Não
vou à procura
Não
sou Jesus!
Não
busco por olhares de encontro ao meu
Nem
de mãos que me reconheçam ao menor contato
Se
tu me amas, então venha até mim
Se
queres me falar, fale, eu te escuto
Não
importa a distância possível entre nós
Tanto
seja maior, menor será à minha vontade
Não
é cansaço o que me impede
É
decisão
Um
modo de ver e de viver
Pessoas
e coisas, e acontecimentos
Não
vou à procura
Não
espere isso de mim
Durante
muito tempo eu o fiz
Mas
feito águas do oceano
Acabei
voltando
Voltando,
às vezes com fúria, às vezes calmo
Voltando
para mim mesmo
Único
lugar em que apascento as minhas ovelhas
São
tantas
E
vejo em cada olhar,
E
sinto em cada coração
Uma
vontade de viver
Uma
vontade de morrer
Que
às vezes me confundo entre elas
Uma
brisa, um final de tarde
Percorrendo
a cidade esquecida
Onde
os mortos não falam
Perambulam,
e eu os vejo
Exalam
o seu odor
A
sua dor repugnante
Que,
por vezes, me confundo entre eles
Não
vou à procura
A
vida, se existe, é como o livro quando bom
Termina
onde começa
Insinua
mas não realiza
Concebe
e mata
Vê,
sente, e não diz
Talvez
porque não ache palavras
Ou
não dependa delas
Não
vou à procura
Não,
não espere isso de mim
Se
quiseres venha
E
o receberei
Se
ficar, todavia, irás se arrepender
O
perfume da rosa colhida, ferida
Não
dura um instante
Inebria,
quando muito
Nada
que o vento não leve
Talvez
me leve
Fosse
o vento, eu não ousaria
O
mato está crescido nas encostas do muro
A
grama nasce na calçada
Longe,
uma voz anuncia
As
horas que se aproximam
Da
dor insaciável
Há
de ser
A
vida termina onde começa
E
quando acontecer
Eu
terei de novo o leste
Onde
o sol nasce
Diante
de mim
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