Estou totalmente sem esperança. É
assim que Billy Idol, cantor britânico, ídolo da música punk rock nos anos
1980, inicia sua mais conhecida canção. Não sei você, leitor, mas totalmente sem esperança, é como
me sinto.
Imagine-se num trem, em movimento, em alta velocidade, fazendo
curvas, rompendo horizontes, deixando sombras no passado, e você vai se
desfazendo de tudo o que já não lhe serve, vai atirando sem medo e sem remorso,
tudo pela janela, tudo o que lhe incomoda e nada mais lhe representa, o que
ocupa espaço em demasia em sua vida e torna os seus dias pesados, lentos, sem
graça. Livre-se disto! Abandone-os à própria sorte. Eles tomaram a sua
esperança, roubaram o seu tempo e o aprisionaram, confinando a sua vida nesse
beco sem saída, dualidades mórbidas: crença ou descrença, certo ou errado,
capitalismo ou socialismo, religião ou não.
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| Reprodução |
Todos esses aspectos pertencem a um
sistema que, em essência, é perverso, maligno, porque nem você, eu, ninguém,
nenhum de nós, nascemos para nos sujeitarmos a esse sistema. Porque nascemos
para sermos livres, para nos amarmos e nos ajudarmos, para compartilharmos o
que cedo ou tarde deixaremos neste mundo, porque a ele pertence.
Mas desde nosso primeiro choro, sem
que tivéssemos direito a escolha, nos aprisionaram nesse sistema sujo, podre,
nojento, que nos mantém distantes de nosso destino, descrentes de nossas
possibilidades infinitas. E nos ensinaram a competirmos e a nos derrotarmos uns
aos outros em vez de nos ajudarmos. E nos ensinaram a possuirmos em vez de
compartilharmos. Porque assim, o sistema nos mantêm fracos e sob controle.
Capitalismo e socialismo, ambos
traíram a nossa confiança, não merecem o nosso respeito. Cristianismo,
islamismo e todos os “ismos”, todos, sem exceção, se perderam na sua essência,
na sua melhor intenção, quando saíram das mãos de quem os concebeu com todo
amor e foi parar nas mãos dos homens imperfeitos que desconhecem o amor em sua
plenitude. Homens egoístas, cheios de orgulho, sedentos de ambição e poder. Mas
toda forma de poder, já foi dito, Humberto, é uma forma de morrer por nada.
Triste sina a nossa! Será castigo?
Não! Não é. Mas é justamente isso o que nos incutiram em nossas mentes, desde
que nos demos por gente: somos culpados, porque somos maus, nascemos em pecado,
merecemos sofrer. E nos convenceram dessa ideia absurda, estúpida e retrógrada
de que através do sofrimento teremos a recompensa, como se fôssemos obrigados a
morrer para viver. Ou seja, nós sofremos, nós morremos e ele celebram o banquete. Tem
sido assim ao longo do tempo.
E chegamos a quase duas décadas do
século que deveria nos libertar da ignorância e nos trazer esperança. Mas onde a
esperança? Onde a liberdade? Se o que vemos é tudo cada vez mais humano e menos
espiritual.
Aprisionados estamos nas condições
primitivas da animalidade e da materialidade que nos sufoca e nos convence de
necessidades que, em verdade, não temos. E nos obriga a assumirmos compromissos,
que não nos dizem respeito. E nos iludem com imagens sugestivas, tentadoras, que
fixam nossas ideias e nos prendem num labirinto de incertezas e dúvidas do qual
não podemos escapar.
Jamais seremos plenamente felizes
enquanto nossas metas e preocupações que nos fazem perder o sono e os dias
forem tão somente possuir e vencer, porque é essa necessidade que nos mantém
presos ao sistema.
Esses sentimentos egoístas,
entretanto, não cabem, não tem sintonia, não encontram morada, numa sociedade
humana onde impere o amor e o bem prevaleça. Uma sociedade desejada por aqueles
heróis que ainda carregam em si um ranço de esperança que lhes permite respirar
e sobreviver ao sistema.
O que eu diria à humanidade, Simon?
“Vamos, menina, limpa teus olhos, seca tuas lágrimas. Siga em frente”.
Essa coisa de que tudo passa, é
poesia. Bonita. Mas é só poesia. Ficam as marcas imorredouras que nos tragam ao
nosso menor deslize ou desatenção, para o ambiente cínico das lembranças que
nos provocam.
Palavras duras, caro leitor, bem sei,
mas oportunas, espero. Portanto, antes que anoiteça e a sombra triste e
devastadora que tudo encobre prevaleça, eu lhe sugiro: faça o seu melhor. E se
isto significa que você dê as costas para tudo isto, que rejeite este mundo tal
como é, e se liberte e siga o seu caminho, o seu, pois então o faça, sem medo. Faça-o
agora. Porque daqui a um minuto, nem isso, seu telefone irá tocar e você se
esquecerá de tudo isso.
Saiba, que o amanhã há de vir do
mesmo modo. Porque o principal problema da vida é o depois.
E quando lhe recomendarem para que conheça
a verdade, pergunte: Qual? Se nós, humanos, prisioneiros de um sistema
perverso, não sabemos sequer o porquê de tudo isso, isso, o que os poetas,
filósofos, e entendidos ousaram chamar de vida.
Vivemos uma mentira? E por que não? Talvez,
essa, seja a verdade.
Sim ou não, faça o seu melhor. Faça-o
não por uma causa, um ideal, esses são valores subjetivos que servem ao sistema,
mas não serve para nós, meu velho. Faça-o por você. E creio que o estará
fazendo também por mim, que todos os dias, acordo com esse desejo, essa vontade
reprimida, desde muito, muito tempo. Mas que, um dia, inevitável que há de
chegar, prometo, tornarei realidade. Desfazer-me de tudo o que já não me serve;
o que ocupa espaço demais em minha vida e torna os meus dias pesados, lentos,
sem graça. Atirá-los todos pela janela do trem em movimento. Sim, eu o farei.
PS: Quebrei a caneta, caro leitor. Imagine meu estado de ânimo ao terminar
estas linhas.

Li e vi que vc sabe exatamente do que fala mas também vejo que o materialismo está profundamente enraizado nós costumes e vidas humanas e poucos serão os que entenderão o que aqui vc escreve e tenta alertar pois como diz o artigo que lhe enviei, "Somos prisioneiros neste Planeta Prisão por sermos, na excencia,seres violentos e enquanto não aprendermos o verdadeiro significado do AMOR, no sofrimento e na dor permaneceremos."
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