Por ingenuidade ou mera pretensão em um
mundo de redes sociais e notícias em tempo real, a CBF pretendia anunciar só em
Janeiro a contratação de Luiz Felipe Scolari para técnico da seleção
brasileira.
Não deu tempo, a notícia “vazou”, a FIFA
exigiu, e antes que a entidade caísse no ridículo o presidente José Maria Marin
tratou de confirmar o que nunca desmentiu.
Se o Brasil vai bater aquele bolão
sonhado pela galera sabe-se lá. Mas ao menos a imprensa sai ganhando. Porque ao
contrário do monossilábico e por vezes incompreensível e quase sempre indigesto
Mano Menezes, Felipão é craque em elaborar pérolas que dão o que falar nas
colunas, resenhas esportivas e mesas redondas.
Nem bem assumiu o comando da seleção e,
em sua primeira entrevista coletiva, ao lado do coordenador técnico Carlos
Alberto Parreira, recomendou trabalhar no Banco do Brasil os que não querem
pressão em sua atividade profissional.
Certamente, o campeoníssimo treinador de
futebol desconhece a desgastante e por vezes interminável jornada de trabalho
dos bancários, cujos salários chegam a ser irrisórios se comparados ao do
falastrão treinador que, para se expressar com palavras, não costuma pensar
muito ao contrário de Parreira, seu antigo rival dentro das quatro linhas e
agora parceiro.
Exatamente nesta diferença de
comportamento reside a esperança de que a parceria entre eles possa ser
duradoura, porque ambos são completamente opostos, mas, podem se completar,
desde que se suportem. Scolari, um motivador por natureza, um prático, digamos
assim, da profissão, que repete um treinamento quantas vezes forem necessárias
até que o atleta assimile o objetivo estabelecido. E Parreira, um teórico por
excelência, um estudioso das táticas e técnicas do futebol, um cavalheiro
refinado.
Olhando mais atentamente, a seleção
brasileira de futebol, cinco vezes campeã do mundo, de repente, parece que se
tornou aquele filho ou aluno problema que pai e professor nenhum quer.
Antevendo o possível fracasso, o
presidente Marin botou na conta do ex-técnico Mano Menezes o nada empolgante
futebol apresentado pela seleção até o momento.
Agora, Scolari, disse que vai dar apenas
uma incrementada no trabalho desenvolvido por seu antecessor, ainda que reste
um ano e meio para a disputa do Mundial. Se não der resultado o seu trabalho, e
o final da história for aquele que hoje parece certo, já estará com o discurso
pronto: terá recebido uma herança maldita.
Enfim, todo mundo quer posar de bonito
na fotografia, e só.
*Artigo publicado também no site Guia Rio Claro. Aqui o link: http://www.guiarioclaro.com.br/materia.htm?serial=151010328

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