Antes que a lembrança do
bacanal de Laura Branigan faça o estimado leitor perder o controle aviso que
esta crônica fará certamente os quarentões de hoje viajar à terra do ontem.
Parecia ser regra no
mundo da música dos anos 1980. Som pra rolar nas pistas de dança tinha que ter
uma loira gostosa e com voz de veludo, acompanhada de sintetizadores, algo que
se podia chamar à época a mais moderna tecnologia sonora. Ah, esqueci de
mencionar os cabelos que davam às beldades cantoras ares de leão indomável.
Nada mal. Hoje temos a
Loona convidando-nos a La Playa. Amigos, que calor!
Kim Carnes! Lembram-se
dela? E sua voz rouca, nem tão bonita embora tão rouca quanto à minha, mas seu
maior êxito fonográfico foi nos ensinar a ver a malvada Bette Davis com outros
olhos.
Havia exceção á regra.
Exemplo: Sabrina, a morena e os seus boys, boys, boys. O clipe – me recordo –
uma merda. Mas com 2 airbags daqueles né Sabrina, quem é que precisa de um
clipe pra fazer sucesso? Não é mesmo? Não é mesmo, Aldo Zotarelli?
E por falar em boys,
tinha uma outra coisa, digo, loira, chamada Boy George. Bom, mas essa não vale.
Ao menos para essa matéria.
Acham que eu me
esqueci? Não! Sheena Easton, e a mais bela canção tema do finado 007, tanto fez
que acabou virando loira, somente para os seus olhos.
Dolly Parton, doidinha
que só, grande atriz, que, entre outras preciosidades nos ensinou em 1980, como
eliminar o maldito chefe. A ovelha Parton, foi o melhor duet do romântico imbatível Kenny Rogers, eu acho.
Kim Wilde! Quem se
lembra? Andou pelo Cambódia em 1981. E não se sabe até hoje se voltou.
E para alguns, não sem
razão, Tina Turner foi simplesmente a melhor.
Porém, em 1983, surge
para o mundo a ex-garçonete que além do nome, de santa não tinha nada. Uma girl
descolada, exímia cantora, dançarina sensual, compositora excelente, e, é
claro, loira. Precisa dizer o nome? Everyboy sabe.
Convenhamos quem é
capaz de nos tempos atuais, onde os ídolos são fabricados em toque de caixa,
manter-se em nível de excelência em um recinto tão disputado como o musical, a
indústria do disco, o show bussines? Lançando sucesso após outro, arrastando,
envolvendo e comovendo multidões?
Já tentaram produzir
outras loiras, malucas iguais, talentosas nem um pouco, absolutamente não. Seu
nome? Mãe de Deus! Ainda não descobriram?
Já que o assunto
adquire aspecto religioso (epa! cuidado, areia movediça à frente) seria um
pecado comentar sobre todo mundo e esquecer a Maria Magdalena, digo, Sandra, a
rainha, sim, ao menos das pistas de danças, das discotecas das cidades do
interior, de um estado batizado São Paulo, de um país chamado Brasil. Naqueles
1980 e qualquer coisa não tinha pra ninguém, quando o assunto era animar
festinhas. Sandra, da Maria Magdalena ou vice-versa, sei lá, e que, acreditem,
terminou loira em Hiroshima. Oh, quanta ironia!
Agora, maluca mesmo era
a Cindy, mêu. E seu cabelo true colors, e suas garotas que queriam apenas
dançar. Time after time, ficou aquela música nos nossos ouvidos. Dias, semanas!
Meses!! Anos!!!... Quero morrer.
Mas enquanto o esperado
momento não acontece, diz aí carcamano de 40 anos ou mais, qual de vocês não
aprendeu a dançar sob o eclipse total da Terra, quando a Bonnie Tyler, fazia
tudo escurecer a nossa volta, enquanto, a gente, girando, e girando,
lentamente, olhinhos fechados, pensando mil coisas e desejando outras tantas –
que se dissipavam de nossa mente já no momento seguinte ao abrir dos olhos –
nos deixávamos envolver pelo perfume da garota que se perdia, mesmo, e gostosamente,
em nossos braços.
Bom, antes que as moças
e moçoilas atentas me acusem de preconceituoso (eu? imagine, santa!) por
refutar os loiros do show music, talvez um dia, a gente escreva algo sobre os
George’s, o Michael e o Boy. O David “Heroes” Bowie. O Sting, claro! O Billy
Idol, certamente. O finado Patrick Swayze. O carinha do Bronski Beat, do qual
agora eu não me lembro o nome. O Kid Vinil, não. Aí já é querer demais. Sim,
aguardem. Promessa é dívida. Talvez a gente escreva um dia sobre esses caras..
Afinal, meu velho Colin, men at work.



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