A Sra. M. lançou-me um
olhar demorado e sugestivo ao final da reunião, e logo percebi que não era
exatamente ela quem me olhava.
Tudo bem, pensei, vamos
lá.
Então, me aproximei, e
ela foi logo perguntando se eu entendia como um ato de coragem o suicídio.
Puxa! Justo para mim,
esta pergunta, a qual, tantas vezes eu me fiz.
E eu lhe respondi que
não. Que no meu entendimento era justamente o contrário. Que as pessoas que
decidiam por abreviar a própria vida como se com isso pudessem interromper o seu
sofrimento não eram corajosas, mas, covardes.
E antes que ela me
fizesse qualquer outra pergunta, olhou-me desapontada, e enquanto me olhava
assim, eu prossegui:
Veja, disse-lhe, Deus é
Pai, e nunca nos coloca sobre nossos ombros um fardo mais pesado que as nossas
forças.
Ela pareceu concordar
com a resposta, que não era minha, apenas citação de uma passagem evangélica, e continuou atenta ao que eu lhe dizia:
Não estamos no mundo
para amealhar tesouros que a traça corrói e o ladrão rouba. Até porque estamos
aqui de passagem. A Terra não é o nosso destino. A vida humana não é a nossa
origem e muito menos a nossa essência. Somos Espíritos. Eternos e livres.
Embora responsáveis por nossos atos. E responsáveis até mesmo pelo que pensamos, porque não
se esqueça, a linguagem universal do Espírito é o pensamento. E nesse sentido,
influenciamo-nos uns aos outros.
Acha que estou sendo
influenciada? – ela perguntou, de chofre.
Certamente. Lembre-se
que os afins se atraem e os diferentes se repelem. Se você se eleva em
pensamento e sentimento, em atitudes, os maus não te encontram, porque não
conseguem vê-la. Mas se você se rebaixa até eles, no mesmo nível mental e
sentimental em que eles se localizam, é lógico que estará ao alcance deles.
O que devo fazer em
meio a tanto sofrimento?
Tenha fé. A fé é o
alimento da vida. Do corpo, porque nos estimula ao trabalho edificante, que
torna a nossa vida útil. E da alma, porque nos dá a certeza de que somos filhos
do Deus que habita em nós. E irmãos de Jesus, o Cristo, nosso mestre, que
caminha ao nosso lado, não importa onde ou como estejamos.
A Sra. M. tomou minha
mão e sorriu-me em forma de agradecimento, levantou-se e deixou o recinto,
partindo em direção a sua casa, não muito distante dali, de mãos dadas com seu
marido, que, pacientemente a esperava lá fora.
Não se iluda caro
leitor. A única coisa que você consegue com o suicídio é pegar o elevador e
descer mais lá pra baixo ainda. Não é solução para a dor e nem para o sofrimento. Jamais
será. É sim um terrível engano, que custa tão curo, e que demanda tanto tempo (que poderia ser melhor aproveitado), para se livrar das suas consequências.

Nenhum comentário:
Postar um comentário