Um dos indicativos de que vivemos sim um
período de decadência cultural e artística no Brasil é que nos anos 1980,
portanto, pouco mais de trinta anos, (normalmente o período em que ocorrem as
revoluções culturais de significativa importância) o rock nacional protestava
injustiças, reivindicava soluções, sugeria alternativas, apontava caminhos e
assim, ia muito mais além do que apenas fazer um som e curtir a liberdade, que,
por acaso, nem era tanta assim.
Hoje, o rock nacional está adormecido porque a
juventude o ignora, não consegue encontrar nele uma forma de expressão de seus
anseios, frustrações e interesses. Ela, a juventude, em sua maioria, acha que
vai tudo muito bem, que o país é uma maravilha, que nada há por fazer a não ser
colher os frutos de uma semente plantada por seus pais. E para isso, nada
melhor que se deixar seduzir por inúmeros mecanismos de alienação ao alcance de
todos, que nada custa e nada exige, nem mesmo entendimento das coisas, das
pessoas, e do mundo à sua volta.
Daí não surgir nenhum movimento, nenhuma cena
cultural que não seja assimilada e degustada em tempo recorde até que outra,
produzida às fornadas pela sempre subserviente e atenta mídia, quase
diariamente, a substitua.
Nada tem consistência, nada surge para ficar, porque
as coisas devem surgir e desaparecer rapidamente, de modo a não ocupar espaço
por muito tempo, e não produzir referências e símbolos, com as quais a
insatisfação, da qual o homem jamais será livre, possa se identificar.
Não se ouve música de boa qualidade no rock nacional
e, em âmbito mundial, não é diferente, porque hoje ela não é feita mesmo para
ser apreciada, mas entorpecer os sentidos, alienar o pensamento, matar o tempo.
Pode-se dizer que todos os movimentos produzidos
pelo rock, dentre eles, o punk, nada fizeram diferente disso. Mas enganam-se os
que pensam desse modo. Tais movimentos faziam a juventude, no caso, tirar a
bunda do lugar, lhe servia de estímulo, ou no mínimo curtição agradável.
Hoje a curtição é queimar uma pedra ou tomar todas,
sem que dessa experiência nada surja que faça o jovem acreditar que tudo pode
ser diferente e melhor do que é, mesmo que não haja motivo para tanto, mesmo
que nem ele próprio saiba por quê.
Aquele espírito do pagar pra ver, do ser e estar livre
a qualquer preço, do viver o hoje intensamente pra morrer feliz amanhã, já não
encontra abrigo na mente e nos corações da juventude atual.
Na música, no rock propriamente dito, não é diferente.
Ninguém arrisca nada, todo mundo segue a receita do bolo, todo mundo que ser
matéria do jornal de domingo, gravar o DVD, postar o vídeo na internet, mesmo
que a fama que disso resulte, seja a insignificante atmosfera de baba-ovos de
uma cidade de 200 mil habitantes, onde 80% da população preferem o gênero forró
ou aquela coisa parecida com isso que toma de assalto as rádios AM/FM e os
bailes da melhor e da pior idade.
Uma década e meia e um hiato na produção, na cena do
rock nacional, mais do que tempo, espaço perdido.
Onde é que a cultura e a arte, e, portanto, a
sociedade, sai perdendo nessa história? A resposta é que quando falta o rock,
falta inspiração para os jovens, e é justamente este estímulo, essa vontade de
querer realizar, de mudar as coisas, que o rock proporciona que leva a
juventude a ser um poderoso agente transformador da sociedade e de certa forma,
determina com seu comportamento, os caminhos sociais, culturais e políticos que
a sociedade irá trilhar.


Disse tudo...além de relembrar minhas bandas preferidas, ainda hoje, há as que se destacam apesar de toda banalidade do nosso quadro musical atual, enfim, reflexo da mentalidade atual, no entanto sou suspeita a falar, pois continua fã do bom e velho rock, afinal mudam se os tempos, as cabeças,mas ele persiste...
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