Não estou no mundo para apontar caminhos
Mas para fazê-lo perder-se
No mar de incertezas, revolto, profundo, escuro
E se a ele sobreviver, encontrará a enorme,
gigante montanha de dúvidas
Não vim para saciá-lo com palavras
Mas para afogá-lo com elas
No rio caudaloso, nervoso, e sem destino
Até que os pássaros adormeçam será noite
E o dia se faça com os raios de sol, nuvens em
movimento, sol...
Que dizima a atmosfera inebriante da noite densa
Não estou aqui, ao teu lado para lhe dar as mãos,
boas vindas
Não sem antes lançar-lhe um último olhar,
derradeira súplica
Que tolos e poetas profetizam: despedida
Não vim atirar pedras ao vento
Elas não merecem tão desprezível destino
As pedras marcam a vergonha
Dilaceram a alma, para sempre
Dilapidam a mente, sem cerimônia, sem remorso
Dor...
Que duas ou três garrafas de vinho
Não fazem jamais esquecer
Vê?
Como tudo pode e nada faz sentido...
Bebam do meu sangue derramado neste ritual
Na terra bruta e pisada, pereça
Feche os olhos, longe se veja
Entorpecido de fé
Envolvido pelo medo
Que vozes em delírio
Vestes esvoaçantes
Em gritos lancinantes
De êxtase e alívio
Doze horas se passaram
E um minuto é o que se tem
Pra decidir
Entre fechar os olhos
Ou continuar
A contemplar
O horror da vida humana
Onde tudo se repete, vezes uma vez, duas vezes,
vezes dez
Sempre
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