,
e infortúnios, comum a todos em algum momento da vida. Por mais que se tenha
conquistado seja em bens materiais, ou seja, em valores espirituais, a ninguém
neste mundo é dado o privilégio de desconhecer a dor, não como forma de
punição, mas como forma de educação espiritual.
Baixemos
as armas de nossa ignorância, de nosso orgulho e de nosso egoísmo, suportemos
nossas dores com resignação, pois elas são os remédios amargos de que
precisamos. Avaliemos nossas vidas, o que tem sido até aqui. E procuremos dar a
ela um novo rumo, um novo propósito que melhor atenda aos nossos interesses e
aspirações. Não olhemos para trás, vivamos um dia de cada vez, sigamos adiante,
sempre. Se observarmos bem, a vida nos oferece neste exato momento, as
possibilidades de que necessitamos para torná-la melhor. Se não são aquelas que
desejamos, são, entretanto, as que nos são possíveis, e estão na exata medida
do nosso merecimento e de nossas possibilidades e reais necessidades. Comecemos
agora, sem pensarmos em início ou término de eras ou calendários, que servem
apenas para nos orientarmos cronologicamente, mas que nenhuma influência moral
exerce sobre nossas vidas. Porque nossas vidas se renovam a cada dia, em
verdade, a cada instante. Melhores dias a todos é o que desejamos. Hora de
começar 2015!
*Publicado na edição de 31/12/2014, à pág. 7, no Jornal Diário do Rio Claro.
*Publicado na edição de 31/12/2014, à pág. 7, no Jornal Diário do Rio Claro.

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