A seleção brasileira de futebol, que já
viveu melhores dias, está sem treinador.
Mano Menezes levou, por assim dizer,
cartão vermelho do presidente da CBF, José Maria “das Medalhas” Marin e passará
o Natal e o Ano Novo, com o caderno de classificados debaixo do braço. Como consolo,
uma indenização que, embora não admitida, provavelmente será polpuda, o bastante
para comprar uns perús e umas brahmas. Opa, Mano, me desculpe! Essa última
parte da história, certamente não lhe trará boas recordações.
As moças e moçoilas é que não devem
estar gostando da ideia. Afinal, sai um loirão, enxuto, de zóio azul, como
diria a minha vizinha, e entre as opções sugeridas, nada a comemorar. Dentre
elas, a maior, um “italiani” ranzinza e bocudo, chamado Scolari. Ou então, um
não menos bocudo, não menos ranheta e mais barrigudo, conhecido por Muricy.
Porque a terceira opção já tratou de ser descartada, e seria um grandalhão de
cabelo engomado, que anda como se estivesse chutando bola, cheio de querer
falar difícil e metido a filósofo. Ah, nome diminuto, (eu disse: nome) algo que
elas odeiam: Tite.
A um ano e meio da Copa do Mundo, que
será disputada no Brasil, não se tem um time que transmita confiança ao
torcedor, e agora, não se tem um técnico. Situação que leva os mais pessimistas
a anunciar uma tragédia semelhante à de 1950.
Não será. Mesmo que aconteça a derrota. O
povo já está amadurecido o bastante e, portanto, indiferente, a esses ufanismos.
Não é difícil inclusive encontrar quem torça contra a seleção brasileira.
Embora, na hora em que time entrar em campo pela primeira vez na Copa, todo
mundo que estiver com os olhinhos na tela ou ouvidos no radinho de pilha, dará
aquele suspiro de emoção e no seu íntimo, declarará o amor à pátria, de novo,
de chuteiras, ao som do hino nacional.
Em uma análise técnica dos fatos,
treinar uma seleção é completamente diferente de treinar um time de clube. A
seleção se reúne esporadicamente, o treinador nunca sabe com quem poderá
contar, haja vista as oscilações de rendimento técnico por parte dos atletas, e
as contusões a que os mesmos estarão sujeitos.
A preparação de fato para os jogos de
uma Copa do Mundo começa quando uma seleção se reúne com todos os atletas
escolhidos pelo treinador, o que geralmente ocorre uns 40 dias antes da
competição. E por falar em competição, ela se resume em 7 jogos, caso a seleção
chegue a grande final.
Essa peculiaridade permite que atletas
que não suportariam as disputas de um campeonato com dezenas de jogos, a exemplo
dos campeonatos regionais e nacionais, possam participar de uma Copa do Mundo,
desde que adequadamente preparados para isso, como aconteceu com Ronaldo
Fenômeno, em 2002.
A outra característica única de um
Mundial é que, desde 7 jogos possíveis, 3 são eliminatórios, e 1 decisivo, e aí,
se verifica a diferença entre os treinadores. Ou seja, há treinadores que sabem
muito bem preparar suas equipes em todos os aspectos, inclusive o emocional,
para uma longa temporada, e que não tem o mesmo desempenho, não se sentem à
vontade, embora não admitam, quando as disputas são eliminatórias e de curta
duração. Um exemplo disso é: Vanderlei Luxemburgo, que se aplica ao primeiro
caso. E Luiz Felipe Scolari, que se aplica ao segundo.
Essa seria uma das razões para que
Scolari seja o escolhido para substituir a Mano Menezes. As outras são a
conquista do penta-campeonato mundial, em 2002 e a preferência popular por seu
nome, como tem se verificado nas enquetes realizadas até o momento.
Entretanto, caso mais uma vez, aceite a
espinhosa missão, Scolari terá que lidar com um aspecto que certamente
dificultará seu trabalho. O Brasil, já não possui jogadores do mesmo quilate
técnico de um Ronaldo Fenômeno, um Ronaldo Gaúcho, um Rivaldo, um Roberto
Carlos, um Cafú.
Ao seu favor, porém, a facilidade de
reunir um grupo em torno de si, devido sua natural liderança, o respeito a sua
pessoa, por sua carreira vitoriosa e por ser um campeão mundial. E finalmente,
pelo fato de a Copa do Mundo ser disputada no Brasil, o que nem sempre é
garantia de sucesso. Que o diga Flávio Costa, Ademir Menezes, Zizinho, Barbosa,
vice-campeões mundiais em 1950.

Não vou comentar sobre a crônica em si, porque é "chover no molhado" quando à tecnica e precisão na argumentação. Mas, sempre existe esse famoso mas, quanto à formação de jogadores, um, dois anos antes de uma competição como se eles não fossem falíveis (contusão e o mais grave, morte). Portanto, há de se convir que o melhor mesmo é, durante esse campeonato "mundial" os atletas convocados sessenta dias antes, consolidar a amizade e as jogadas "táticas" e está tudo resolvido. O que não pode é tirar os melhores jogadores dos times e não os deixar "ganhar" os campeonatos regionais e nacionais! Deixem o "Neymar" em paz. E outros semelhantes, evidente. Jogador joga no dia e não dois anos antes. Abraços!
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