Por que a sina do povo brasileiro é sofrer nas mãos dos
políticos? Por que desde muito pequenos somos convencidos de que, nascidos
pecadores, temos de sofrer com obediência e resignação? Mas onde o nosso
direito de nos revoltarmos contra quem nos oprime? Dizer-lhes basta.
Avisar-lhes que agora somos nós a empunhar o chicote e a espada e fazermos
justiça. A justiça social que jamais fizeram aqueles que, ao longo do tempo,
escolhemos para nos representar. Eles têm abusado da nossa paciência, ignorado
a nossa boa fé, traído a nossa confiança. E seguem com um discurso que soa como
melodia aos nossos ouvidos a cada quatro anos, e que morre no mesmo instante
que são proclamados os resultados da vitória deles que deveria também ser a
nossa.
E tudo isso acontece, mesmo sendo nós os senhores do
nosso destino. Há um abismo colossal entre os nossos legítimos anseios e os
objetivos mais sórdidos, perseguidos obstinadamente, por eles, os nossos
representantes. Ao menos deveriam ser. Porque, em verdade, apenas representam
os seus próprios interesses e os interesses do grupo político do qual fazem
parte e do grupo econômico que os financia, na vida pública e na vida privada.
Tem-se a ilusão de que outros farão por nós, o que só
compete a nós mesmos, o povo, fazer por nós. Daí a eterna espera, pelo salvador
surgido do céu ou da terra, mas que, em verdade, jamais virá. E não virá porque
somos dotados de vida em abundância, inteligência, capacidade física e intelectual
para trabalharmos e promovermos o progresso desejado por todos e que seja para
benefício de todos. Somos livres! Embora tenham nos convencido de que não. E
por isso criaram mecanismos, para nós impenetráveis, como os poderes
constituídos: Executivo, Legislativo e Judiciário, que deveriam em tese
trabalhar para nós porque seus membros são em verdade nossos empregados, embora
nem eles e nem nós tenhamos a mínima noção disso. E quando acaso temos a noção
de que somos patrões deles, não nos convencemos disso.
Hoje está muito claro para quem enxerga um palmo diante
dos olhos que toda a riqueza gerada pela sociedade produtiva, leia-se
trabalhadores, empresários, agricultores, etc. serve para sustentar podres
poderes, os quais nada retornam para nós, o povo. Daí faltar dinheiro para
atender as necessidades básicas do povo, garantidas pela Constituição Federal,
também conhecida como Constituição Cidadã. Deveriam eles todos responder por
isso, porque entre suas atribuições está a administração e aplicação dos bilionários
recursos gerados pelo suor dos brasileiros trabalhadores. Mas não só não
respondem como, num ato de cinismo, de descaramento, de escárnio, exigem
através de leis esdrúxulas e injustificáveis que nos são impostas goela abaixo,
que nós paguemos pelo assalto aos cofres públicos que eles mesmos praticam. Um
absurdo! E nós, o povo manso, pacífico, ordeiro, continuamos acreditando em
utopias como democracia, justiça divina, lei de retorno, que podem muito bem
existirem em outros cantos do mundo, em outros planos de dimensão da vida, mas
que inexistem no Brasil, que muitos sonhadores inebriados com suposições e
teorias jamais confirmadas imaginam será num futuro breve, o pedaço de chão
escolhido para a redenção da humanidade. Pensam em acolher os que vêm de fora,
quando se esquecem de acolher os que já estão aqui, os seus, o sangue do seu
sangue e a carne da sua carne. Lamentável. Ainda nos falta o espírito de
fraternidade na mais verdadeira acepção da palavra, do qual depende o bem comum.
Em resumo, o que cada um quer para si não é um país melhor, mas, um bom
emprego, uma boa casa e um bom automóvel. Aqueles que os possuem, não estão
dispostos a lutar pelo bem da maioria. Sob essa perspectiva, fica fácil
entender porque 517 anos depois do início da nossa história, ainda sequer nos
convencemos de nossos direitos, e não somos também corajosos e dispostos o
suficiente para lutarmos por eles, mesmo que seja para benefício das gerações
futuras, e à custa do nosso próprio sacrifício.
*PUBLICADO NA EDIÇÃO DE 03/05/2017, DO JORNAL DIÁRIO DO RIO CLARO, À PÁG. 2.
*PUBLICADO NA EDIÇÃO DE 05/05/2017, DO JORNAL TRIBUNA 2000 DE RIO CLARO, À PÁG. 7.
*PUBLICADO NA EDIÇÃO DE 05/05/2017, DO JORNAL TRIBUNA 2000 DE RIO CLARO, À PÁG. 7.
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