Vivemos um tempo em que
se dá um valor desmedido às coisas fúteis, efêmeras, capazes de provocar fortes emoções e nos
colocar em contato direto com o maravilhoso e o fantástico, e nos proporcionar
experiências, que, todavia, uma vez terminadas causam uma devastação no sempre
inconsolável coração humano, na sua busca incessante por prazer e felicidade,
impondo-lhe desse modo à condição de escravo de necessidades que, em verdade,
não possui.
Em nome da liberdade, da
igualdade e da fraternidade, mas uma liberdade sem compromisso, uma igualdade
sem respeito, uma fraternidade que não passa de egoísmo, verifica-se tremendo
esforço por parte da indústria do entretenimento, através da mídia, a qual
sustenta, em demolir os conceitos religiosos, a fé em Deus, a boa nova do
Cristo Jesus.
No comando dessa operação
maquiavélica, estão os verdadeiros donos do poder e do dinheiro, que, nas
últimas décadas, conseguiram por meio de hábeis recursos de engenharia social,
estabelecer uma nova (nem tão nova assim) ideologia política, a partir do
combalido comunismo que, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 parecia
jaz nos escombros do Muro de Berlim. A nova face do comunismo é a social
democracia, mais agradável aos sentidos humanos, por assim dizer.
Coube a Igreja Católica
Romana durante centenas de anos, muitas vezes às duras penas e sob terríveis
perseguições, preservar na maioria das pessoas do lado de cá do mundo, a fé
viva em Deus, os ensinamentos da moral cristã, e também as riquezas da Cultura
Ocidental. Se esta Igreja já cumpriu o seu papel, ou se pode adquirir um novo
dinamismo, uma nova função desde que se livre do mofo da prepotência, não nos
cabe especular.
Não ignoramos, todavia, a
necessidade que se faz nos dias atuais de resguardar com coragem e divulgar sem
inibição os valores absolutos da sociedade humana que são os valores morais
cristãos, ou seja, o amor, o perdão, a fraternidade, o respeito ao semelhante
sem interferir na sua liberdade de escolha e sem permitir que a liberdade
alheia, por sua vez, interfira na de outro.
Desse modo, é imprescindível nos ajudarmos uns aos outros nas horas de dor, cabendo e podendo cada um dar
o que possui e isto pode ser um auxílio material que atenda a uma necessidade
meramente humana e premente, porque dor, fome, frio, não sabem o que é esperar.
Ou ainda, uma palavra, um gesto amigo que revigora, esclarece, consola a alma
aflita com a qual nos deparamos.
Mas o mundo que
construímos até aqui para nós é baseado no sistema econômico que determina
produzir, consumir, para satisfazer, uns, e obter lucros, outros. E mais
que, em qualquer outra época, a Cultura está a serviço desse sistema. Nenhuma
outra indústria como a do entretenimento recebeu nos últimos anos tantos
investimentos de recursos financeiros. Porque é através da Cultura que
atualmente se escoa, se faz chegar às pessoas, os produtos, as tendências, o
comportamento que tem por objetivo gerar lucros para os tais investidores, ou
seja, os donos do dinheiro.
Não à toa ídolos da
música, do futebol, do cinema, do show bussines são produzidos às fornadas,
elevados rapidamente à condição de deuses, determinando o que as pessoas devem assistir e
ouvir, comer e o que vestir, e como devem se comportar. Um caso típico
brasileiro, são as tele-novelas que tanto apelo possui junto às pessoas
tornaram-se escola do crime.
Por outro lado, a
imprensa, por razões que bem conhecemos, dá ênfase a tudo aquilo que não presta
e que é errado, sob o pretexto de que o cachorro morder o homem não é notícia,
mas o homem morder o cachorro é. Talvez fosse bom lembrar os colegas
jornalistas que, diante do cenário por eles habilmente retratado, as boas
ações, os gestos humanitários e as condutas edificantes já alcançaram a
condição do homem que morde o cachorro, uma vez que, para o leitor, o
telespectador, o internauta, o ouvinte comum, aquele que não se atém à
substância das notícias, tais ações positivas se tornaram exceção na rotina
humana, quando sabemos que isso não corresponde à realidade.
Se nada podemos esperar dos
governos, comprometidos até o pescoço com os verdadeiros e únicos donos do
dinheiro e do poder político; nem da Cultura, da Educação pública e privada, e tão
pouco da imprensa, talvez resta-nos recorrermos ao último bastião da dignidade
humana que são as religiões, naquilo que elas têm de melhor por conceito e
definição, uma vez que conduzidas por homens, são atingidas por defeitos e
erros conhecidos de todos que possuem um mínimo de informação. Mas, enfim, pelo
fato de estarem ao menos em tese dispostas a dar uma orientação baseada na
bondade, no amor, nas virtudes, são as religiões, os abrigos onde o ser humano
ainda pode recorrer.
Por essa razão, pelo
valor humanitário e espiritual que as religiões são detentoras, e pela
influência positiva que podem exercer junto ao indivíduo e às famílias, já é
tempo dos diversos segmentos religiosos que tem Deus como a causa primária de
todas as coisas e os valores cristãos como norte de conduta, parar de rusgas,
disputas entre si e se unirem em ações de alcance mundial, aproveitando todos
os espaços na mídia, e inclusive o poder de divulgação que possuem as redes
sociais. Em nosso entendimento, é hora de saírem do casulo de seus dogmas, de
arrancá-los fora como o joio do trigo e queimá-los, porque são ervas daninhas que
impede a roseira perfumada da fé, do amor e da cristandade, de crescer e
revelar toda sua beleza.
Pessoas de bem,
religiosas ou não, melhor fariam se parassem de se destruírem a si mesmas e
umas às outras, através do veneno do orgulho, do egoísmo e da ambição. Pois
cada uma é como flores de esperança que Deus colocou neste planeta, que,
generoso, porque criado sob a luz da divindade tudo oferece para o sustento de
todos, sem que haja necessidade de um agir em prejuízo do outro, bastando para
isso o exercício da solidariedade, do desapego por aquilo que sob nossa guarda
acha-se transitoriamente.
Por isso, antes de nos
colocarmos à crítica sobre a preferência religiosa de cada um, tratemos de
deitar as armas, principalmente a língua, e nos analisarmos para que
conscientes de nossas limitações, mas também de nossas possibilidades,
busquemos nos aperfeiçoarmos moralmente.
Naquilo que diz respeito
ao Espiritismo, sempre tão combatido por aqueles que o temem porque o ignoram,
antes de se por a crítica e condenar o que não se conhece, melhor será
instruir-se sobre os Fundamentos do mesmo, que são: existência de Deus, imortalidade do espírito, reencarnação,
comunicabilidade entre os espíritos, lei de causa e efeito, pluralidade dos
mundos habitados, evolução.
Depois, só
depois, fique-se à vontade para comentar, criticar e até condenar, se é que se
sinta a altura disso. Pelo menos estará se fazendo com conhecimento de causa.
Falar e fazer
juízo de valor sobre o que não se conhece é fácil e podem motivar outros a agirem
da mesma forma desencadeando processos destrutivos que apenas atrasam o
progresso moral da sociedade humana. Mas, se uma palavra pode matar a outra, o
exemplo, não. Porque é nele que se realiza a ação, através da qual cada um se
revela.
O Espiritismo,
por sua vez, é sustentado pela fé raciocinada. Exatamente por isso, ele não faz
proselitismo, nada impõe, apenas propõe.
O Espiritismo
nos mostra o que somos e de onde viemos e para onde vamos. Vivifica ao mesmo
tempo em que esclarece, conforta nas horas difíceis comum a todos nós, em face
da condição moral do planeta que habitamos em concordância com a nossa;
ensina-nos a ser corajosos para enfrentar a boa luta, como ensinara Paulo, e
sem armas, nenhuma, que não seja a fé e a boa vontade. Ensina-nos a nos
prevenirmos quando, temporariamente ao abrigo, sentados no trono, à mesa farta,
estivermos, porque, feito o mar, a vida pode mudar a qualquer momento.
Ensina-nos a nos perguntarmos perante o sofrimento alheio: que posso fazer para
amenizar ao menos o sofrimento do meu semelhante, porque ele feito eu, é também
um filho de Deus.
Escrevo sobre
isto, meus caros amigos, companheiros de jornada, de ontem, de hoje e de sempre
e possíveis desafetos, não em defesa do Espiritismo porque ele não precisa
disso, mas com único objetivo de compartilhar tais reflexões.
Sou espírita,
sim. E isso não me faz nem melhor e nem pior que os outros. Mas é esse o
Caminho, que já existia ao tempo de Pedro, dos primeiros cristãos, que tem
salvado das trevas, por exemplo, a minha vida desde os meus 17 anos.
O que sugiro, se
é que posso fazê-lo, é que cada um encontre o seu Caminho, porque eles são
muitos, desde que com Cristo Jesus, que melhor atenda às suas necessidades, as
espirituais, porque são elas que contam, uma vez que somos espíritos momentaneamente
na condição humana. Cá estamos, mas não estaremos para sempre.
Diálogo Imaginário:
Um ser bastante evoluído pertencente a uma raça superiora,
habitante de um mundo bem mais evoluído que o nosso é questionado sobre a
possibilidade de sua gente interferir diretamente na sociedade humana,
estabelecendo aqui uma nova ordem de coisas fundamentada na justiça, no amor, na
bondade, enfim, repleta de virtudes. Ao que ele responde: Por que e como
haveríamos de fazê-lo, se vocês humanos, irmãos que são, ainda se ofendem, se
agridem, se matam?

Nenhum comentário:
Postar um comentário