Gosto das manhãs
As manhãs são como a vida
Inevitáveis, irreversíveis
Nas manhãs rompe o grito de dor, prenúncio da chegada
Trazem as manhãs o sorriso que sucede a lágrima
O abraço e o rosto molhado de suor em contato primeiro com a vida
As manhãs renovam a esperança
São diferentes das tardes que antecedem a noite e a morte à espreita
As manhãs convidam ao trabalho
Despertam as almas confusas, obtusas
As almas indecisas que tentam se encontrar
Encontrar o caminho de volta ao lar
As manhãs despertam a natureza
Aquecem as águas
Dissipam o orvalho
Fazem sorrir as flores
E inspiram os pássaros a cantar
Doces melodias
As manhãs tem o cheiro do café, da água fervendo, derramada
As manhãs desvendam os mistérios escondidos
Na noite perigosa, incerta
Oculta, noite bruta
Gosto das manhãs
Das primeiras luzes do dia que despontam na vermelhidão do céu infinito
As manhãs trazem os homens ao recomeço
E riscam o chão batido de dor e de súplica com os raios de sol da esperança
As manhãs falam mais aos poetas, do que falariam aos corruptos, dementes, e assassinos
As manhãs alimentam os sonhos concebidos nas doze horas noturnas
E os arranca do pesadelo da realidade que pesa sobre os ombros
Dos valentes que insistem caminhar em frente
As manhãs levantam os olhos do chão e os fazem encontrar o destino
Manhãs nubladas, ensolaradas
Manhãs de março, dezembro, outono
Gosto das manhãs e as espero, contente
Porque, ao contrário da felicidade, sei, jamais faltarão.
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