O
presidente Michel Temer parece confundir harmonia com conivência e omissão. Mas
justo ele, que deveria saber qual a exata definição de Harmonia? E faz pior, na reunião do G-20, disse na maior cara de pau que no
Brasil não há crise econômica. Pra ele, realmente não há, quem paga suas
contas, sua mordomia, seu luxo, somos nós, seus súditos.
Ao mesmo tempo, cantores
medíocres fazem sucesso com suas músicas medíocres. Artistas igualmente
medíocres, da tevê, do cinema e do teatro, das artes visuais, da literatura,
enfim, alcançam a fama, recebem aplausos de uma plateia que mal sabe a
diferença entre arte e cultura.E não se importa com o que faz o artista nem como faz, mas o que ele aparenta ser.
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| Reprodução |
Jogadores
de futebol medíocres assinam contratam milionários, ganham status de craques,
sem que a gente entenda qual a razão para isso. Começamos a entender, quando
procuramos saber um pouco sobre a relação promíscua entre dirigentes de clubes,
técnicos e empresários e até alguns jornalistas. Hoje, no futebol profissional,
compra-se vaga nos times da mesma forma como pilotos de fórmula 1 compram suas
vagas nas equipes. Vale para jogador e treinador. O torcedor que adora uma ilusão, porque faz
uso dela para votar a cada 4 anos, ainda acredita que o objetivo maior do
futebol é o gol, a vitória, a conquista. Não é mais. É o dinheiro. Acorda povo!
O
Supremo Tribunal Federal que deveria ser o guardião máximo da lei faz política.
Porque seus membros, são resultados de interesses políticos, afinal, foram
todos indicados por políticos. Onde está a independência entre os poderes
prevista na Constituição?
Constituição,
por sinal, que foi toda ela feita para um regime parlamentarista, até que
surgiu um tal Centrão, e disso saiu esse monstrengo, que faz o país ser regido
a toque de medida provisória, recurso encontrado para dar poderes ao
presidencialismo.
Há
um ano, uma presidente da república foi impedida de continuar a governar? Qual
o seu crime? Não saber conduzir a economia do país, que ia de mal a pior. E continua.
Agora, seu sucessor, pode ser impedido também de continuar a governar, mas
provavelmente não será. Qual o seu crime? Corrupção. Qual a diferença entre uma
e outro? Precisa desenhar?
E
assim, filhos e alunos podem insultar pais e professores. E assim, a polícia
que deveria ter as condições para exercer com excelência o seu fundamental
trabalho de coibir a violência é tratada com descaso, e obrigada a empurrar
viaturas, em avenidas movimentadas, sob os olhares de espanto das pessoas.
Nosso
país, Brasil, onde miseráveis sentem-se mais confortáveis de pedir ajuda ao
chefe do tráfico do bairro, do que perder seu tempo na fila dos hospitais
públicos, nos gabinetes dos homens públicos, pagos para lhes servirem.
Brasil,
o país onde as pessoas adoram se deixar levar pelas promessas jamais cumpridas,
de solução fácil e imediata para seus problemas, propagadas por pessoas
engravatadas, vistosas, de fala poderosa, que ocupam púlpitos de templos que
deveriam ser sagrados. Não na mentira. Na fé sincera, no amor, na fraternidade.
País
lindo, imenso, maravilhoso, mas de gente tão pobre. Pobre de esclarecimento, de
cultura, de informação que não seja aquela vinda sob encomenda da parte
daqueles que mandam no mundo.
Olhando
assim, fica mesmo muito difícil acreditar que um dia será tudo diferente. E não
será mesmo, enquanto continuarmos esperando que outros, aqueles que se imagina
que virão do Alto e aqueles que se imagina nos representam, farão por nós,
aquilo que somente cabe a nós fazermos.
*Publicado na edição de 09/07/2017, à pág. 2, no Jornal Diário do Rio Claro.
*Publicado na edição de 09/07/2017, à pág. 2, no Jornal Diário do Rio Claro.

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