Ardem meus
ouvidos
É sinal que
meu nome
Está à
baila, na boca profunda dos homens puros
Que se
ajoelham perante deus
E castigam
os filhos e as mulheres
Entre quatro
paredes, em silêncio, no escuro das horas
Ardem meus
ouvidos
Queima minha
garganta
Exala o
veneno doce da maledicência
Da maldade
reprimida, a doce maldade, ingênua, perigosa, necessária
Que salta
num impulso para a realidade de formas, fatos e cores
Vira-se à
mentira, dá-lhe as costas
Ignora os
olhares em volta
Porque o mal
é mais forte, é dono de si
E desconhece
a lei dos homens
E abomina a
lei de deus
Para a qual
jamais se curvou, nem o fará
Ardem meus
ouvidos
E cegam os
meus olhos
Nesta ofensa
sagrada de todas as manhãs, doce, ingênua, perigosa, necessária
Meu nome
fede na boca dos homens puros, meus inimigos
De que vale
meu nome, se não permanecerá
Que não seja
numa lápide, inscrito com letras cuneiformes
Que o tempo,
a poeira e o vento, haverão de apagar
Nem meu
nome, nem eu, nem minha face, nada ficará
Porque tudo
basta e se resume neste ciclo interminável
De começo,
meio e fim
E é melhor
que assim seja

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