Exemplar de Dezembro/2013 do Jornal AQUARIUS que chega a sua 118a. edição, com a qual colaboramos com a crônica BIKE VOADORA ZERO MARCHA, publicada à página 5. O Jornal AQUARIUS tem distribuição gratuita, e o leitor pode encontrá-lo em mais de 40 pontos de distribuição espalhados por Rio Claro. Um deles é a Clau Xerox, à Rua 2 No. 1.604, Centro, com as avenidas 10 e 12.Direitos Autorais dos textos publicados de Geraldo J. Costa Jr. "Escrever não é a doença, é a cura". g.j.c.jr.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
BIKE VOADORA ZERO MARCHA NO JORNAL AQUARIUS.
Exemplar de Dezembro/2013 do Jornal AQUARIUS que chega a sua 118a. edição, com a qual colaboramos com a crônica BIKE VOADORA ZERO MARCHA, publicada à página 5. O Jornal AQUARIUS tem distribuição gratuita, e o leitor pode encontrá-lo em mais de 40 pontos de distribuição espalhados por Rio Claro. Um deles é a Clau Xerox, à Rua 2 No. 1.604, Centro, com as avenidas 10 e 12.quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
SOB O MANTO DA NOITE (TRECHO)
![]() |
| Capa da edição de SOB O MANTO DA NOITE que deveria ter sido publicada pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Mas que decidi não fazê-lo por não considerar à época, o livro ainda pronto. |
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
O SR. MILLER VAI AO PARAÍSO
Ao menos para Alfred Miller um novo
espetáculo estava em cartaz todos os dias.
O velho cine teatro estava aos escombros,
sujo, deteriorado, mas para o Sr. Miller, não. Aos olhos daquele bom homem e
dedicado trabalhador o ambiente era o mais agradável possível. O prédio parecia
novinho em folha, estava perfumado, as poltronas intactas, os tapetes dos
corredores limpinhos, como que recém comprados. Não havia trinca nas paredes,
os banheiros pareciam aqueles que se encontra na suíte presidencial de um hotel
cinco estrelas, e os lustres recém saídos de algum salão nobre da era vitoriana
diretamente para aquele lugar, que Alfred Miller embora, apenas um dedicado
empregado, considerava também um pouquinho seu.
Os mais chegados a ele, diziam que mesmo
depois de morto, Miller certamente continuaria ali, feito alma penada, que se
recusa a enxergar o óbvio. Alguns de seus amigos sabiam que o envolvimento do
Sr. Miller com aquele lugar, vinha desde os tempos que naquele prédio, depois
reformado para abrigar o cine teatro, funcionara uma fábrica de tecidos, onde,
não por acaso, Alfred Miller tivera na mocidade o seu primeiro emprego.
Todas as noites, às 8 em ponto, as luzes
escapavam da platéia e refugiavam-se, fosse no palco, fosse na grande tela, e,
aos olhos do público via de regra, impaciente e ansioso, desnudava um mundo no
qual sonho e realidade, passado e presente se confundiam.
Mas a situação real era bem diferente. Não
havia filme sendo projetado na tela, nem peça de teatro, ópera, orquestra ou
espetáculo de dança se apresentando no palco. Não havia. E já se fazia muito
tempo. Muitos anos, a bem da verdade.
Mas o dedicado Sr. Miller, alheio à poeira
que se acumulava pelos cantos, aos estragos que o tempo causara àquele lugar, continuava
mesmo assim, abrindo e fechando o estabelecimento todas as noites, e, durante o
dia, cuidando da manutenção e da limpeza do lugar, da propaganda colocada em
grandes e sugestivos painéis à entrada do prédio, também dos ingressos da
bilheteria, que, em hipótese alguma poderia faltar. Do troco que a Srta.
Luciene sempre reclamava, nas horas mais inapropriadas. Cuidava do conforto dos
músicos, atores e atrizes, cantores e cantoras, dançarinas e dançarinos,
comediantes, que, nos camarins, deliciavam-se com as frutas fresquinhas, a água
gelada, os doces e salgadinhos que Alfred Miller tratava de providenciar com
bastante antecedência, para que tudo corresse bem e na mais perfeita ordem,
porque como lhe ensinara o seu experiente e generoso patrão, o Sr. Mancini, artistas e públicos deveriam estar bastante satisfeitos. Os primeiros para que
desempenhasse bem o seu trabalho, sua arte. E os demais, para que retornassem
sempre, se possível todas as noites, trazendo-lhes o abençoado e tão necessário
dinheiro, o combustível indispensável que fazia toda aquela engrenagem
funcionar. E, é claro, mais público. E mais público... Até que o Sr. Miller,
olhando para o seu patrão dissesse: “Senhor, onde iremos colocar tanta gente?”.
Foi assim que encontramos Alfred Miller,
sentado na primeira fileira à direita do palco, olhando para o mesmo, inebriado
e absolutamente envolvido pela cena derradeira do 3º. Ato de A Tarde Demora a
Passar, aquela em que o jovem escritor, derrotado pelo álcool, caminha trôpego
pelo corredor do hotel, segurando uma garrafa, em direção à portaria, então
invadida pelas primeiras luzes da manhã. Miller sentia-se um pouco aquele jovem
escritor, podia mesmo reconhecer-se naquele olhar, em determinados momentos.
Por isso não percebeu nossa presença. Estava emocionado, a cena parecia lhe
dizer qualquer coisa de familiar, que durante muito tempo, ele se recusara a
admitir. Causava-lhe certo incômodo, um nó na garganta, uma ligeira dor nos
braços, uma agonia, um desconforto. Seus olhos marejados deixavam-lhe a visão
embaçada, ora turva. Seus pés pareciam procurar o chão, e ele sequer sentia o
assento e o encosto tão confortáveis que o veludo vermelho da elegante poltrona
lhe proporcionava. Estava arcado para frente, apoiando-se com um braço, o
direito, na vassoura, que ele desconhecia o motivo de tê-la apanhado em
algum lugar que não saberia dizer qual.
Resolvemos dar-lhe tempo para que absorvesse
aquela emoção, até que por iniciativa própria se desse por conta da nossa
presença. E levou alguns minutos até que o fizesse. E quando o fez, sorrindo em
nossa direção, disse emocionado:
“Não é lindo?”.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
IRMÃOS EM CRISTO
Já
passou da hora de cristãos de todo mundo, independentemente da denominação
religiosa sob a qual se abrigam, deixarem de lado suas diferenças de pontos de
vista meramente humanos, e resultantes de sua limitada capacidade de
compreensão, e se unirem na fé em torno do Evangelho de Nosso Senhor Jesus
Cristo, que se resume em apenas 3 palavras: Amor, Renúncia e Perdão. Mais do
que 3 palavras, 3 virtudes, 3 poderosas forças transformadoras que dissipam o
Mal e estabelecem o Reino do Bem, o qual, mesmo os revoltados, os
desesperançados, todos nós, indistintamente, aspiramos.
Do essencial para a salvação humana, tudo foi
revelado. Oculto, ficaram alguns pormenores, que, entretanto, não impedem o
homem de iluminar-se, arrepender-se, e endireitar-se. Pensar o contrário seria
o mesmo que subestimar a inteligência Daquele que governa o mundo, com olhar
manso e mãos firmes.
Assim
como Deus fez o mundo primitivo tal como ele de fato é sem a intervenção
humana, de modo que pudessem todos os homens o ver e dele participarem, também
Jesus Cristo, por meio de sua boa nova, fez luz à consciência humana, e mais do
que isso, penetrou, curou e perfumou o combalido coração humano.
Deixemos
de disputas tolas que leva o nada a lugar nenhum. Se desejarmos mesmo caminhar
com Cristo, unamo-nos em torno do seu ideal de vida que é o Amor, que se dá
através do acolhimento, da capacidade humana em praticar o bem sem olhar a
quem, e de perdoar através do esquecimento, da fé inabalável no futuro e da
irmandade que a Ele e em torno Dele nos une.
Fiquemos
em paz. Tenhamos uma ótima semana.
Geraldo J. Costa Jr. – 18/11/2013
19h39
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
MUNDO ORDINÁRIO
Repleto de coisas e preocupações inúteis
Refugie-se para dentro do silêncio
Onde se faz possível
Desnudar-se sem culpa
Perante a descrença
Revelar-se fraco frente a dúvida
Onde se respira a poesia do nada
Onde se voa nas asas da revolta que liberta
E da insatisfação que impulsiona
E sem a qual não se dá
Um único passo adiante
Descobrir não é pecado
Dividir-se é virtude
Mil faces possui o homem
Mas um só é o seu coração
Única a sua mente
E sem elas, nada ele é
Inexiste, simplesmente
Mas a mente o liberta
De toda e qualquer dominação
Toda forma de poder
Seja ele qual for
Do maior ao menor
E o coração ensina o homem
A amar, ainda
Que à custa de muita dor
Lágrimas e
Decepções
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
LÁPIS No. 2
Não estou no mundo para apontar caminhos
Mas para fazê-lo perder-se
No mar de incertezas, revolto, profundo, escuro
E se a ele sobreviver, encontrará a enorme,
gigante montanha de dúvidas
Não vim para saciá-lo com palavras
Mas para afogá-lo com elas
No rio caudaloso, nervoso, e sem destino
Até que os pássaros adormeçam será noite
E o dia se faça com os raios de sol, nuvens em
movimento, sol...
Que dizima a atmosfera inebriante da noite densa
Não estou aqui, ao teu lado para lhe dar as mãos,
boas vindas
Não sem antes lançar-lhe um último olhar,
derradeira súplica
Que tolos e poetas profetizam: despedida
Não vim atirar pedras ao vento
Elas não merecem tão desprezível destino
As pedras marcam a vergonha
Dilaceram a alma, para sempre
Dilapidam a mente, sem cerimônia, sem remorso
Dor...
Que duas ou três garrafas de vinho
Não fazem jamais esquecer
Vê?
Como tudo pode e nada faz sentido...
Bebam do meu sangue derramado neste ritual
Na terra bruta e pisada, pereça
Feche os olhos, longe se veja
Entorpecido de fé
Envolvido pelo medo
Que vozes em delírio
Vestes esvoaçantes
Em gritos lancinantes
De êxtase e alívio
Doze horas se passaram
E um minuto é o que se tem
Pra decidir
Entre fechar os olhos
Ou continuar
A contemplar
O horror da vida humana
Onde tudo se repete, vezes uma vez, duas vezes,
vezes dez
Sempre
PAÍS DE LEITORES
Antes que se formasse uma consistente e
substancial geração de leitores de livros no Brasil, algo comum, por exemplo,
nos países europeus, cuja cultura literária vem de séculos, foi o brasileiro
introduzido na cultura da imagem, com predominância daquela veiculada na
televisão, onde, inclusive, o brasileiro, um povo sim, afeito à leitura, mas
não a ela habituado, identificou-se, e na televisão encontrou, sobretudo na
telenovela, um gênero tão ou mais atraente ao da leitura, com as vantagens fundamentais,
como, por exemplo, a de lhe proporcionar fatos e emoções em cores e movimento.
– Geraldo J. Costa Jr. – 11/11/2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
LANÇAMENTO EM BREVE
Postagem da minha filha Viviane em sua página no Facebook. Primeira divulgação do meu novo livro a ser lançado em breve.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
LÁPIS SOU EU
Escritor é aquele Espírito que já viveu muito e precisa
esvaziar sua mochila para que possa continuar sua longa jornada. E
todos os dias ele buscará a sua verdade, que só a ele pertence. E terá de
conviver com a eternidade ou a ausência dela. O que serve para um não serve
para outro. E os sinceros, não se atrevem a dar conselhos, porque sabem que são
inúteis. O escritor deve cavar seu próprio buraco a procura de sua mina d'água.
Mas tolo será se saciar sua sede. Pois sem ela não terá motivos para continuar
a sua longa jornada que jamais o levará a destino algum. – Geraldo
J. Costa Jr. – 05/11/2013.quarta-feira, 30 de outubro de 2013
AOS COMPANHEIROS DE JORNADA; NÃO DESANIMEM.
Quando
você se torna espírita, isso não lhe representa privilégio de nenhuma espécie,
ao contrário, mais responsabilidade perante a vida. Você adoece do corpo e da
alma como qualquer pessoa, você cai, se desvia e, por vezes, se distancia do
grupo ao qual passou a pertencer que é aquele grupo que caminha sob sol e chuva,
mas que caminha sempre e adiante. Mas então a sua consciência lhe cobra uma
postura perante a vida, uma reação, e você, porque este é o seu desejo, se
levanta, e sabe que rumo tomar, assim que reúne força o bastante para continuar
a sua infinita jornada de evolução. De fato, cego não conduz cego. Mas Jesus Cristo conduz a todos. Todos aqueles que tenham respeito e boa vontade, perante suas
próprias vidas e as de seus semelhantes. - g.j.c.jr.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
FACE or BOOK
Qual o pretexto que o faz ir para frente do
computador? Trabalho? Estudo? Aquela música que você jamais encontrará de novo
nas rádios, exceto se você, feito eu, ouvir o Programa do Jota Flores pela
Rádio Clube de Rio Claro AM 850, viajando... viajando...
Vá lá, Vsa., voltemos ao computador. Essa máquina
monstrenga, gigantesca e inacessível há pouco mais de 30 anos, e que hoje, se a
gente bobear, acaba cabendo na palma da mão. E vai mesmo. Logo, logo. Duvida?
Bem, há outros motivos menos dignos para ligar o
computador. E acho que não preciso tecer maiores comentários a respeito, não é
mesmo?
Fiquemos então com as redes sociais. Não que elas
se constituam motivos mais dignos que os redtubes,
tubegalores e as brasileirinhas da vida. Claro que não. Mas acontece que ali, no face
to face das redes sociais, nem tudo é verdade, ou é o tanto que o mundo virtual
permite. Mesmo assim, para o bem e para o mal, você pode expressar sua opinião,
expor preferências, compartilhar afinidades, e destruir reputações. E fiquemos
com o lado bom da história: construir sonhos, que duram enquanto dure a sua
navegação.
Perder emprego por causa das redes sociais? Sim, também
é possível. Viram o que ocorreu ao inofensivo funcionário da Casa Branca,
recentemente? Pois é. Foi falar o que não devia.
Vê-se que o espaço virtual não é tão assim
democrático, como apregoam alguns mais empolgados. É que ele é manipulado pela
mente e coração humano, que ainda não tolera certos comportamentos que, direta
ou indiretamente, de alguma forma contribuam para o abalo do Sistema. Trocando
em miúdos: não tolera interesses contrariados. Ainda mais quando tais
interesses estão carne e osso envolvidos com poder: o político e o econômico.
Os tabletes prometem enterrar os computadores de
mesa. Já abalaram terrivelmente a sempre boa reputação dos livros impressos.
Imagine o tamanho da tragédia. Um país feito o nosso, constituído de gente
(sim, é verdade!) que em sua maioria é absolutamente avessa ao livro, que
repudia a leitura, a menos que ela seja sobre sacanagem, receita de bolo,
bilhete da loteria e palavra cruzada... Ah, horóscopo, ia me esquecendo, e
resultado da rodada do final de semana, do futebol, claro. Capítulo de
tele-novela? Chega de tragédia.
Sim, caro leitor, gerações perdidas para a falta
de hábito da leitura de um bom livro. E olhe que eles não faltam. Nunca se
publicou tanto neste país. Autores nacionais e estrangeiros. Tem de tudo. Do
mais ilustre ao menos conhecido. Do melhor ao pior. Salgado o preço do livro,
você pode estar pensando, enquanto o bonitão aqui, se esforça para encontrar
argumentos que o estimulem a tirar a bunda da cadeira, os olhos do maldito computador
e sair à cata de um bom livro. Acho que não vou conseguir. Mas enquanto você se
decide, finado leitor, eu persisto na minha hercúlea e inglória batalha.
Já decidiste? Vou lhe dar uma sugestão. Você não
precisa de um livro novo. A menos que seja um A Tarde Demora a Passar ou O
Intermediário, ambos do papai aqui. Por R$15,00 você leva qualquer um
deles. Aproveite, preço de promoção. Vou lhe dar meu telefone... Depois, mais
adiante, ao final do texto, prometo.
Muito bem, meu caro e paciente leitor, como ia lhe
dizendo, para se entregar ao fascinante mundo da leitura que um livro impresso pode
lhe proporcionar, você pode optar por uma biblioteca municipal. Faz a fichinha,
retira o livro, e o devolve na data aprazada. Não vai fazer feito alguns
sujeitinhos metidos a cronistas e que sempre acabam atrasando a devolução. Perdoe-me,
Madalena! Prometo que será a última vez.
Outra boa opção são os sebos. Que cidade não os
tem? Geralmente bem instalados, e onde trabalham pessoas que de fato gostam e
entendem de livros, digo, histórias, poesias e autores.
Tá, finado leitor, agora me diga que você pode baixar
pela internet uma infinidade de livros que se acham em domínio público.
Pois vou lhe dizer uma coisa. Estou com Pergunte ao Pó do colega umbralino John
Fante, no disco rígido do meu velho, virulento, próstata fundida, diabético
assim, feito eu, e receio que assim feito eu, cupinizado da cabeça aos pés,
pelo inseto letal da família, mais conhecido como câncer. E olha, deixa eu lhe
dizer uma coisa, uma grande novidade, uma bombástica surpresa: até agora,
coleguinha, não li uma linha sequer do fossilizado Ask the Dust. Porque todo livro transformado nos pdf’s da vida,
para mim, é como um livro fossilizado.
Aproveitando, inclusive, se alguém tiver Pergunte
ao Pó, ou qualquer outro livrinho do Fante, no formato tradicional, impresso, e
quiser doar-me ou emprestar-me, por favor, estou às ordens. Vou lhe informar
meu endereço, boa alma. Mais adiante. Ao final do texto.
Livros tradicionais são ótimos, entre outras
coisas, porque independem de senhas, logins, spywares, avast’s da vida, e energia
elétrica e alguma paciência para conviver com modorrentas conexões. Basta uma boa
luz, um cantinho, silêncio e solidão. Tudo
o que a gente menos tem hoje em dia, né? Pobre livro!
Minha ideia inicial era, acho que já deu pra
perceber a mancada, comentar sobre a influência e dominação do maldito
computador e das redes sociais em nossas vidas, cada vez menos nossas. Já não
vou muito com a cara desse sujeito de nome PC, e depois que durante a
narrativa, deparei-me com o estrago que ele anda causando no hábito da leitura
de livros que o brasileiro, sabe-se lá desde quantas gerações ainda não possui,
fiquei mesmo “P” da vida.
Todos os dias, acordo no cafofo nojento e pequeno
onde moro, e a primeira coisa que vejo é a esfinge eternizada em um bonito
quadro pela minha amiga do coração, Rosana F. E depois, os livros na velha
estante. Livros que adquiri, roubei (confesso, e pra isso tenho cem anos de
perdão, espero); livros que emprestei e não devolvi; livros que foram de meu
pai; é sua valiosa herança. Não me deu riqueza, mas me ensinou a pensar, a não
aceitar o que está escrito e o que dizem as pessoas, por meio da palavra
escrita, sem antes checar as fontes, os interesses contidos por trás daquela
informação que tanto pode estar em um romance, uma novela, um poema, como em uma
matéria jornalística, um tratado, um depoimento, um ensaio. Nunca demais
lembrar o que dizia o poeta austríaco Hugo von Hofmannsthal (1874-1929): Nada
se torna realidade na política de um país se antes não está presente, como
espírito, na sua literatura”.
De minha parte, e computadores fora, acredito que a
tragédia humana mais significativa dos nossos tempos, é que os livros, não
importam onde estejam ou sob a guarda de quem se tornaram, infelizmente, sem
que nenhum esforço contrário houvesse de nossa parte, como cadáveres
insepultos. Da ignorância que sua ausência em nossas vidas nos causa, é que se
iniciam a injustiça em todas as suas faces, é que determina essa alienação
atroz que deforma a mente e torna o coração insensível e os olhos cegos.
PS : Ah, o meu
endereço e telefone? Xi, esqueci. Faz assim leitor: Aguarde até a próxima
crônica, por esses dias.
BUSCAI e ACHAREIS
Amor que não traz
felicidade não merece ser vivido. Tragédia no amor é coisa de teatro, cinema,
tevê e literatura. Estamos no mundo para sermos felizes. E a felicidade não
está nos outros, nas coisas ou nas situações, está dentro de nós. -
g.j.c.jr. - 24/10/2013.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
PELÉ, 73 ANOS
Em um tempo em que as bolas eram de couro, os
uniformes de algodão, os gramados quase nem existiam, Pelé driblava, chutava,
cabeceava, dominava, conduzia, iniciava e finalizava jogadas; atacava e
defendia como ninguém. E até jogava no gol, se precisasse. É claro, se Pelé
jogasse hoje não faria jamais 1000 gols. Faria 2000. Agora, vão dormir crianças.
E sonhem com Messi e Neymar. Foi tudo o que essa época miserável a qual vivemos
lhes permitiu conhecerem! – g.j.c.jr. – 23/10/2013.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
EM RETIRADA
É tão fácil falar daquilo que se vê e se ouve,
difícil é viver o que se fala. Vejo as palavras saírem tão facilmente da boca
das pessoas, decoradas ou lidas, jamais vividas, porque a verdade codificada na
forma de palavra, eu não encontro da mesma forma, nos olhos de tais pessoas, e
por esta única razão, ouso evitá-los. Palavras fáceis, tão facilmente
pronunciadas por teóricos doutos, amantes e amigos das Letras e dos livros, e
que a mim, soldado ferido, exangue, trôpego, batido em retirada, tanto custa
aceitá-las. – g.j.c.jr. 22/10/2013.segunda-feira, 21 de outubro de 2013
DORES LUSÓFONAS
Estou me perdendo
Deixando-me levar pelo corredor escuro, infinito
Perdendo-me sem nenhum esforço
Nas mesmas dúvidas,
Nas mesmas divagações
De desde sempre
Estou me deixando ir
E de novo você se pergunta:-
Como pode tanta luz
Ofuscar o caminho
Abreviar o tempo
Estabelecer o medo
Alimentar a revolta, o ódio
Sem o qual nada faz sentido
Porque nada faz sentido a todo aquele
Que ousa o passo adiante
Ah, meu irmão!
Neste cenário tosco, imundo e de fachadas,
Só você lê a minha mente e perscruta meu coração,
Porque forjados no mesmo fogo, fomos... somos
E bebemos do mesmo sangue, ébrios de dor
E comemos das mesmas vísceras, sem matar a fome
Agora, imponentes, só nos resta
Mirar o cadafalso
Passos firmes nos conduzirmos confiantes
Ao rufar dos tambores, ao clamor das trombetas
Sem receio, sem lágrimas e soluços, em silêncio,
altivos
Caminhar
Sob olhares hodiernos, rancores de outrora,
Confiantes
Entregar-se à verdade
Desnudar-se à realidade
Dar adeus à noite, encontrar de volta o dia
E revelar os mais nobres sentimentos, ocultos
Àquilo que poetas e deuses chamam de vida
Profetas de promessa
E vitoriosos: de mentira.
(Noite, vento no
rosto, e muitos passando ao meu lado)
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
terça-feira, 15 de outubro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
COMEÇO e FIM
“Toda essa pseudo grandiosidade da vida na Terra,
nada mais é que o resultado da natural aspiração do Espírito, que se sabe
eterno e livre, em evoluir sempre e mais, tanto no aspecto moral como no
intelectual. Para aqueles que vêem e compreendem isso a vida humana é tão
somente uma escola, uma prisão temporária, dependendo do estágio de evolução de
cada um. Nada mais ” – Geraldo J. Costa Jr. – 14/11/2013.sexta-feira, 11 de outubro de 2013
SUCÍDIO: DESISTA DA IDEIA
A Sra. M. lançou-me um
olhar demorado e sugestivo ao final da reunião, e logo percebi que não era
exatamente ela quem me olhava.
Tudo bem, pensei, vamos
lá.
Então, me aproximei, e
ela foi logo perguntando se eu entendia como um ato de coragem o suicídio.
Puxa! Justo para mim,
esta pergunta, a qual, tantas vezes eu me fiz.
E eu lhe respondi que
não. Que no meu entendimento era justamente o contrário. Que as pessoas que
decidiam por abreviar a própria vida como se com isso pudessem interromper o seu
sofrimento não eram corajosas, mas, covardes.
E antes que ela me
fizesse qualquer outra pergunta, olhou-me desapontada, e enquanto me olhava
assim, eu prossegui:
Veja, disse-lhe, Deus é
Pai, e nunca nos coloca sobre nossos ombros um fardo mais pesado que as nossas
forças.
Ela pareceu concordar
com a resposta, que não era minha, apenas citação de uma passagem evangélica, e continuou atenta ao que eu lhe dizia:
Não estamos no mundo
para amealhar tesouros que a traça corrói e o ladrão rouba. Até porque estamos
aqui de passagem. A Terra não é o nosso destino. A vida humana não é a nossa
origem e muito menos a nossa essência. Somos Espíritos. Eternos e livres.
Embora responsáveis por nossos atos. E responsáveis até mesmo pelo que pensamos, porque não
se esqueça, a linguagem universal do Espírito é o pensamento. E nesse sentido,
influenciamo-nos uns aos outros.
Acha que estou sendo
influenciada? – ela perguntou, de chofre.
Certamente. Lembre-se
que os afins se atraem e os diferentes se repelem. Se você se eleva em
pensamento e sentimento, em atitudes, os maus não te encontram, porque não
conseguem vê-la. Mas se você se rebaixa até eles, no mesmo nível mental e
sentimental em que eles se localizam, é lógico que estará ao alcance deles.
O que devo fazer em
meio a tanto sofrimento?
Tenha fé. A fé é o
alimento da vida. Do corpo, porque nos estimula ao trabalho edificante, que
torna a nossa vida útil. E da alma, porque nos dá a certeza de que somos filhos
do Deus que habita em nós. E irmãos de Jesus, o Cristo, nosso mestre, que
caminha ao nosso lado, não importa onde ou como estejamos.
A Sra. M. tomou minha
mão e sorriu-me em forma de agradecimento, levantou-se e deixou o recinto,
partindo em direção a sua casa, não muito distante dali, de mãos dadas com seu
marido, que, pacientemente a esperava lá fora.
Não se iluda caro
leitor. A única coisa que você consegue com o suicídio é pegar o elevador e
descer mais lá pra baixo ainda. Não é solução para a dor e nem para o sofrimento. Jamais
será. É sim um terrível engano, que custa tão curo, e que demanda tanto tempo (que poderia ser melhor aproveitado), para se livrar das suas consequências.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
ATMOSFERA
ATMOSFERA
Por Geraldo J.
Costa Jr.
09/10/2013
Chama se apaga
O solo se refaz depois do fogo
A alma, depois da dor?
Vida: vício, dúvida, risco
Abrem-se os olhos depois da noite
Longa, penosa, incerta
Todos o vêem sorrir
Não sabem as quantas andam
Os sentimentos trazidos
Há muito tempo
Em pesadas mochilas: existências
Deixadas pelo caminho
Do arrependimento só possível
Aos que se arriscam
Ao passo perigoso, mais adiante
Escravos de uma necessidade, que não pedimos,
Somos
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
PÁGINAS DE LUZ NA LITERATURA ESPÍRITA
No último dia 3,
completou-se 209 anos do nascimento do educador, escritor e tradutor francês
Hippolyte Léon Denizar Rivail. Certamente, muitos leitores estarão dando de
ombros nesse momento, mas se acrescentarmos ao mencionado nome o pseudônimo
Allan Kardec, é bem provável que a maioria ao menos saiba de quem se trata.
Homem de ilibada
reputação, respeitado mesmo por seus adversários, o Prof. Rival ou melhor
Kardec, foi o responsável pela codificação da Doutrina dos Espíritos ou
simplesmente Espiritismo, surgida na França, em 1857, a partir do lançamento de
O Livro dos Espíritos, uma compilação de 1018 perguntas e respostas, que tratam
sobre Deus, a Criação, o Mundo Espiritual, a Pluralidade das Existências, as
Leis Morais, as Esperanças e as Consolações.
A este, seguiram-se
outros quatro livros que formam o chamado Pentateuco Espírita. Em 1861 surge o
Livro dos Médiuns que trata do caráter experimental e investigativo da então nova
doutrina, cuidando de estudar e procurar entender como ocorreriam intervenções
dos entes espirituais no mundo físico.
Na sequência, em
1864, Kardec publicou O Evangelho Segundo o Espiritismo, basicamente o estudo
do ensino moral do Cristo, a partir de passagens contidas nos evangelhos
canônicos.
No ano seguinte,
ocorreu o lançamento de O Céu e o Inferno, que contém na primeira parte um
estudo crítico da vida na esfera extra-física e na segunda, diálogos de Kardec
com diversos espíritos que narram suas experiências no mundo espiritual.
Fechando as
consideradas obras básicas do Espiritismo, foi publicado em 1868, A Gênese,
livro dividido em três partes, tratando desde a formação dos mundos e a criação
dos seres, passando por um estudo dos fenômenos realizados por Jesus e
considerados milagres, portanto, sem explicação à luz da Ciência, mas
compreensíveis à luz do Espiritismo. A terceira e última parte de A Gênese,
trata da possibilidade de prever acontecimentos e coisas afins.
Mas foi em
Barcelona, em 09 de outubro de 1861, que ocorreu o fato que de certa forma
concorreria para maior divulgação da então recente Doutrina dos Espíritos,
quando cerca de 300 livros com temática espírita foram queimados, em praça
pública, por ordem do Bispo de Sevilha, episódio que passou à história como o
Auto-de-fé de Barcelona.
Eram 10 e 30 da
manhã, quando se deu o fato, na presença de, além do Bispo, um padre, um
notário, um escrevente, e três funcionários da alfândega (onde os livros foram
apreendidos), acompanhados de uma pequena multidão, que, para o desgosto de sua
Eminência vaiava a todos estes, aos gritos de “Abaixo a Inquisição”.
O tiro saiu pela
culatra, porque tal ignorância acabou despertando um interesse ainda maior das
pessoas pelos assuntos espíritas dos quais tratavam os livros.
Esse lamentável
acontecimento é narrado em detalhes por Allan Kardec no livro Obras Póstumas, compilação de textos
publicados por seguidores do Codificador, após seu falecimento em 1869.
Sobre o episódio também
merece registro o livro Auto-de-fé de Barcelona de Florentino Barrera, onde é
possível encontrar a citação do poeta alemão Henrich Heine de que “Onde se
queimam livros acabam se queimando homens”. Caso da Espanha, em cujo solo se
verificou cenas dramáticas e repugnantes ao tempo da Inquisição durante a Idade
Média.
Surgido na França em meados do século XIX, foi, entretanto no Brasil que
o Espiritismo encontrou maior aceitação, a partir do século XX. Muito disso se
deve ao trabalho hercúleo de seu maior divulgador em terras brasileiras que foi
Francisco Cândido Xavier (1910-2002), médium de grande carisma e bondade
reconhecida inclusive por seus contraditores e que psicografou 468 livros que
já atingiram mais de 50 milhões de exemplares vendidos. É fato inegável que a
Literatura Espírita é a que mais desperta interesse nos leitores brasileiros.
São várias publicações entre jornais, revistas, livros e sites especializados.
Só a editora EME, por exemplo, possui mais de 400 títulos em seu catálogo.
Estima-se que no país existam cerca de 20 mil títulos que tratam sobre o
assunto.
A maior razão, dentre tantas, para que esse gênero literário encontre
receptividade tão grande no Brasil é porque traria no seu bojo uma mensagem
consoladora de esperança e paz, de respeito à própria vida e da prática da generosidade
ao semelhante, virtude esta tão ao feitio do brasileiro.
Os romances espíritas, o grande filão editorial do gênero, são em geral
histórias de pessoas que após muito sofrimento percebem a importância dos
princípios cristãos cuja observância, conforme a doutrina, possibilita a
evolução moral desejada.
A literatura espírita apresenta ainda livros de cunho filosófico e
científico, os chamados livros de estudo, que aprofundam os temas propostos em
Os Livros dos Espíritos.
Importante observar que à medida que o Espiritismo foi ganhando
divulgação, a partir dos livros, principalmente aqueles psicografados por Chico
Xavier, o movimento foi aprimorando a sua organização. Realizadas em princípio
nas residências de seus praticantes, as reuniões espíritas passaram a ser
realizadas em locais próprios, que passaram a ser conhecidos como casas ou
centros espíritas, onde os frequentadores e interessados têm acesso às
palestras, passes (fluidoterapia), estudos para conhecimento e aprimoramento sobre
os temas abordados pela doutrina, dentre eles, a mediunidade, que é o
intercâmbio entre o mundo físico e o espiritual.
Em Rio Claro, a U.S.E.I.R.C. – União das Sociedades Espíritas –
Intermunicipal Rio Claro agrega 12 entidades espíritas legalmente constituídas,
que além da prática e divulgação dos preceitos espíritas, realizam importantes
trabalhos de cunho social. São elas: Casa dos Espíritas, Casa Espírita
Fraternidade, Associação Espírita Vinha de Luz, e os Centros Espíritas Verdade
e Luz, Astral Superior, Emmanuel, Fé e Caridade, José de Campos Salles, O
Consolador, Lar Espírita Espiridião Prado, Sociedade Espírita Leon Denis, além
da Associação Espírita Francisco Cândido Xavier, sediada em Santa Gertrudes/SP
e do Grupo Espírita Caminho de Jesus, recém formado em Ipeúna/SP, e que se acha
em fase de organização.
Com sede própria, a U.S.E.I.R.C está localizada à Rua 14 No. 240, bairro
Consolação, mesmo endereço onde se acha instalada a Livraria Espírita Páginas
de Luz, iniciativa de abnegados e voluntários do Espiritismo e que já conta
mais de 20 anos de existência e que atende ao público de 2ª. feira a sábado, em
horário comercial. – g.j.c.jr.
domingo, 6 de outubro de 2013
CAOS CULTURAL
Vejam o nível de
produção cultural, em seus vários segmentos que hoje se realiza no Brasil. Em
nome da disseminação de uma cultura de massas, idealizada pelos mentores da
Escola de Frankfurt, e colocada em prática de modo obstinado pelos governos
socialistas que vem nas últimas décadas detendo e ampliando o poder político na
América Latina, e no Brasil não é diferente, aos poucos foi sendo introduzida
uma planejada decadência como jamais vista no campo das artes, sobretudo, na música,
na literatura, no cinema e no teatro, o que já era previsível uma vez que o
objetivo principal do marxismo cultural é destruir a cultura ocidental. Apenas
eles se esquecem que o dinheiro vem de uma única fonte.
Parênteses: Na verdade,
eles sabem disso, mas se utilizam da genialidade intelectual dos socialistas
fabianos, aos quais estão à serviço, para, por meio dessas iniciativas,
atingirem seus objetivos de poder político e a manutenção dele.
Sem falar nas artes
visuais, sob o pretexto de aproximar das massas tais segmentos valiosos e
indispensáveis à sociedade humana. As massas (esse termo é detestável mas aqui cabe), por sua vez, passaram a ter acesso e a produzir
uma pseudocultura, uma arte denominada urbana, mas que não passa de uma pobre
manifestação, sem raízes, sem razões que não a de entreter. Isso, em princípio
pode soar como integração cultural entre as várias camadas sociais, objetivando
a harmonia da sociedade, mas, em verdade, não passa de decadência e pobreza,
porque, feito a educação, a alta cultura, aquela que de fato faz sentido e que
pode transformar para melhor a sociedade humana em seus vários aspectos, ela
tem característica irradiante: um indivíduo, no caso, um artista, faz algo bem feito, que de fato tenha sentido
e valor, e por esse motivo, desperta a atenção de outros, de modo a atraí-los e
motivá-los a fazer o mesmo, sem escaparem estes, contudo, da sujeição à seleção
natural que sempre fará se estabelecer os melhores, consequência natural da
meritocracia.
Mas a meritocracia demanda
da parte de quem a ela se dedica, estudo, esforço, trabalho, aprimoramento, e
isso não se obtém sem o pensamento, que vem antes da ação e que é um dos
atributos sagrados do Espírito humano, livre e eterno. Todavia, o livre
pensamento tem sido ao longo do tempo, obstinadamente varrido das escolas em
todos os níveis, pelos governos subservientes a um poder econômico cujo único
objetivo é aumentar seus lucros, e para isso, depende necessariamente de criar
e cultivar uma sociedade consumista, alienada, autômata, e cada vez mais
dependente de necessidades que, em verdade, não possui.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
NOBRE ARTE
A arte é o único ambiente da vida humana em que a lágrima
encanta, a dor inebria e o drama começa e termina, sem culpa ou arrependimento.
– Geraldo J. Costa Jr. – 02/10/2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
MEU AMIGO CHARLES
Poesia é Vida: Primeiro a alma, depois o corpo. A primeira,
nunca morre – Geraldo J. Costa Jr. – 26/07/2013.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
IT, MISSA EST
Percebi que ele já se
fazia distante. Se não em pessoa, ao menos em espírito. Porque se tornara
distante o seu olhar, eram sucintas as suas palavras, comedidos os seus gestos,
de modo que ele parecia desejar que sua presença se passasse despercebida. Eu ainda
estava de joelhos, as mãos unidas, os cotovelos apoiados no encosto do banco da
frente. Confesso que preferia manter os olhos fechados, não porque isso proporcionasse
melhor ambiente à oração à qual, naquele momento, eu me esforçava por me dedicar.
Mas é porque naqueles dias, não ia lá muito bem o meu relacionamento com o
Nosso Mestre, de modo que olhar para o altar e subir os olhos calmamente até a
presença do meigo Senhor, me causava certa incomodo.
Porém, uma
perturbação maior me causava a possibilidade da vida me privar da convivência do
meu melhor amigo, fiel e confessor, cúmplice e irmão de fé, por um motivo tão estúpido quanto a maldita
guerra.
Naquela hora, que se
parecia a derradeira, não me furtei ao direito de lhe questionar:
“Nos vemos?”. – eu disse
assim mesmo, contrariando a boa norma gramatical, para a qual jamais dera muita
importância.
Ele me olhou, antes
de esboçar qualquer menção de resposta. Olhou-me de novo, demoradamente,
mansamente, como era de seu feitio, e enfim, me respondeu:
“Sim. Nos vemos”.
Mas não disse quando,
nem como, nem onde. E esse fora o nosso último contato, porque na manhã
seguinte, enquanto eu cuidava de minhas obrigações, ele se fora, com todos os
seus pertences, ou seja: seu breviário, suas duas ou três mudas de roupas, seus
livros preciosos de um certo educador francês; enfim, sua esperança, eu creio, de que, de algum
modo, sua bondade e conhecimento pudessem dissipar um pouco a miséria que uma
guerra representa na vida das pessoas, que a ela se vêem envolvidas sem saberem
por qual motivo, se é que existe algum.
CONTINUA...
domingo, 22 de setembro de 2013
TRUCO!
Eram assim todas as tardes, enquanto na cozinha, a mesa
farta de pães e doces, e massas regadas a vinho de excelente procedência e
qualidade, eles elaboravam as suas histórias, os seus golpes, e crimes,
enquanto disputavam intermináveis partidas de truco.
Aldo não queria que eu participasse dos negócios da
família. Não fica bem pra você – ele dizia – Não deve sujar-se tão cedo.
Ele não queria que eu perdesse a ingenuidade da infância.
Não percebia talvez que isso não faria diferença com o tempo.
Você ainda não tem pelos no rosto, Édi – ele me dizia. –
Portanto, não deve sujar as mãos, nem com o vermelho do sangue derramado, muito
menos com o aroma asqueroso e desprezível de um pedaço de papel cobiçado por
todos.
Diziam naquele bairro que Aldo era bom sujeito. Ele
vestia-se com elegância. Com ternos impecáveis, sapatos brilhantes e gravatas
das mais caras. Tinha o cabelo sempre bem aparado, embora para a frustração do
seu virtuoso barbeiro, o bom e velho Toni, Aldo preferia manter o penteado
escondido por modesto chapéu panamá, que destoava um pouco da sua bem cuidada
aparência.
Ele sempre me dava roupas, porque dizia que um homem bem
vestido é mais respeitado que seu próprio caráter e conhecimento. As pessoas
julgam pela aparência, Édi – ele me dizia – E é assim desde que o mundo é
mundo, e Deus cometeu o desatino de colocar o ser humano sobre esse chão
abençoado pela natureza.
Aldo amava a natureza. Em tempo: Preferia os animais aos
seres humanos. Uma árvore, com seu tronco forte e sua copa glamorosa, era capaz
de comovê-lo muito mais que o choro de uma criança, o olhar de uma mulher à
procura de atenção.
Eu me questionava se sempre fora assim. Sempre que
passava minhas tardes sob a figueira, eu me questionava sobre estas e muitas
outras coisas a respeito do padrinho.
Era ao menos trinta anos mais velho que eu. Mas não sei por
que quando olhava para Aldo, eu me sentia como se olhasse para um meu irmão.
Irmão de sangue – devo explicar – para que não paire dúvidas a respeito.
Lembro-me daquele dia em que os rapazes chegaram ao
amanhecer. Havia grande agitação. Eles discutiam entre si. E, ao invés da
cozinha, ocupavam a sala, onde geralmente se reuniam para dividir os lucros e
festejar com as garotas o êxito de mais um trabalho. Mas naquela manhã não
havia garotas e nem sussurros. Nem copos caindo no chão, nem garrafas
estourando contra a parede. Porém, havia muita discussão. Ofensas e alguns
disparos de armas de fogo em intervalos de tempo mais ou menos regulares. O
primeiro deles contra o lustre que se espatifou espalhando sujeira por toda
sala inclusive sobre o sofá. Porque foi o cenário que encontrei, quando
finalmente tive coragem de sair do quarto para ver o que estava acontecendo, espiando pelo vão da porta.
Mas antes, enregelei-me todo, quando um dos rapazes disse
lá da sala: “E o garoto? Que faremos com ele?”.
Pensei esconder-me no guarda-roupa, debaixo da cama, ou
pular a janela. Foi o que pensei. Até me lembrar do que Aldo sempre me dizia:
Quando você crescer, e enfrentar uma situação difícil, não pense o que Deus
faria em seu lugar. Pense o que eu faria.
Foi por isso que deixei o quarto, naquela manhã, e caminhei
até a sala, de encontro ao meu destino.
Alguns rapazes estavam caídos no chão, outros sobre o sofá
e as poltronas. Alguns já entregues ao silêncio da morte, outros ainda gemendo.
E pela primeira vez na minha vida eu seria incapaz de dizer o nome de cada um
deles. Não porque não lembrasse.
Sangue havia por toda a parte. Sangue e destruição. Medo e
morte. E estas coisas adquirem outra dimensão, assustadora e insuportável
quando se têm apenas 11 anos de idade.
Ocorreu-me falar com o padre Albino. Mas a linha do
telefone estava cortada, e eu realmente já não tinha nenhuma certeza de que
conseguiria deixar aquela casa. Olhei pelo grande janelão da sala, e percebi
alguma movimentação no jardim. Era o silêncio envolvendo aos poucos todo aquele
ambiente em uma atmosfera incômoda e excitante ao mesmo tempo de apreensão e
medo.
Os cachorros não responderam ao meu assovio. Os criados não
transitavam pelo gramado, não conversavam entre si porque lá não estavam para
reclamar das atitudes do padrinho e sua costumeira falta de generosidade.
Pela primeira vez desde que Aldo me arrancara dos braços do
meu pai e me levara consigo, naquela noite da qual não me esqueço, dominada
pelo cheiro de pólvora tanto quanto aquela manhã, eu me vi só. Completamente
só. E sem destino.
Faz hoje10 anos que a cada 17 de julho eu visito esse
túmulo de mármore carrara onde não há nenhuma foto. Apenas um chapéu panamá e
um charuto, ambos de bronze, no lugar do que seria uma inscrição.
Pensei que tanto tempo depois eu me lembraria de Aldo, seu
olhar e seu sorriso, seu abraço forte e a força descomunal do seu braço direito
que lhe permitia me levantar pela bunda com a palma da mão. Nem o seu olhar,
nem o seu sorriso, nem a sua força e a sua generosidade, sua sinceridade, às
vezes mal compreendida e jamais aceita pelos que o cercavam.
Mas o seu silêncio, a escuridão que tomou conta dele e de
mim e de tudo à nossa volta, no instante em que fui o último a dirigir-lhe um
adeus, momentos antes do agente funerário fechar o caixão de zinco por meio do
qual o transportaria até a agência funerária.
Hoje, sua poltrona me pertence. E a sua caixa de charutos, eu
guardo na mesma gaveta, fechada a chave, como ele fazia.
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