Chão molhado, paredes úmidas
Gotas de chuva escorrem pelo telhado
As folhas orvalhadas do jardim da casa eterna
A tarde se despede, mês de maio, o primeiro dia
Uma vela derretida, consome o resto de esperança
Os últimos acordes, ouve-se ao longe
Uma conversa ríspida no corredor
O que virá depois...?
Onde está o lápis, o café no copo, o papel amassado?
E aquele olhar voltado para o meu
Onde tantas e tantas vezes, encontrei refúgio
Onde tantas e tantas vezes, eu, apenas um garoto
Deixei consumir a realidade
Como flor amassada entre os dedos
Sem saber muito bem ao certo, porque o fazia
O que virá depois?
Uma estrela brilha no céu,
E passa, e rasga a escuridão
Uma réstia de luz na janela da sala, pela manhã
Essas coisas, sem nenhuma importância, ficaram na
lembrança
Voando, voando para dentro de si mesmo
Penetrando o mais profundo de si mesmo
Perdendo-se no mar escuro de incertezas
O que virá depois?
O chão está molhado, as paredes úmidas
As folhas orvalhadas caídas na calçada
Ouço vozes, a tarde se despede *
Ninguém caminha pela rua, deserta
De olhares e vozes, e repleta de medo
As cortinas das casas estão fechadas
O quarto escuro, fechado em si mesmo
O que virá depois?
O lenço branco, estendido na janela

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