Um
dos aspectos mais reconfortantes do Espiritismo é que ele nos permite
compreender o que de fatos somos, o que fazemos aqui, porque aqui estamos e de
onde viemos e para onde vamos.
Mas
sobre isto falaremos mais adiante. Por ora, eu gostaria de convidá-los amigos
leitores a seguinte reflexão, com a devida licença poética.
Quando
nós estamos do lado de lá, no plano espiritual, somos todos um pouco
romancistas, deixe-me fazer entender, porque, no tempo devido nós como que
elaboramos uma bonita história, a mais bonita possível que desejamos com fidelidade
e a maior de nossa boa vontade e o melhor de nossos esforços, interpretar na
nossa próxima reencarnação que se aproxima.
Então,
nós visualizamos as melhores situações possíveis que nos permitam o nosso
crescimento espiritual, nossa evolução moral, de acordo com as necessidades, porque
enquanto nós estamos na erraticidade, que é aquele período entre uma encarnação
e outra, nós respondemos exclusivamente ao tribunal da nossa consciência, que
geralmente nos acusa.
E
tal situação nos angustia nos faz remoermos de arrependimento e encararmos
aquilo que imaginávamos ter escondido para sempre no tapete do esquecimento.
Enfim,
quando escrevemos uma página de nossas vidas e ao lermos a dita cuja e não nos
darmos por satisfeito, só nos resta mesmo é reescrevê-la. E por uma única
razão.
Porque
necessitamos crescer espiritualmente, evoluir moralmente é o nosso maior
objetivo, porque daquele ponto onde nos encontramos no plano espiritual, nós
como que podemos ver e entender a vida do alto de uma montanha, digamos assim,
abarcando tudo, passado, presente e futuro, causas e efeitos de nossa situação
espiritual.
Mas
aí, graças a Deus, (e às vezes nos custa muito entender e aceitar isso) surge
oportunidade de uma nova experiência humana, uma nova tentativa de progresso
espiritual.
Roteiro
estabelecido, malinha pronta, eis que caímos no esquecimento e nos vemos de
novo no cenário da vida humana, que, para nós, passa a ser a realidade. A
realidade possível nessa dimensão da vida. E não demora que a gente perceba
como tudo é tão difícil e diferente daquilo que havíamos planejado. E então o
que nos resta de toda aquela consciência bonita que tínhamos no plano
espiritual é a vontade de ser feliz.
Mais
que uma vontade uma necessidade, porque desejar ser feliz é uma benção divina
comum a todos nós.
Mas
à medida que vivemos na condição humana surgem os obstáculos, e estes passam a
ser não mais desafios, estímulos ao nosso crescimento espiritual, mas,
injustiça, pura maldade da vida para conosco, porque, afinal, coitadinhos de
nós, não é mesmo? Somos tão bonzinhos, que fizemos para merecer tanta
contrariedade, tanto sofrimento?
Porém,
há uma passagem do Evangelho, que geralmente esquecemos, e quando nos deparamos
com ela, agimos como a criança que faz cara feia diante do remédio amargo que
poderá curá-la. É aquela passagem em que Nosso Senhor Jesus Cristo em outras
palavras diz: Se quer seguir-me, negue-se, tome a sua cruz e me siga. (Mateus
16:23).
Notem
bem: ele não disse: olha, fica aí sentadinho lendo as escrituras sagradas. Não
disse: ajoelhe-se e reze, reze muito e acenda a todas as velas possíveis. Não.
Ele disse: tome a sua cruz e me siga.
Tragamos
a situação para os nossos dias: imagine uma pessoa que sai para executar
uma tarefa. Antes, porém, ela procura saber exatamente do que se trata, procura
obter o maior número possível de informações a respeito do que pretende
realizar. Prepara-se fisicamente, psicologicamente, estuda, reúne os materiais
necessários ao desempenho da sua missão, faz provisões... Eu pergunto: qual a
chance dessa pessoa ser bem sucedida? E a resposta é: bastante grande. Agora
pense em uma equipe de futebol formada por 11 craques de bola, mas que não
treina, não conversa, não se prepara, não estuda o adversário. Qual a chance
dela ganhar um campeonato, por melhor que seja?... Nenhuma. Porque, uma equipe
assim, pode ganhar alguns jogos, jamais um campeonato.
Onde
quero chegar, você deve estar se perguntando. Aí nos vamos à questão 919 de O
Livro dos Espíritos: Qual o meio mais eficaz para melhorarmos nesta vida e
resistirmos às solicitações do Mal. E a resposta: Um sábio da Antiguidade vos
disse: conhece-te a ti mesmo.
Meus
irmãos... conhecer-te a ti mesmo, esse é o primeiro passo, conhecermo-nos a nós
mesmos. Porque se não sei o que sou, que faço aqui, de onde venho e para onde
vou, não será apenas com boa vontade, por maior que ela seja que terei
equilíbrio, força e sabedoria o bastante para crescer espiritualmente, evoluir
moralmente. Porque, não se enganem a felicidade, a paz, a justiça, não são
dádivas do Criador, são conquistas advindas do nosso merecimento só possível
mediante nosso esforço e nossa busca não por juntar valores materiais que a
traça corrói e o ladrão rouba, mas aqueles que podemos levar conosco onde quer
que estejamos, porque de fato nos pertence, pois estão em nossa mente e em
nosso coração: ou seja, o conhecimento adquirido, a moral desenvolvida.
Então,
antes de saber o que é Deus, precisamos saber o que somos nós. Em O Livro dos
Espíritos, questão 76: que definição se pode dar dos Espíritos? Resposta: são
os seres inteligentes da Criação. Povoam o Universo fora do mundo material.
É
errado dizermos então que Espíritos são a humanidade do lado de lá? Não, não é.
Então somos Espíritos? Sim. E constituímos por assim dizer a humanidade do lado
de cá, enquanto vivemos a experiência da vida humana.
Ou
seja, não importa nossa situação momentânea ou onde estejamos nós sempre
seremos Espíritos. Mas, humanos, nem sempre. Embora, nós estaremos nesta
condição, a qual estamos hoje, e ainda estaremos sabe-se lá quantas vezes
ainda.
E
qual a finalidade de se reencarnar?
Ora,
crescer espiritualmente, evoluir moralmente, como já foi dito.
Alguma
outra? Sim!
Deus,
porque é Bom, e é nosso Pai, nosso Criador, quer que nos ajudemos uns aos
outros, de modo que caberá sempre ao mais forte cuidar do mais fraco, conforme
Jesus ensinou. E isso por um único motivo: Nós
todos somos Irmãos.
Irmãos?
Ora, bolas, como eu posso considerar meu irmão um sujeito que professa do outro
lado do mundo, por exemplo, a fé islâmica que ensina o olho por olho dente por dente, tão diferente da minha que ensina a fazer o bem sem olhar a quem e a perdoar sempre?
Se
Irmãos, de onde vêm as nossas diferenças?
Ora,
vem das nossas escolhas, porque não se esqueçam, nós somos livres e nos
aproximamos ou nos distanciamos das pessoas conforme as nossas afinidades.
Bem:
então sabemos que somos um Espírito, ou seja, um ser inteligente, criado por Deus,
que é a Inteligência Suprema Causa Primaria de todas as coisas. Viemos do plano
espiritual, que é nossa pátria mãe, para a Terra, que é um mundo escola, para
aprender a evoluir espiritualmente, nos corrigirmos moralmente, nos
reconciliarmos com nosso desafeto, adquirir conhecimento, aprender, através de
tentativa e erro, que nossas ações resultem em benefício para nós e para nosso
semelhante, e, assim, para a sociedade humana a qual pertencemos momentaneamente.
E
como é que se consegue isso? Apenas orando, apenas lendo as Escrituras? Não!
Mas tomando cada um a sua cruz, que aqui não quer dizer necessariamente causa
de sofrimento e dor, mas de iniciativa, trabalho, e fé com obras, porque nos
lembra o apóstolo Paulo de Tarso que a fé sem obras é morta.
Ou
seja: Nós, espíritas, com ânimo e esperança na Boa Nova de Nosso Senhor Jesus
Cristo, temos que ter a exata consciência de que somos Espíritos e que estamos
na Terra, para uma oportunidade de crescimento espiritual. Estamos aqui com
data e hora de chegada e de partida, ainda que não saibamos a derradeira. E que
terminada essa experiência humana, essa oportunidade de nos melhorarmos, mais
uma, voltaremos a nossa Pátria Espiritual, nossa origem. E ninguém que tenha
semeado o Bem colherá o Mal.
Nós,
Espíritos, filhos de Deus, o Criador, o soberanamente justo e bom, onisciente
(ou seja, tudo vê), onipresente (está por toda parte), perfeito e imutável,
eterno, causa primária de todas as coisas, inclusive de nós, Espíritos.
Nós,
Espíritos: eternos, indestrutíveis, centelhas de Luz, que pensamos, porque
somos seres inteligentes, que desejamos, porque temos o Poder sobre nossas
vidas, e que agimos, porque somos livres e capazes de construirmos nossa paz e
nossa felicidade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário