Às vezes, tudo o que se vê, sente e
pensa, não chega ao alcance da mão. Perde-se na indiferença de uma mente
preocupada, um coração partido. Não chega a ser palavra. Termina sendo vontade,
apenas.
Lápis, papel, caneta ou computador para
escrever. E, por vezes, sangue. E, em todas, suor, pelo esforço do qual jamais
se prescinde, e pelo resultado, que, na maioria das vezes, jamais virá, do modo
como fora pretendido.
De fato, a
ideia de que a escrita é um mistério é instigante e perturbadora. Quando
verdadeira, a escrita se faz por si mesma.
Para
alguns, quase sempre, a inspiração é uma parede que precisa ser derrubada a
murros e pontapés. É necessário destruir a inspiração para encontrar a verdade.
E muitas são as ocasiões em que se fica bem próximo de se destruir a si mesmo,
ainda que a verdade não seja encontrada.
Mais do que formar ideias o caminho mais curto
para escrever ficção é se deixar envolver pela atmosfera onde tudo acontece.
Há os que se acreditam espertos. Evitam ou
querem driblar a inspiração, querem aprisioná-la em uma camisa de força chamada
razão, organização, sanidade ou qual seja lá o nome que se dê a isso. Mas esse
método não se aplica ao processo de criação da ficção literária que justamente
ocorre no primeiro momento, o grito primal de uma aspiração que anseia se
transformar em texto para ser entendida, embora jamais, por melhor seja o
escritor, essa aspiração será sentida em toda a sua plenitude pelo leitor. Ainda que a inspiração adquira inúmeras e tantas
quantas formas forem necessárias, na visão e no modo de compreendê-la por parte
do leitor.
Nem o ser humano, entretanto, com toda sua
capacidade, filho de Deus que é, nasce pronto. E um espírito, que é o que
somos, depende de uma infinidade de existências para se tornar perfeito. Por
que o miserável de um texto, nascido da imaginação e da percepção humana de
captar a realidade a sua volta ou aquela que se lhe oferece, seria diferente?
Ele precisa ser aceito, compreendido, formado e aprimorado. Aprimorado, sempre.
Ou até que o escritor dele se canse ou se reconheça incapaz de aprimorá-lo mais.
Pode valer muito a pena deixar a inspiração fluir
do modo como se apresenta e na atmosfera em que se apresenta. Deixar-se levar
pela onda, penetrar a tal atmosfera, e só depois, cortar, acrescentar, organizar
e esculpir uma face, um perfil próximo à realidade e à verossimilhança do
almejado texto que se produziu.
Escrever é um caminho que se percorre
solitário. Entretanto, é preciso ter um norte que oriente, um destino como
objetivo. Por isso, o escritor que não tem os seus mestres caminha às cegas.
Atualmente, parece até heresia, tolice ao extremo cultivar ídolos. Eles são referências, mas não devem ser a essência do
trabalho de um escritor. Toma-se o que eles têm de bom a oferecer. Toma-se sem
medo, sem pudor, toma-se simplesmente e se desconstrói tudo isso e a partir daí se forma
outra coisa, ao feitio da crença e da vontade do próprio escritor. De modo que
o ídolo lá estará, mas não irá aparecer.
Só se encontra e só se percorre o caminho com
quem já conhece o caminho.
Torna-se bom romancista também lendo poesia.
Porque nela está a essência de uma história; está a sua alma.
A poesia é a síntese da verdade contida.
Sugerida, mas não exposta. Que seduz e encanta, porque revela sem desnudar-se.

Passei por aqui para te dar os Paarabéns pelo belíssimo lançamento, volto com mais tempo para reler...Muita Paz, Saúde e Sucesso Sempre Amigo Escritor...
ResponderExcluirCom as suas palavras, confirmamos que o mistério existe, mas pode ser desvendado, estudado, esmiuçado e projetado para os leitores ávidos de bons textos. Esse é mais um. Perfeito.
ResponderExcluirAbraços, poeta!