Sabe quando
você olha para aquela mulher,
A única que
realmente lhe importa,
A mais
bonita e atraente para os seus olhos,
Ainda que
seja tão somente para os seus
Mas é aquela
mulher, aquela, e ela,
Nunca olha,
nunca olhará pra você, nunca
Seja você
homem ou mulher.
Você ficará
sempre no vácuo, à espera, em suspenso
Como a pomba
no beiral do telhado mais alto
Vai
entender, então, porque o tempo é eternidade
Vai aceitar
que isso é a vitória
Vitória é
receber vaias, quando se espera aplausos
Vitória é o
nome da minha filha, que não veio
Vitória é a
felicidade possível dos derrotados
É esperar
que o domingo amanheça chuvoso
Quando o sol
atravessa o vidro da janela
E estoura em
seus olhos à primeira luz do dia
Vitória é
sentar-se impaciente sobre a mala
Na
plataforma da estação do trem à espera
Que não vem,
não virá, o trem
Vitória é
ouvir uma voz, ao longe, a chamar-lhe
Pensando ser
aquela voz, aquela
Mas a voz
não se repete; a esperança, porém, permanece, muda
Porque a
esperança é a gentileza burra que a vida nos oferece
Vitória é
encontrar no olhar do médico, o desânimo,
Diante do
exame, que você lhe entregou
Vitória é o
minuto final do jogo, que se perde de goleada
É o dia
derradeiro na prisão, longa, sofrida, suada
Vitória é o
último suspiro de uma vida de vitórias
É o choro do
bebê que desgraçadamente retorna, à esta vida
Vitória é o
primeiro papel amassado, que o conduzirá
A um caminho
de ilusão, onde tudo se perderá
Honra,
tempo, nome, dignidade, decência
Vitória é
dar as costas, dizer adeus
Quando a
felicidade chama, bate à porta
É juntar-se
aos desvalidos, no vale de suplício e lágrimas e dor

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