sábado, 23 de maio de 2020

NASCIDO NISSO


Vivo tendo pesadelos terríveis com Bukowski. Para os menos avisados, não se trata de nenhum remédio de faixa preta ou bebida destilada. Trata-se do meu fidalgo amigo Charles. O meu amigo Charles, pra que fique bem claro, é mais chic, mais descolado, mais desbocado, mais putanheiro e, também, mais sentimental, que aquele outro, pois sim.
Então, chefia, como ia dizendo, sonhei que estava caminhando com meu amigo Bukowski, também conhecido na intimidade como Henki. E nós caminhávamos, assim, despreocupadamente.
Esse foi o sonho mais recente. Caminhávamos por uma rua deserta, isolada, esquecida por qualquer traço de civilidade. Casas abandonadas, ruas esburacadas e calçadas depauperadas, cheias de mato, fezes de cães, urina de gatos, um horror.
Árvores, havia algumas, mal formadas, mal desenvolvidas, como se o sopro da vida tivesse esquecido de bafejá-las. Uma vila de operários, de um bairro distante do centro, entregue ao abandono, desde que a fábrica de calçados encerrara as atividades e pusera todos os empregados no olho da rua.

Era noite, e nós, caminhávamos por essa rua, cada qual com sua garrafa. A minha acabou primeiro. E passamos a dividir a dele, do meu amigo Charles, naquela proporção generosa de, duas goladas pra ele, às vezes, três, e, uma pra mim.
Tudo bem. Lá na frente, quando chegasse a avenida movimentada que dava acesso ao posto de combustível, eu iria à forra. Se chegássemos até lá. Se não ficássemos encostados em alguma parede, dessas que ameaçam desabar a qualquer momento.
Bukowski é um cara legal, fazedor de versos, como eu gostaria de ser. Arrisco uns versos, às vezes, não ficam nada bom, mas eu insisto. Teimosia, o defeito do ser humano. Ele trabalhou nos Correios, eu não. As mulheres parecem não se importar com seu barrigão. Porque ele vive me contando sobre suas conquistas amorosas.
E você? Ele pergunta, nessas ocasiões. Nada, não! – respondo.
Nada tenho a dizer. É sempre assim. Vidinha mais chata a que eu levo! Talvez por isso eu sonho bastante. O que não vivo aqui, no mundo da realidade, busco viver no mundo da ilusão, onde nada é real, embora, tudo possa acontecer.
Já amanhecia, bem me lembro, quando ele me disse, garoto, paramos por aqui. Acenou com a mão, despedindo-se, sem olhar na minha direção, e, com sua garrafa, se foi.
Acordei já era bem tarde. A velha cama, apoiada por tijolos, o velho colchão imundo, fedido, rasgado. Uma vontade louca de passar um café e fumar. E o poema de Bukowski, que eu mais gosto, martelando na minha cabeça, como acontece todo santo dia, fazendo-me lembrar, sem saber muito bem ao certo que dia da semana era, e que eu fui nascido dentro disto, Born into this, um mundo onde agora as pessoas andam de máscaras, e ficam isoladas e distantes, proibidas de expressar o seu afeto, até quando não sei, e acho que ninguém sabe.
Vou ao banheiro lavar o rosto, deparo-me com a feiura de uma cara amassada e olhos apalermados, inchados. Dormir é bom. E me ocorre a mesma maldita pergunta de toda santa manhã: Que chance na vida tem um cara como eu? 51 anos, um fracasso. Um redundante fracasso. Nada que conste no currículo que mereça menção. Em ambos os currículos, o sentimental e o profissional. Desgraça pouca é bobagem.
Então, abro a porta, do quarto onde moro e que também me serve, agora mais do que nunca, de local de trabalho e de estudo. E atravesso o longo corredor que me separa do portão de folha, pintado de marrom que me leva à rua, a cada manhã.
O momento sublime da existência, quando me deparo com o sol, logo pela manhã, que já desponta no leste. Faço minhas orações, olhando na direção do sol, como sempre faço, os olhos fechados, atento à respiração.
E ultimamente, as minhas orações, elas começam assim: Born into this; Born like this; Into this. Traduzindo: Nascido em meio a isso; nascido assim, em meio a isso...
Vou mais longe. Volto a aprisionar o meu pensamento, trago ele para a realidade dura, nua e crua. Onde as pessoas já não tem emprego, talvez daqui a pouco, não tenham trabalho. Onde as pessoas moram de favor, comem de favor, e logo estarão defecando no mato que cresce nas calçadas ou atrás dos postes, cujas luzes, estão queimadas, há muito tempo. Onde, se agradece com olhares compassivos, a esmola dada por aqueles que se dizem representantes de algo mais sagrado do que eles próprios. Onde a fé se tornou artigo de luxo, porque a dor do corpo não é menor nem maior que a dor da alma. Nascido em meio a isso; nascido assim, em meio a isso. E pior, agora que volto meus olhos para a nuvem que passa sobre minha cabeça, eu me lembro, sem disfarçar o sorriso cínico, que me é tão peculiar, que eu sabia, lá atrás, quando me decidi por isso, que seria assim.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

O QUE VIRÁ DEPOIS?


Chão molhado, paredes úmidas
Gotas de chuva escorrem pelo telhado
As folhas orvalhadas do jardim da casa eterna
A tarde se despede, mês de maio, o primeiro dia
Uma vela derretida, consome o resto de esperança
Os últimos acordes, ouve-se ao longe
Uma conversa ríspida no corredor
O que virá depois...?
Onde está o lápis, o café no copo, o papel amassado?
E aquele olhar voltado para o meu
Onde tantas e tantas vezes, encontrei refúgio
Onde tantas e tantas vezes, eu, apenas um garoto
Deixei consumir a realidade
Como flor amassada entre os dedos
Sem saber muito bem ao certo, porque o fazia
O que virá depois?
Uma estrela brilha no céu,
E passa, e rasga a escuridão
Uma réstia de luz na janela da sala, pela manhã
Essas coisas, sem nenhuma importância, ficaram na lembrança
Voando, voando para dentro de si mesmo
Penetrando o mais profundo de si mesmo
Perdendo-se no mar escuro de incertezas
O que virá depois?
O chão está molhado, as paredes úmidas
As folhas orvalhadas caídas na calçada
Ouço vozes, a tarde se despede *
Ninguém caminha pela rua, deserta
De olhares e vozes, e repleta de medo
As cortinas das casas estão fechadas
O quarto escuro, fechado em si mesmo
O que virá depois?
O lenço branco, estendido na janela
Prenúncio, de paz, não sei

sábado, 16 de maio de 2020

O TRIBUNAL DA CONSCIÊNCIA


Aos ferros, o acusado foi apresentado perante o Tribunal da Consciência.
“Que se aproxime o relator” – disse o Juiz.
Com uma pasta volumosa nas mãos, o relator assim procedeu.
“Seja feita a leitura dos autos”.

“O acusado – disse o relator com voz solene – viveu 49 anos, em ótimas condições. Filho de bons pais, frequentou as melhores escolas, vestiu as melhores roupas e teve à mesa, farta refeição, todos os dias. Nada lhe foi exigido, senão estudar e formar-se. Aos 29 anos, casado, e militando na área da advocacia, foi convidado a ingressar na política. De suplente de vereador, passou à vereador. Aproveitando as facilidades da posição que ocupava deixou-se corromper facilmente. Em poucos anos, tornou-se prefeito e depois deputado, ampliando seu espectro de influência, através do qual, conseguia todas as vantagens possíveis para o seleto grupo que representava. Foi alertado pelos pais, várias vezes, para lembrar-se um pouco daqueles que lhe outorgavam o mandato, repetindo o voto de confiança em seu favor, a cada 4 anos. E, nessas horas, ele ria jocoso, tamanha a ingenuidade dos pais. Por suas mãos passaram recursos de grande monta, desviados para comprar as consciências de seus pares, o silêncio e a conivência de autoridades. Lembrava da gente humilde de sua cidade, a cada campanha eleitoral, para renovar promessas, jamais cumpridas. Ganhava a simpatia de seus conterrâneos, com pequenos favores e muitas festas, com comidas e bebidas servidas gratuitamente e à vontade. Nessas ocasiões, lembrava-se de trazer consigo o artista famoso, admirado por muitos, e que no meio da gente humilde, distribuía ao seu lado, abraços, sorrisos e autógrafos. E quando perguntado sobre a escola, a creche, o posto de saúde, o acusado desconversava, dizendo que as obras tão necessárias à população carente estavam a caminho, e que, naquela semana, daria um ultimato ao governador E, ao afirmá-lo, era aplaudido efusivamente, em princípio, pelos correligionários. Numa tarde de domingo, quando voltava para a capital após visita à sua cidade, sofreu terrível acidente automobilístico, no qual veio a falecer. E agora, é trazido perante o Tribunal da Consciência, para ouvir sua sentença”.
E diante do exposto:
“Culpado” – disse o juiz, sem hesitar.
“Mas como? – protestou o acusado – Onde está minha culpa? Qual crime eu cometi?”
“Todos eles”.
“Mas eu não matei! Fui um marido fiel, um pai amoroso, e se roubei, não foi para mim, foi pela causa que defendíamos, nosso projeto de poder”.
“O que não deixa de ser roubo. E sendo roubo, você se apoderou do que não lhe pertencia. E, ao fazê-lo, relegou à miséria, ao desamparo e ao sofrimento, milhares de pessoas que dependiam daqueles recursos para amenizarem as dores inenarráveis que eram obrigados a suportar. As dores do corpo e as dores da alma. E você sabia as consequências de seus atos, o tempo todo. Mas nunca se importou. Nunca tentou corrigir-se. Nunca se esforçou para evitar cometer sempre os mesmos erros”.
“Mas eu não podia! Não podia falhar. Eu era uma peça importante da engrenagem do sistema. Se eu falhasse, iria tudo por água abaixo. E nós, perderíamos a oportunidade, pela qual, esperamos tanto”.
“Não se trata de falhar. Mas de ter atitude. E você não teve”.
“Insisto! Eu não tinha escolha!”
“Tinha. Você sempre teve. Tinha formação. Era um advogado. E um bom advogado. Seu pai o ajudou a montar o seu escritório. Bastava se dedicar ao seu trabalho, e o suficiente nunca lhe faltaria. Mas a sua ambição...”
“Tudo o que fiz foi de boa-fé”.
“Pode até ser. Mesmo assim, você errou”.
Ao sinal do Juiz para que o relator se aproximasse, este assim procedeu. E com a pasta na mão, voltou a ler a peça acusatória.
“O acusado, antes de iniciar a mais recente jornada na condição humana, implorou...”
“Repita isso”.
“... Implorou”.
E diante dessa afirmação, o acusado baixou os olhos e curvou a cabeça, envergonhado.
“Prossiga”.
“Implorou que lhe fosse concedida a oportunidade de estudar e formar-se advogado, porque pretendia lutar pelos direitos dos menos favorecidos, reparar injustiças, e reivindicar o cumprimento das políticas sociais estabelecidas pelos governos em atendimento aos anseios populares”.
“Ou seja, um homem de boa-fé – observou o juiz – Mas o inferno, como todos sabem, está cheio deles. Pois bem. Deus que é tão bom, lhe deu tudo isso o que você pediu. Aliás, implorou. E lhe deu muito mais. Além de advogado, você teve a chance de ingressar na política para trabalhar em favor do bem comum. Fizeste isso?”
“Não”.
“O que lhe diz então, a sua consciência?”
“Que falhei”.
“Certamente. Mas Deus é tão bom, que a sua condenação, será: recomeçar. Não agora, evidentemente. Porque agora, você irá refletir sobre seus atos. E no momento oportuno, daqui algum tempo, terá a chance de refazê-los”.
Diante do Tribunal da Consciência, o acusado ajoelhou-se em agradecimento.
“Não agradeça. Deus não age como os homens que premia os vencedores e repudia os fracassados. Deus deseja que todos caminhem... adiante... sempre.
Havia um homem que acompanhara o julgamento o tempo todo, calado e distante. Mas que não conseguiu esconder um sorriso de satisfação, ao ouvir a sentença. O que mais lhe importava ali, não era a condenação em si, mas ver o acusado, de joelhos.
“Você! – disse o juiz, voltando os olhos na direção desse homem – Aproxime-se”.
Ainda que receoso, o homem não ousou desobedecer.
“Foste chamado?”
“Não”.
“Que fazes aqui?”
“Estou acompanhando apenas. Nada mais”.
“E qual seu interesse no caso?”
“Confirmar as minhas convicções”.
“Conhece esse homem? – disse, referindo-se ao acusado que já se afastava”.
“Sim. E o conheço muito bem. Acompanhei toda a sua trajetória. Soube o tempo todo de seus erros, e porque os cometia”.
“E o que fizeste disso? Tiraste algum proveito em teu benefício?”
“Nenhum”.
“E que sentimento tinhas, naquele tempo, por esse homem desgraçado?”
“Nenhum”.
“Mentes”.
“Como sabes?”
“A consciência tudo sabe”.
“Eu tinha inveja”.
“Procurou alertá-lo sobre os erros que ele praticava?”
“Não. Eu jamais o faria”.
“Por que?”
“Eu queria mesmo era vê-lo se dar mal”.
“E conseguiste?”
“Não”.
“Mas tentaste?”
“Sim”.
“De que modo?”
“Eu o chantageava”.
“Fizeste muito mal”.
“Eu sei”.
“Sabe? Ou sabia?”
“À época, eu não sabia. Aliás, eu não queria enxergar os fatos sob essa perspectiva”.
“Mas agora consegue?”
“Não que eu consiga ou queira. Mas é inevitável”.
“E presume saber o motivo?”
“Sim”.
“E qual o motivo?”
“É simples. Da consciência, nada se esconde por muito tempo”.
“E o que pretendes fazer agora?”
“Recomeçar de onde parei. Se eu puder”.
“Sempre é possível. Antes, porém, vá refletir sobre os seus atos. E depois, no momento oportuno, quando estiver melhor preparado, terá a chance de se entender com o seu desafeto”.
“E ele aceitará minhas desculpas?”
“Quanto a isso não se preocupe. Pra toda situação, boa ou má, a necessidade se impõe”.
Agradecido, o homem afastou-se, tomando o mesmo caminho que o acusado.
O juiz olhou para o relator, à espera de alguma pergunta, que não demorou a vir.
“Posso pedir que entre o próximo acusado?”
“Daqui a pouco. Por ora, vamos nos refrescar com um copo d’água”.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

SAUDADE!


Hoje, penso nas pessoas que conheci e já se foram. Encerraram o ciclo da vida humana antes de mim. E são tantas (...) E tão queridas!
O que fazem elas agora, neste exato momento? A que se dedicam no outro plano da vida? Qual será agora, a sua fisionomia? Estarão mais jovens? Mais envelhecidas? Estarão felizes? Em paz? Eu espero que sim!
Esses dias de solidão imposta, ao qual somos submetidos, nos convidam a reflexões, como essas.

Pensar nos entes queridos, familiares, amigos, companheiros de jornada, de trabalho, de ideal e de cumplicidade, que partiram antes de nós, torna-se inevitável.
Bate a saudade! E vem forte, avassaladora. E faz estragos profundos, quase irreparáveis, em nossas mentes e em nossos corações.
Penso como se sentem aqueles que recentemente não puderam compartilhar os últimos momentos com as pessoas que mais amavam. Não puderam se despedir. Ter direito à um último beijo, um último olhar, uma última confidência, inútil, mas tão necessária.
Que modo mais cruel e mais desumano de se despedir para sempre daqueles que se ama.
Manhãs como esta, nas quais escrevo estas linhas, manhãs nubladas, quando as palavras parecem escondidas e sufocadas, nos fazem pensar sobre estas coisas. Trazem a saudade daqueles que deixaram este cenário da vida, antes de nós.
Será que eles, agora, nos ouvem? Será que sentem as batidas mais apressadas dos nossos corações? Será que vasculham os nossos pensamentos? E o que diriam eles, sobre esses pensamentos, acaso pudessem dizê-lo?
Talvez, possam. Porque, os que amam, amam de verdade, sempre encontram um modo de expressar esse amor.
Então, quando bate a saudade, daqueles que se foram, antes de nós, é porque eles, agora, estão juntos à nós.
E talvez, sejam aquelas flores que encantam nosso olhar, talvez sejam os pássaros, pequenos e tão confiantes, tão felizes, que sobrevoavam nossas cabeças, cantando; talvez seja a brisa da manhã outonal que acaricia nossos rostos, a voz que fala ao nosso coração, baixinho, de um modo tão carinhoso, tão especial, e que nos dá a certeza de que não estamos sós por mais que a realidade nos diga e nos tente convencer do contrário. Não, não estamos sós. Porque não há distância entre aqueles que se amam.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

É SÓ POESIA


Se eu pudesse trazer à tona todo ódio que existe dentro de mim
Se eu pudesse trazer à superfície toda a revolta contida dentro de mim
Faria desaparecer diante de meus olhos
As paredes, quatro ou cinco, ou três, que me aprisionam nesse viver que repudio
Faria surgir diante de mim, a estrada imensa, sem fim, que me leva a lugar nenhum
O deserto infinito, sob o sol escaldante, eu faria surgir
Faria aquecer o frio intenso da noite
Faria secar a água gelada da manhã que escorre pelos cantos, à sombra, do monte de areia
Onde, vez por outra, encosto minha cabeça, enquanto olho para o céu
E vejo sem grande entusiasmo, enquanto respiro devagar, quase parando
As nuvens passarem correndo, sorrindo, brilhando,
Ganhando novas formas e novas dimensões, a cada instante
As doze horas terríveis em que sob o sol me disfarço
O disfarce gasto, a roupa puída, de sempre, fedida,
Roupa rota, o disfarce; sujo, rasgado, porque outro não tenho
Engano a mim mesmo, as pessoas e o mundo, com palavras doces e gentis, mas,
Dentro de mim, o fogo serpentino queima em minhas entranhas,
Labaredas saem de minha boca maldita, condenada ao silêncio
E corrói os ossos quebrados, a carne apodrecida, do corpo que vai se desfazendo
Gemendo a sua dor, uivando o seu rancor, em forma de poesia
Se eu pudesse trazer à tona todo ódio que existe em mim
Faria parar o tempo, voltar o tempo, as pessoas não
Não tenho para elas uma palavra amiga, um gesto de piedade,
Um último olhar, não tenho
As pessoas que conheci, eu as esqueci
Que se desfaçam no nada da minha indiferença
Que permaneçam no vazio do vale escuro da morte
Onde depus minhas armas e toda a minha esperança
Lembro-me daqueles dias a cada cair da noite
Quando surgem as primeiras estrelas no céu
E os olhos se voltam para Deus em oração, seis horas
Vem a noite e traz consigo, todos os seus medos e suas dores, a solidão
Se eu pudesse trazer à tona todo ódio que existe dentro de mim
Talvez acalmaria, ainda que por um segundo o meu coração
E minha mente talvez pudesse aquietar-se no silêncio úmido da prisão
Onde me encontro, à espera, sem esperança, do anjo libertador, que não vem





domingo, 3 de maio de 2020

MOMENTO MARCADO


O meu grande amor
O maior, o mais bonito
O amor mais intenso
Que faz brilhar os meus olhos
Faz palpitar o meu coração
Eu nunca disse a ninguém
Nem a ele mesmo,
Não do modo como eu gostaria
Talvez, em algum momento
Assim, por descuido
Os meus olhos tenham dito
E o meu abraço demonstrado
Esse amor, talvez, único
Vai comigo, em silêncio, para a eternidade
Esse amor eu o vivi, onde é possível
Vivi no sonho mais bonito
Quando me vi, então
Caminhando num jardim, numa tarde de outono,
De mãos dadas com ela
Foi um momento, único
Que fez valer toda luta, todo sacrifício
De suportar toda a vida e este mundo
Momento marcado no meu ser
Momento que levo comigo
Para a eternidade