"O brasileiro não se
atém à substância da notícia. Portanto, não a compreende em sua totalidade". A
frase pertence ao Prof. Olavo de Carvalho, filósofo (talvez o único brasileiro
que mereça a distinção na atualidade), jornalista e escritor. Carvalho mora nos
Estados Unidos onde ministra cursos de filosofia e mantém o site Mídia Sem
Máscara, uma espécie de oásis de inteligência em meio o deserto da ignorância
nacional. Uma vez por mês, ele apresenta via web rádio (áudio) e via Youtube
(áudio e vídeo) o sempre acalorado True Out Speak. Acompanhar o professor seja
através da leitura de seus artigos disponíveis no seu site pessoal www.olavodecarvalho.org ou nos meios
de comunicação aqui citados é escapar da mesmice e da uniformidade (como ele
próprio define) do noticiário nacional e da cena cultural do país.
Acredite leitor, que
você pode até não concordar com as ideias do titio Olavo, mas que elas te
levarão a refletir sobre uma série de coisas, não tenha a menor dúvida.
Eu poderia iniciar este
artigo com uma introdução diferente, mas escolhi esta, primeiro porque a
garrafa de café da redação está quase vazia, e os cigarros amassados dentro da
gaveta, quase acabando, e sinceramente, não pretendo ficar com a bunda colada
nessa cadeira desconfortável até as 10 da noite. Não pelo menos hoje.
Muito bem, caros
leitores (e leitoras, é claro, antes que alguma desavisada me processe por
isso, ou me torne a causa de uma passeata de protestos em favor da igualdade de
menções ao gênero masculino e feminino por parte dos redatores).
Como eu ia dizendo,
naquele nosso jeito informal de conversar eu e você, cara leitora, digo,
leitor, na edição de Junho/2012, do Jornal Aquarius, e do qual somos um dos
colaboradores, ocorreu um equívoco. Nada que macule a credibilidade do
mensário, tão pouco de seu editor, nada disso, mas o equívoco justamente na
capa do jornal, que, entre suas qualidades, tem por rotina não sujar
literalmente a mão de quem o lê, poderia justificar a demissão, a guilhotina do
infeliz que o cometeu, porque, imagine você, leitor atento que é, onde já se
viu, não é mesmo, estampar no mosaico a foto do lago de Araras, tão conhecido e
admirado, e não o de Rio Claro, cidade que por estar completando mais um
aniversário foi a homenageada da referida edição.
Confesso, não fosse o
Maurício Beraldo, imbuído de sua irretocável dignidade me alertar, e nem eu
teria percebido o fato, como ouso imaginar que 9 em cada 10 dos muitos leitores
do Aquarius perceberam.
O que isso revela? Que
somos desligados, indiferentes? Talvez. Mas eu prefiro acreditar que a causa
principal seja mesmo a nossa inaptidão natural para a leitura, e, pior, ainda,
nossa falta de hábito e de jeito para o contato com uma publicação impressa, seja
ela livro, jornal ou revista.
Se isso nos falta, que
diremos de nossos filhos e netos, que inseridos em um mundo de moderna
tecnologia aprenderam a ler por meio do celular, melhor dizendo, das mensagens
neles escritas e que são as que realmente lhes interessam. Não é mesmo,
Viviane? Sim, Viviane é minha filha. Beijinho, filha.
Que tipo de sociedade nós
vamos herdar ao mundo, não sei. Uma geração de alienados? Quem sabe. Ou eles é
que construirão a seu turno, um mundo, que hoje, sequer poderíamos vislumbrar
baseados nas informações e conhecimentos que possuímos.
Sabemos que a
informação é poder. Mas o modo como atualmente ela chega até nós, desmente essa
máxima. Porque se trata de uma informação orquestrada, uniforme, que visa
manipular a opinião pública, e fazer com que esta aceite, escolha, e acredite
naquilo que interessa aos maiores beneficiados de um sistema econômico selvagem
que apenas visa o lucro.
Desconfie, portanto,
leitor, das afirmações que parecem não deixar dúvidas no que diz respeito à
política e a economia. Ou das mensagens publicitárias que parecem sugerir mais
de uma ou todas as alternativas, como a de determinada marca de cigarros,
exposta estrategicamente nos caixas dos supermercados e que tem um grande
“Talvez” em negrito, riscado por um “X” ainda maior. Talvez o quê? Entende?
Quando você assistir a
uma tele-novela, um filme, uma peça de teatro, ouvir uma música, saiba que tais
manifestações artísticas, trazem em seu bojo, um teste daquilo que na política,
será no futuro, colocado em prática. Como já dizia o poeta austríaco Hugo von
Hofmannsthal (1874-1929): “Nada se torna
realidade na política de um país, se antes não está presente como espírito na
sua literatura”. Ele se referia ao livro “O Admirável Mundo Novo” de Aldous
Huxley. Já leram? Façam-no. E talvez encontrem algo que hoje seja comum aos
nossos olhos.
Exagero de nossa parte,
você pode estar pensando. Lembre-se que o alto custo dessas produções
artísticas que atingem as grandes massas, demandam financiamento. E aí
encontramos a solução para tanto nas verbas publicitárias das empresas e dos
governos, cada qual, com seus interesses.
Não há santo e muito
menos coisa alguma de graça nesse meio, como não há independência jornalística,
a partir do momento que uma publicação do gênero aceite que alguém ou alguma
coisa veicule a sua mensagem publicitária.
Imprensa, artistas
devem satisfações aos seus leitores e admiradores, sim. Mas aos seus
anunciantes e patrocinadores, muito mais, porque sem esses últimos, os
primeiros simplesmente não existem.
Aí, você pode dizer,
mas e se o sujeito, no caso do artista, for podre de rico? Sim, ele até
consegue botar o pescoço pra fora a fim de que todos o vejam e quem sabe até o
admirem. Mas se ele com suas atitudes e sua arte, contrariar os interesses do
sistema, do qual a imprensa faz parte, será devidamente engolido e levado ao
obscurantismo por parte desse sistema que não admite erros, e muito menos
prejuízos.
Deus tem suas leis,
caro leitor, e os homens que mandam, porque possuem o poder econômico, de onde
advém e através do qual se sustém todos os demais poderes, inclusive o político
tem as suas. E, portanto, seus escolhidos. E disto, já sabiam os hebreus. E
nada garante que eles eram dados à leitura. Moisés que o diga.

Caro amigo Costa, a temática do texto é das minhas prediletas: o analfabetismo funcional, a era da (ultra)informação descontextualizada, a maquiagem, a montagem, a embalagem, a oferta da indústria do entretenimento barato, a malfada sociedade do espetáculo, a esterilidade das novas gerações. O ser humano muitas vezes é o rei da monotonia infantilizado numa 'balada' de merda, não?
ResponderExcluirE sim, há tempos acompanho alguns momentos do Olavo de Carvalho.
E no punch literário, aprecio as distopias.
É, meu amigo, concordâncias, congruências na crescente capacidade de indignação contínua. Satisfação em lê-lo, novamente.
Grande abraço
malfadada*
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