Não se
espante, não é só no Brasil. É uma tendência mundial. Tudo o que estava
reprimido há séculos, seja na política, nas artes, no esporte, na ciência ou
qualquer outro segmento da sociedade humana se levanta, reivindica atenção e
espaço. Mas é tudo absolutamente normal. É a prova inconteste de que mentira não
resiste ao tempo, e que reprimir e punir não transformam o comportamento humano
quando em dissonância com o padrão estabelecido.
Vivemos um
tempo em que todas as opiniões devem ser consideradas e apreciadas de maneira
isenta, sem pré-conceito. A verdade nunca foi tão relativa. A noção de certo e
errado é debatida com entusiasmo não mais por filósofos, religiosos e
acadêmicos, mas por gente comum, nas redes sociais, e isso incomoda aqueles que
até então se imaginavam detentores do conhecimento, da suposta verdade tal como
estabelecida, e de sua propagação.
A humanidade
não aceita mais ser conduzida, seja por ideologias políticas, seja por dogmas
religiosos. Isoladas ou em grupos, utilizando-se dos modernos meios
democráticos de comunicação, que lhes permite a livre expressão de suas ideias
e crenças, as pessoas vão provocando as discussões dos mais variados temas, e,
por conseguinte, uma revolução cultural, sem armas e sem confrontos que não
seja a divergência de opiniões.
Enquanto
lunáticas autoridades governamentais, totalmente desconectadas com essa
realidade, ameaçam a continuidade da existência da espécie humana com possível
uso de armas letais de grande alcance e destruição, a maioria das pessoas, trabalha,
idealiza, busca novos caminhos para uma convivência pacífica e harmoniosa que
supere as diferenças de opinião e comportamento.
A liberdade
para disseminar ideias e para agir em nome dessas ideias, porém, pressupõe
consequências, pelas quais, nem todos que a reivindicam estão dispostos a pagar
o preço.
Mas, é
possível que num futuro breve, o que causa espanto e escândalo, seja
considerado absolutamente normal. Não há mudança que não exija adaptação e um
certo grau de tolerância e otimismo, que advém da certeza de que tudo passa,
tudo se renova, tudo se aperfeiçoa. Porque o progresso é a principal
característica da civilização humana. E é muito bom que seja assim.
*Publicado na edição de 22/10/2017, à pág. 2 do Jornal Diário do Rio Claro.
*Publicado na edição de 22/10/2017, à pág. 2 do Jornal Diário do Rio Claro.

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