sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

DEPOIS DO SOL



Quando eles surgirem finalmente
Não se fará dia nem noite
O tempo desaparecerá
As coisas todas farão sentido
Cairão mais que torres, reinos e governos, potestades
As algemas arrebentarão, os caminhos surgirão
Enfim se fará luz
Quando eles surgirem finalmente
Em meio às nuvens
Surgindo dos ares, das entranhas da terra
Secarão as lágrimas, não haverá mais dores,
Nem gemidos, nem gritos que não seja
De alegria...
Quando eles surgirem finalmente
Não haverá mais diferença entre esses e aqueles
Cada um terá o que é seu, o que fez por merecer
As estrelas desaparecerão do céu, descerão à terra
Nunca as cores serão tão bonitas como naquele momento
E a música celeste, penetrará os corações
Limpará as mentes, de toda impureza e maldade
Quando eles surgirem finalmente
Tudo será revelado, papéis e consciências,
Postos na mesa, desnudados
Correrão uns e outros contra o vento, em direção ao mar
Subirão ao planalto, desesperados, à espera
Feito mulas enlouquecidas
Feito loucas virgens, agoniadas
Diante do tempo esgotado, saberão
Olhares se perderão incrédulos
Quando eles finalmente surgirem
Nada fará sentido
Nem o tempo
Nem a vida
Nem as coisas
Nem os lugares, quais? Onde estarão?
Tudo irá se mover
E se confundir
E perderá importância e significado
Nada jamais será como tem sido
Onde o sol se deitava surgirá
Um novo horizonte, mais lindo, mais limpo
Quando eles finalmente surgirem
Por um instante, a vida irá adormecer
E despertará no instante seguinte
E então, entenderá cada qual
Que rumo tomar



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