A corte de Luís XVI (1754-1793), rei de
França terminou seus dias na guilhotina, e o estopim para esse destino
humilhante foi a revolta do povo diante da exorbitância de privilégios e a
insensibilidade do reino, em face da miséria que assolava a classe trabalhadora
francesa. Enquanto o rei e seus asseclas se empanturravam de comilanças sem fim,
o francês comum tinha que espantar a fome à base de migalhas de pão, disputado às
tapas, nas ruas e que acabou faltando, levando a rainha Maria Antonieta
proferir a célebre frase: “O povo não tem pão, que coma brioches”.
A indignação e o desejo de mudança, de
justiça, de igualdade, liberdade e fraternidade que sobrava no povo francês
daquele tempo, parecem faltar ao brasileiro nos dias de hoje.
Nesta semana, o Congresso aprovou o aumento
para 33,7 mil reais nos vencimentos dos deputados e senadores, além das
mordomias indecentes que lhes permite desfrutar de tudo e não pagar por nada.
Fato semelhante já havia produzido o Supremo Tribunal Federal, beneficiando ministros
e demais membros do Judiciário.
Por força de Constituição, aquela que, em
1988, nasceu parlamentarista, mas é observada, desde então, por sucessivos
regimes presidencialistas, assegura o mesmo direito ao cargo máximo do
Executivo, leia-se, a presidente dona Dilma, e seus ministros.
Talvez não saiba o Congresso e os demais
citados, talvez nem mesmo desconfiem, mas, o salário mínimo passará a valer em breve R$790,00. Também na
Constituição de 1988, algum insano parlamentar constituinte resolveu escrever
que o salário mínimo deveria atender os custos de vida elementares do cidadão
trabalhador assalariado, ou seja, alimentação, moradia, vestuário, transporte,
educação, saúde e até lazer. Não atende, como se sabe. Nunca atendeu. E a
continuar as coisas como se acham desde sempre, jamais atenderá.
E que solução encontrou aqueles que, em tese
deveria representar os interesses do povo: remendar os rombos por eles criados.
Então, cria-se bolsa família, projetos de moradia popular, crediários a perder
de vistas com juros exorbitantes, vale-transporte, Prouni, SUS e tevês de led e
celulares andróides para todos. E com um pouco de sorte e alguma coragem para
se enfiar em dívidas durante vários anos, permite-se ao trabalhador adquirir um
carango seminovo para passear com a família.
Seria mais decente, mais digno e justo, se o
empresariado fosse desobrigado a sustentar, através de uma carga insuportável
de impostos, taxas e contribuições, a exorbitância e a insensibilidade da corte
rocambolesca de Brasília e pudesse assim pagar um salário melhor aos seus
colaboradores.
Desse modo, aqueles que realmente trabalham e
produzem algo de bom neste país que beneficia toda a sua valorosa população,
estariam todos satisfeitos e felizes.
Mas aí, o povo, não dependeria das promessas
jamais cumpridas da classe política, porque, com salário digno e justo, poderia
pagar com próprios recursos sem depender de favores, de esmolas vindas de
governos populistas, as suas contas, e custear, portanto, a sua alimentação,
moradia, vestuário, transporte, educação, saúde, cultura e lazer.
Fosse realidade esse utópico cenário, aí sim,
se observaria crescimento econômico, evolução moral e intelectual, desta nação
que de tão pacífica, ordeira e boa, chega a despertar pena e, por vezes, raiva,
em corações inquietos, mentes abertas que buscam as causas dos acontecimentos e
modifica-las, não se prendendo apenas em lamentar por seus efeitos.
Disto tudo, conclui-se que um povo educado,
culto, bem formado profissionalmente e, saudável, caminha com as próprias
pernas, não precisa de líderes, se autosustenta e se autogoverna, formando uma
sociedade fraterna, onde o mais forte ajuda o mais fraco, o mais inteligente
ensina o menos inteligente, onde os semelhantes somam esforços para o progresso
de todos, e os diferentes se respeitam.
Enfim uma sociedade em que se vive em um
espírito mútuo de solidariedade, dignidade e decência, tudo o que falta à
classe política deste país que, desde seus primórdios, ao invés de representar
e cuidar dos interesses do povo, do qual tem sua origem, o explora, o ignora e
o oprime, sugando-o até a última gota, convencendo-o de incapacidade para
conduzir o seu próprio destino, o que se sabe, não corresponde à realidade.