Quando pagamos
impostos, não pagamos para PT, PSDB, PMDB ou a PQP. Pagamos ao Município, ao
Estado e a União, na certeza de que aqueles que têm a incumbência de governar
saibam utilizar com competência e honestidade estes recursos que a eles não
pertencem. Mais do que política e de políticos, a sociedade precisa de quem
saiba administrá-la.
Atualmente a Democracia
é apenas desculpa esfarrapada para tomada e retomada de poder político por
parte das castas políticas que tomaram de assalto o país, a partir dos anos
1990, e que para se legitimarem se utilizam da boa fé pública que, por sua vez,
ingenuamente, acredita exercer seu direito de escolha através do voto.
A riqueza gerada pelo
povo não retorna para o povo. Mas o povo não tem essa percepção e quando a tem
a ela não dá importância porque está completamente envolvido pelos mecanismos
de alienação criteriosamente elaborados com essa finalidade por meio dos hábeis
engenheiros sociais a serviço dessas mesmas castas políticas. Quando a verdade
vier à tona, se é que virá, causará escândalo e revolta. Mas, talvez, já terá
sido tarde demais.
Vivemos uma guerra
civil não declarada. Assumir sua existência seria admitir a falência do Estado.
Pior, seria admitir ainda o cinismo com que é tratada a segurança pública em
São Paulo, e por todo Brasil.
Leis não faltam. Aliás,
país que possui leis demais tem ordem de menos. Porque possibilita as
interpretações e reinterpretações das leis. Leis, entretanto, não devem ser
discutidas, mas cumpridas. E se beiram o absurdo ou se acaso se contradizem
umas às outras, devem ser substituídas. Mas, por quem? Se aqueles que teriam
essa incumbência, são, em sua maioria, analfabetos funcionais legitimados pela
vontade do povo.
Caberia à Justiça assegurar
em última instância o cumprimento das leis. Ocorre que, nossos juízes,
promotores e advogados ávidos por um holofote se preocupam em interpretar as
leis, porque isso lhes assegura fama, valoriza o seu trabalho, subjetiva e
objetivamente.
O Estado é vítima do
monstro que ele próprio criou ao subestimar a importância das necessidades
básicas de uma sociedade que se pretende civilizada, dentre elas, a educação, a
cultura, a segurança e a saúde pública.
Não há como mudar essa
situação, extinguir essa onda de violência, sem responder à altura as agressões
que bandidos muito bem organizados, preparados e com a conivência de
autoridades e políticos com eles comprometidos cometem contra a sociedade.
A casa está destruída,
perdida de cupim, suas instalações estão deterioradas e não há como recuperá-la
sem antes remover tudo o que não presta e os seus entulhos acumulados ao longo
do tempo. Talvez seja mesmo necessário botá-la abaixo e reconstruí-la. Só
depois há de se pensar na beleza da arquitetura e na comodidade dos móveis. Mas
as autoridades competentes e os políticos querem fazer de outro modo, o
ineficiente, porque se sentem pressionados a dar uma resposta em curto prazo à
sociedade que os elege e os paga, e que deles não espera outra coisa senão atitude
eficiente.
Apesar de tudo, este
cenário de violência que campeia como jamais visto na sociedade, não seria tão
deplorável houvesse por parte da maioria das pessoas uma conduta cristã, na
melhor acepção da palavra e sem nenhuma conotação religiosa, porque o
personagem do qual se origina o termo, como se sabe, nenhuma religião fundou.
Houvesse amor no
coração das pessoas, tivessem elas uma atitude fraterna e respeitosa em relação
ao seu semelhante e essa onda de violência não estaria acontecendo. Seus protagonistas
são desajustados sociais, seres abalados emocionalmente desde o berço, não
possui em sua maioria nenhuma formação educacional, nenhum nível de cultura
senão aquela produzida nas ruas. Talvez nunca tenha recebido em suas vidas uma
atitude generosa da parte de alguém no qual reconheça um ser humano, talvez
jamais tenham sido apresentados ao espírito altruísta que deveriam demandar as
ações das pessoas que se dizem de Bem.
Fizesse os governos a
sua parte em reverterem benefícios nas áreas de educação, de cultura, de saúde
e segurança pública à sociedade a riqueza por ela produzida, porque afinal,
governos não produzem riqueza nenhuma; fizesse as pessoas comuns, as empresas
privadas e públicas, os profissionais liberais, os empreendedores, a sua parte,
no sentido de criar redes sociais de amigos não as virtuais, mas as reais, as
de carne e osso, no sentido de entender, compartilhar e ajudar os que se acham
em situação de risco, sobretudo as crianças, adolescentes e jovens; fizessem as
religiões os benefícios humanos e espirituais que preconizam na teoria mas são
incapazes de colocar em prática porque se perdem em personalismo, dogma, hierarquia
e formalidade, talvez, então, essa onda de violência não existisse, porque
imperaria o espírito altruísta que é o espírito cristão.
Infelizmente, asteroides profetas e profecias à parte, ainda estamos longe, muito longe
disso. E as futuras gerações certamente pagarão o preço pela falta de amor à vida
e ao país, por parte da atual geração.
Somos todos cúmplices e
culpados, alguns mais outros menos, é verdade, mas ninguém escapa impune à
consciência, neste cenário de degradação social que causa horror e perplexidade
às pessoas de bem.
Dias melhores virão.
Dias em que finalmente haveremos de saber o que é liberdade, igualdade e
fraternidade. E mais do que saber seremos capazes de praticá-las.




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