Nós brasileiros, nos
acostumamos a ver manifestações populares no quintal dos outros. Agora nos
deparamos com os mesmos acontecimentos no nosso quintal.
Há de se admitir o
devastador efeito viral do poder de comunicação das redes sociais. Eventos que
em sua origem reuniam algumas centenas de pessoas, uma semana depois, reúnem
milhares delas.
É lógico que muitas
pessoas aderiram à causa das manifestações depois de, estarrecidas, tomarem
conhecimento através da mídia e das redes sociais, da reação das polícias para
com os manifestantes.
Soma-se a isso, a
conduta sempre inadequada dos políticos brasileiros, em teoria, os legítimos
representantes do povo, mas que descaradamente insultam a boa fé e traem sem
nenhum sentimento de culpa ou remorso a confiança desse povo, com gestos e
atitudes exorbitantes, que beiram ao ridículo e que visam tão somente os
benefícios e privilégios dos próprios políticos, através da prática nefasta da
corrupção que corrói a riqueza do país, criada não por eles, os políticos que
estão no poder, mas pelo povo, que, desta riqueza, só obtém esmolas que mais
insultam a inteligência do que resgatam a dignidade, a exemplo do Bolsa
Família.
A imprensa, não sem
motivo, possui certa desconfiança para com a polícia militar e é compreensível
sob esse aspecto que carregue na tinta e nas lentes os seus relatos sobre as
manifestações que se verificam, o que, de certo modo, tende a induzir a opinião
pública que, em sua maioria, ainda se vê muito mais representada pela imprensa
que na classe política.
Mas, não se iludam. As
tais reivindicações que justificariam a onda de protestos que se verifica em
várias cidades do Brasil, como o aumento de tarifas de ônibus em São Paulo de
R$3,00 para R$3,20, seria segundo alguns, apenas pano de fundo para o real
motivo do que se pretenderia, ou seja, estabelecer o caos na sociedade
brasileira, cenário que serviria como pretexto para instaurar a ditadura
esquerdista no país.
Mais uma vez o povo estaria
sendo usado como massa de manobra para engrossar um movimento e criar
dificuldades para o controle legal da situação por parte das autoridades.
Se tais manifestações
perdurarem mais uma semana com a mesma intensidade, pode-se a partir daí se
atingir uma situação de instabilidade civil de consequências imprevisíveis.
Importante observar que
o cenário que se vivencia atualmente no país favorece a implantação de um
regime totalitário: não há oposição política ao governo federal; parte significativa
da imprensa, justamente aquela que ainda forma opinião, está comprometida e,
quando não, está sob controle, porque depende das verbas governamentais e dos
investimentos publicitários das empresas que tem boas relações com os governos,
seja em nível federal, como estadual e municipal. Pois se dependesse apenas da
venda de suas publicações ao público leitor, no caso dos jornais e de seus
anunciantes, no caso das tevês e rádios, estariam à beira da falência ou
simplesmente já teriam deixado de existir.
Além disso, contribuem
substancialmente para a deflagração dessas manifestações de rua, o oportunismo
dos partidos políticos radicais, que nesses movimentos encontram a oportunidade
para se fazerem vistos, ouvidos e obterem algum espaço político dentro do
esquema de poder que atualmente comanda o Brasil.
As razões, entretanto,
vão mais além. Elas passam pela insolvência, criminosamente planejada, do
sagrado instituto da família. Passa pela impunidade e a corrupção, a excessiva
carga de impostos paga pelo contribuinte sem nenhum retorno, a péssima educação
pública, não por culpa dos professores, e que ao invés de formar cidadãos,
tende a transformar crianças, adolescentes e jovens em potenciais transgressores
das leis. Passa pela apologia ao crime, e à prática da promiscuidade, bem como
à alienação e a estupidificação por meio das programações e informações difundidas
pelos veículos de comunicação de massa. O estímulo ao consumo das drogas e das
bebidas, cuja indústria financiaria o futebol profissional. A omissão
proposital dos governos, uns por conivência, outros por falta de iniciativa e
perspectiva, e, sobretudo comprometimento e coragem. Passa ainda pela dificuldade
das autoridades em fazer com que as leis sejam cumpridas, pelo fato de que as
leis que serviriam para garantir a ordem acham-se obsoletas, quando não
favorecem justamente aqueles que não as respeitam. E finalmente o segmento
cultural e artístico, onde, de um lado, se destacam ídolos de pano, roto e
rasgado, das artes cênicas e da música, produzidos em toque de caixa por especialistas,
e que nada tem a dizer ou expressar senão superficialidades e besteiras, e de
outro lado, aqueles artistas absolutamente dependentes das esmolas das
famigeradas políticas culturais, cujo intento, não é como se propaga reconhecer
e valorizar o artista menos conhecido, portanto de menor apelo e penetração
popular, mas mantê-lo subserviente e sob domínio, de modo que não se torne uma
ameaça ao sistema, ao contrário, contribua para a sua manutenção. As
referências nesse segmento, como se vê são as piores possíveis.
O cidadão comum, por
sua vez, este ser amorfo, contraditório, alienado e omisso, quanto às coisas
que imagina ingenuamente não lhe dizer respeito, e que atende a cada quatro
anos pelo nome de eleitor, pode ser bonzinho demais, mas burrinho demais,
talvez não seja. Porque tolerou a péssima saúde pública, o ineficiente transporte
público, os baixíssimos salários pagos aos que realmente trabalham no país, até
o momento em que apareceu a dinheirama, que se dizia não existir, para
financiar obras faraônicas e absolutamente dispensáveis, como os estádios de futebol
para a Copa do Mundo, cujo legado é duvidoso.
Tolerou a corrupção,
até que se descobriu que os seus maiores praticantes eram justamente aqueles
que sempre a condenaram e que há 11 anos governam o país. E indignado descobriu
que os maiores beneficiados pela impunidade eram também aqueles próprios
corruptos, que, apesar de condenados, ainda gozam dos benefícios das leis que
ironicamente asseguram os direitos de quem não as cumpre, em uma afronta intolerável
que desvaloriza a conduta correta daqueles que as respeitam e as cumprem.
Entenda-se que o
objetivo principal por trás de tais manifestações de rua verificadas no Brasil
nos últimos dias não é derrubar o governo federal da presidenta Dilma, como
ingenuamente chegam a acreditar alguns. O objetivo visa manutenção do mesmo
esquema de poder, onde a presidente, como se sabe, é apenas a ponta do iceberg,
e a sua ampliação para um poder totalitário a perder de vista, não feito aquele
que governou o país durante quase 24 anos, pior.
Se tal situação vier a
ocorrer, dependerá, evidentemente, do respaldo das Forças Armadas, para que
sustente. Se estas tiverem uma atitude venezuelana, por assim dizer, adeus
liberdade, e salvem-se quem puder. Mas se acaso se dividirem em suas opiniões e
decisões, a ponto de uma parte delas ficar a favor do eventual regime
totalitário e outra não, aí estaremos com um pé no cenário mais inimaginável em
se tratando de Brasil: a guerra civil, que em face das dimensões continentais
do país, não será apenas uma contenda de primavera, como aquelas verificadas
nos países árabes. Será, talvez, um verão com altíssimas temperaturas. E como
disse o Geraldo, que não é este que vos escreve caro leitor, talvez falte
guilhotina, mesmo.
A pouco mais de um ano
das eleições presidenciais e diante da possibilidade de perder o poder em nível
nacional, não seria absurdo imaginar que o grupo político que hoje governa o
país, teria interesse em enfraquecer o oposicionista governo de São Paulo, o
que facilitaria, em tese, a tomada do poder em nível estadual daqui a um ano, a
exemplo do que ocorreu este ano, na capital.
Além do mais,
enfraquecida as pretensões da cúpula do PSDB paulista em mais uma vez lançar
candidato à presidência da república, estaria aberto o caminho para a
candidatura mineira de Aécio Neves, que, em tese, não se constituiria, na
prática, oposição ao governo federal que aí está. Muito pelo contrário. É
aguardar para ver. E rezar.

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